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A infância no centro do novo Plano Nacional de Educação

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Autora: Guelda Andrade*

O debate sobre a universalização da creche e da escola de tempo integral ganha ainda mais relevância no contexto da construção do novo Plano Nacional de Educação (PNE). Após o encerramento da vigência do PNE 2014-2024, o Brasil tem diante de si a oportunidade histórica de corrigir insuficiências, enfrentar desigualdades persistentes e consolidar uma política educacional de Estado capaz de garantir o direito à educação e à cidadania desde a primeira infância.

A experiência do plano anterior demonstrou que estabelecer metas sem assegurar mecanismos robustos de financiamento, cooperação federativa e monitoramento permanente limita significativamente a capacidade de implementação das políticas públicas. Embora tenham ocorrido avanços importantes na expansão da educação infantil e da educação em tempo integral, as metas previstas para creches e para ampliação da jornada escolar não foram plenamente alcançadas.

O novo PNE precisa reconhecer que a universalização da educação infantil e da educação em tempo integral não pode ser tratada como política acessória ou complementar. Trata-se de um eixo estruturante do desenvolvimento nacional, diretamente relacionado à redução das desigualdades sociais, ao combate à pobreza, à promoção da igualdade de gênero e à construção de uma sociedade mais democrática.

Nesse sentido, torna-se fundamental que o novo plano estabeleça metas mais ambiciosas para a expansão da oferta de creches públicas, acompanhadas de mecanismos concretos de financiamento e responsabilização dos entes federados. A simples previsão de metas quantitativas não basta quando o país ainda carrega mais de 826 mil crianças na fila de espera por creches (Censo Escolar/Inep, 2024), realidade que também se reflete de forma severa em Mato Grosso, onde mais de 10 mil crianças aguardam uma vaga nos polos urbanos (TCE-MT/Gaepe, 2025). É necessário definir com clareza os meios para alcançar essas metas.

A ampliação da oferta de creches públicas também precisa ser compreendida como parte de uma rede de proteção à infância e de apoio às famílias brasileiras. Para milhões de mulheres, especialmente as mais pobres, o acesso à creche representa a possibilidade real de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho, ampliar sua autonomia econômica, garantir a segurança alimentar de seus filhos e construir condições mais dignas de vida.

Da mesma forma, a escola de tempo integral não pode ser reduzida à mera ampliação da permanência dos estudantes no ambiente escolar. Trata-se de uma política de Estado que amplia oportunidades de aprendizagem, convivência, cultura, esporte e desenvolvimento humano, contribuindo de forma decisiva para a formação integral e para a proteção social de crianças e adolescentes.

Essa discussão remete diretamente à implementação do Sistema Nacional de Educação (SNE), previsto na Constituição Federal e reiteradamente defendido pelas entidades educacionais, pelos fóruns de educação e pelas conferências nacionais de educação. O SNE deve constituir um instrumento permanente de articulação entre União, estados e municípios, superando a fragmentação das políticas educacionais e fortalecendo o regime de colaboração.

Sua ausência contribui para a manutenção de profundas desigualdades territoriais. Enquanto alguns municípios conseguem ampliar a oferta de vagas e investir em qualidade, outros enfrentam enormes limitações financeiras e estruturais. O resultado é que o direito à educação acaba dependendo do CEP da criança, contrariando o princípio constitucional da igualdade de oportunidades. Nenhum projeto de país que pretenda reduzir desigualdades pode aceitar que o acesso a um direito fundamental seja definido pelo local onde uma criança nasceu.

Outro elemento central para o sucesso das metas do novo PNE é a efetivação do Custo Aluno-Qualidade (CAQ). Previsto na legislação educacional brasileira e incorporado ao debate nacional há décadas, o CAQ representa um parâmetro objetivo para definir quanto deve ser investido por estudante a fim de garantir padrões adequados de qualidade.

A implementação plena permitiria enfrentar uma das maiores contradições da educação infantil: a existência de redes que recebem recursos insuficientes para assegurar infraestrutura adequada, profissionais valorizados, materiais pedagógicos de qualidade e alimentação escolar compatível com as necessidades da infância.

Não haverá universalização da creche nem expansão consistente da escola de tempo integral sem a garantia jurídica e o fortalecimento do financiamento público da educação. Isso exige ampliar a participação da União no financiamento da educação básica, reduzir desigualdades regionais e assegurar recursos estáveis e permanentes para estados e municípios.

O novo Plano Nacional de Educação deve ser compreendido não apenas como um documento técnico, mas como um pacto social em defesa da infância. Um compromisso inegociável que coloca o financiamento garantido e o direito à educação no centro do projeto de desenvolvimento do Brasil e de Mato Grosso.

*Guelda Andrade é mestra em Política Educacional pela UFMT, especialista em Gestão Escolar, servidora da educação pública e dirigente nacional da CNTE. Atua na defesa da educação pública, da valorização dos profissionais da educação e do fortalecimento das políticas educacionais brasileiras.

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Inchaço nas pernas: existem várias causas e o ultrassom ajuda a diferenciá-las

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Autora: Adriana Costa*

Ao final de um dia intenso de trabalho, depois de muitas horas sentado, em pé ou durante períodos de calor, é comum perceber as pernas mais pesadas ou inchadas. Embora muitas vezes esse sintoma seja passageiro, ele também pode ser um sinal de que algo no organismo merece atenção.

O inchaço nas pernas, conhecido na medicina como edema, não é uma doença, mas um sintoma que pode estar relacionado a diferentes condições de saúde. Entre as causas mais frequentes estão a insuficiência venosa, problemas no sistema linfático, processos inflamatórios, lesões musculares, uso de alguns medicamentos e doenças cardíacas, renais ou hepáticas.

Outra condição que vem ganhando cada vez mais atenção é o lipedema, uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Além do aumento do volume dos membros, é comum que as pacientes apresentem dor ao toque, sensação de peso, facilidade para desenvolver hematomas e dificuldade para reduzir o volume das pernas mesmo com dieta e atividade física. Como muitos desses sintomas podem se confundir com outras doenças vasculares ou linfáticas, a avaliação médica e os exames de imagem são fundamentais para um diagnóstico preciso.

É justamente nesse contexto que a ultrassonografia desempenha um papel importante. Quando associada ao Doppler, ela permite avaliar em tempo real a circulação sanguínea das pernas, verificando se há obstruções, refluxo venoso ou alterações no fluxo das artérias e veias. Trata-se de um exame não invasivo, indolor e sem exposição à radiação.

Um dos diagnósticos que mais preocupa é a trombose venosa profunda, caracterizada pela formação de coágulos nas veias profundas das pernas. Essa condição exige diagnóstico rápido, pois pode evoluir para complicações graves, como a embolia pulmonar. O ultrassom com Doppler é o principal exame para confirmar ou descartar essa suspeita.

Além da trombose, a ultrassonografia auxilia na investigação da insuficiência venosa crônica, responsável por sintomas como peso nas pernas, dor, cansaço e varizes. O exame também pode identificar cistos, hematomas, lesões musculares e outras alterações que contribuem para o aumento do volume dos membros.

Vale destacar que nem todo inchaço representa uma emergência médica. No entanto, quando ele surge de forma súbita, acomete apenas uma das pernas ou vem acompanhado de dor intensa, vermelhidão, calor local ou falta de ar, a avaliação médica deve ser imediata.

O diagnóstico por imagem tem um papel cada vez mais importante porque permite diferenciar doenças que apresentam sintomas semelhantes, mas exigem tratamentos completamente distintos. O ultrassom não apenas ajuda a identificar alterações na circulação, como também auxilia na exclusão de outras causas, orientando a investigação clínica de maneira mais precisa.

O inchaço nas pernas não deve ser encarado como uma consequência natural da idade ou da rotina. Quando o sintoma é frequente, persistente ou interfere na qualidade de vida, procurar avaliação médica faz toda a diferença. Em muitos casos, um exame de ultrassonografia é o primeiro passo para esclarecer a causa do problema e iniciar o tratamento mais adequado.

*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI em Cuiabá-MT.

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