Artigo
O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais
Autora: Adriana Braz de Oliveira* –
Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.
Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.
Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.
Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.
Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.
No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.
Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.
Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.
*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.
Artigos
O momento de suplicar
Autor: Francisney Liberato* –
Não somos autossuficientes. Antes de qualquer coisa, devemos pedir a Deus o auxílio necessário para alcançar o autocontrole.
Durante todo instante de nossas vidas, temos tentado ser pessoas boas, qualificadas, ajudadoras, amigas, abertas ao aprendizado, educadas, inteligentes etc. Por mais que façamos o que entendemos que é bom para o nosso desenvolvimento, ainda assim a vida é cheia de surpresas.
Infelizmente, nem sempre o bem que praticamos será convertido em reações similares. Às vezes, o bem resulta em ações e reações negativas, males que estorvam a nossa vida.
Estamos tentando a todo instante gerenciar as nossas emoções, sobretudo exercendo o autocontrole, porém, por mais que lutemos e batalhemos, nem sempre conseguimos êxito nessa governança.
Nem sempre conseguiremos suportar as dificuldades e os males desta vida que recaem sobre nós. Haverá tentações, desapontamentos, fracassos, descontroles emocionais, atitudes impensadas, dificuldades ao nos relacionarmos, dentre outros.
Porém, se em algum dia desta vida nós nos encontrarmos no “fundo do poço” e sem esperança, sem vontade de sair da cama, sem vontade de caminhar, sem vontade de persistir, sem vontade de viver, ainda assim, o meu apelo para você é: continue firme, marche, viva e não desista!
Quem sabe você já pensou que não há mais soluções para controlar e gerenciar as suas emoções, fez tudo o que foi possível para ser uma pessoa que detém o autocontrole, de forma permanente na sua vida, mas infelizmente não conseguiu adquirir esse hábito. Você acaba cometendo muitos erros e falhas, e isso gera muitas discussões e brigas, devido aos seus impulsos emocionais.
É preciso continuar. É preciso persistir. É preciso conquistar. É preciso suplicar.
Quando as nossas forças se dissipam e a nossa emoção se torna um nada, nós podemos, caso queiramos, suplicar a um Ser celestial, poderoso, que pode nos ajudar nas circunstâncias mais difíceis que vivemos.
Deus estará de braços abertos para te socorrer, te acalmar, cuidar de você, e ainda te conceder forças para resistir ao fracasso, revigorar as suas forças para que tenha autocontrole e equilíbrio de suas emoções.
Que possamos refletir sobre as palavras do livro “Fundamentos do lar cristão”, as quais dispõem:
“Que se apodere da Minha força e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo (Isaías 27:5). Olhe para Jesus em todas as ocasiões e em todos os lugares, oferecendo humildemente uma oração silenciosa, pedindo para saber como fazer a Sua vontade. Assim, vindo o inimigo de forma inesperada, o Espírito do Senhor erguerá contra ele o Seu escudo para proteger você. Quando estiveres quase no limite, a ponto de perder a paciência e o autocontrole, ser duro e acusador, crítico e denunciador, eis o momento para enviar ao Céu a oração: Ajuda-me, ó Deus, a resistir à tentação, a expulsar do coração todo amargor, e ira e maledicência. Dá-me a Tua mansidão, Tua humildade, Tua longanimidade e Teu amor. Não me deixes desonrar a meu Redentor, falsear as palavras e os motivos de minha esposa, de meus filhos e de meus irmãos e irmãs de fé. Ajuda-me para que eu possa ser bondoso, misericordioso, brando e perdoador como és”.
Peça a Deus a capacidade de controlar e dominar as suas emoções!
*Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
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