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Empresas, as catedrais do futuro

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Autor: Onofre Ribeiro*

Há duas semanas participei de uma imersão sobre Eneagrama, uma técnica que trata da personalidade humana, dividindo-a em 9 tipos de perfis. O instrutor foi o próprio Domingos Cunha, um padre católico português que mora no Brasil e é um dos organizadores do sistema do eneagrama.

Ao final de três dias, no fechamento do encontro, ele disse uma frase que mexeu muito comigo e me tirou a paz de raciocínio tradicional:

As empresas serão as novas catedrais do futuro”.

Em tempos de inteligência artificial como os atuais, de outras tecnologias disruptivas e de transformações humanas em rapidez como nunca se viu antes na humanidade, a frase é um choque.

Preciso lembrar que lá pela Idade Média, tempo da construção da maioria das grandes catedrais religiosas, tratava-se do maior avanço á época em termos de arquitetura de cultura, de engenharia, de poder religioso, de poder político e de opulência da Igreja. Era um símbolo da mais arrojada modernidade.

Nos tempos atuais já não se constroem catedrais religiosas, porque os tempos são outros. O poder não está mais na engenharia arquitetônica e nem no que elas representam como símbolo da religiosidade. Isso está nas mãos das tecnologias, independente do que a engenharia moderna seja capaz de construir. O que as tecnologias trazem de mais imediato é a capacidade de inovação, que é a compreensão das transformações e a sua aplicação nos métodos e processos de gestão, de produção e de vivências humanas.

As novas gerações conviverão com as novas “catedrais” no futuro, e precisarão ser “educados” pelas gerações anteriores para o papel das transformações. Caso contrário, não compreenderão o seu tempo novo, se não souberem que a civilização é uma permanente construção. Assim como foram no passado as catedrais religiosas, Hoje elas são só conceituais.

As gerações como menos de 30 anos precisam de monitoramento que as empresas privadas, as atuais grandes empregadoras, podem lhes dar, adequando o conhecimento de cada jovem colaborador às suas necessidades específicas. A educação genérica das universidades, por exemplo, já não atende. Prova disso é que nos últimos 10 anos 32 mil estudantes matriculados abandonaram a Universidade Federal de MT, porque lá não está mais o seu projeto de futuro, O futuro está onde estiverem as tecnologias e a sua capacidade de transformação. Aí estarão as catedrais.

Sugiro que você abra no Google a foto de uma catedral histórica e avalie a sua complexidade. Ela foi fruto de mãos e mentes humanas. Tal qual será no futuro, em outras linguagens.

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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O que pode estar por trás dos bloqueios emocionais

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Autora: Adriana Braz de Oliveira*

Você já sentiu uma tristeza que não sabia explicar? Uma angústia que parecia não ter origem? Ou talvez um padrão que se repete na sua vida, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas, e que, por mais que você tente mudar, insiste em aparecer? Pois bem, pode ser que essa história tenha começado muito antes de você.

Partimos de uma premissa simples, mas profunda: não somos ilhas. Somos o resultado de tudo aquilo que vivemos, sim, mas também do que as gerações antes de nós viveram e não conseguiram elaborar completamente. Lutos que não foram chorados, segredos que ficaram guardados, pessoas que foram excluídas da família, traumas que ficaram sem amparo. Tudo isso não desaparece com o tempo, mas circula, de forma silenciosa, dentro do sistema familiar — e pode aparecer na vida dos descendentes como ansiedade sem nome, bloqueios inexplicáveis ou relacionamentos que nunca fluem.

Não se trata de culpar os nossos ancestrais. Muito pelo contrário. Trata-se de compreender que o que sentimos nem sempre começou em nós. E que ao trazer luz para essas dinâmicas, deixamos de repetir automaticamente e passamos a ter escolha.

Podemos pensar, por exemplo, no impacto da ausência paterna na vida de uma pessoa. E aqui é importante entender que ausência não significa apenas não estar presente fisicamente. Um pai pode estar em casa todos os dias e, ainda assim, ser emocionalmente distante, indisponível, desconectado.

Quando a paternidade não vem acompanhada de vínculo real, isso deixa marcas. O filho pode crescer com dificuldade de se sentir pertencente ao mundo, de confiar em si mesmo, de se realizar profissionalmente ou de construir relacionamentos saudáveis. Muitas vezes, passa a vida tentando preencher esse vazio em outros lugares: em parceiros, em conquistas, na busca por aprovação.

No entanto, a ideia não é forçar uma reconciliação artificial com esse pai. Mas algo ainda mais transformador: dar um lugar interno a essa figura, com todas as suas limitações humanas, para que o filho possa, finalmente, seguir em frente sem carregar esse peso. E é justamente aqui que surge um dos maiores equívocos sobre o processo de transformação: a crença de que, para se libertar, é preciso cortar os vínculos com o passado. Que para ser livre, é necessário esquecer, romper, rejeitar.

Quando tentamos fugir da nossa história com raiva ou repúdio, continuamos presos a ela, só que de outro jeito. A rejeição também é uma forma de emaranhamento. E a repetição continua, muitas vezes com polaridade invertida. A verdadeira liberdade começa quando paramos de fugir e passamos a olhar. Quando nos permitimos ver nossa origem como ela realmente foi, sem idealizações e sem condenações. Quando conseguimos dizer internamente: “você é meu pai, você é minha mãe, e eu recebo a vida que vocês me deram.” Não porque o passado foi perfeito, mas porque ele foi real. E porque, ao aceitá-lo, abrimos espaço para que a vida possa, finalmente, fluir.

Diferenciar-se não é apagar de onde viemos. É honrar as raízes com consciência, deixar com cada um o peso que lhe pertence, e assumir com coragem e leveza o próprio lugar no mundo. Esse é o caminho proposto: não o de quem foge, mas o de quem integra, escolhe e segue.

*Adriana Braz de Oliveira é psicóloga, doutora em Psicologia da Saúde, especialista em Psicologia Transpessoal e autora do livro PsiConstelação.

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