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Adriana Vandoni: – A sociedade quer respeito e responsabilidade
A sociedade quer respeito e responsabilidade
Por Adriana Vandoni
Em um cenário nacional em que operações policiais desvendam e trazem à tona tantos casos de corrupção envolvendo políticos e empresários de alta influência, o Governo de Mato Grosso tem se tornado referência em medidas que buscam coibir a prática de crimes contra a administração pública.
Nosso trabalho em busca de inovações na administração através da mudança de cultura, do resgate dos valores de uma atuação ética em cada detalhe do dia-a-dia, vem sendo feito desde o primeiro dia de gestão. Enfrentamos obstáculos e, certamente, ainda vamos encontrar muitos. Mas temos, com determinação e perseverança, rompido velhos conceitos que ainda causam tantos prejuízos aos cidadãos. O resultado foi o reconhecimento nacional e internacional do pioneirismo do executivo mato-grossense em busca de transparência e integridade na administração.
O Portal Transparência do Governo de Mato Grosso vem sendo constantemente atualizado e uma remodelação total é aguardada. O governo de Mato Grosso já se tornou referência para outros órgãos que desejam melhorar seus próprios sistemas. Estamos em terceiro lugar no ranking do Ministério Público Federal que mede a transparência ativa dos estados, com nota 9,8 em uma escala de 0 a 10.
Em menos de um ano de existência legal, o Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção já inseriu uma cláusula anticorrupção em todos os contratos do governo, lançou o Programa de Integridade Pública, e já iniciou a implementação dele na secretaria de Trabalho e Assistência Social, nosso projeto piloto. O Programa, que seria publicado em forma de decreto, por determinação do governador Pedro Taques, foi transformado em projeto de Lei e se encontra hoje para avaliação final da Procuradoria Geral do Estado.
O GTCC trabalha em parceria com organizações como FIEMT, sindicatos e organizações da sociedade civil. Com o Sebrae (local e nacional) e o Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União. O Gabinete lança, no próximo mês, o Programa "Ser Empresa", que vai qualificar micro e pequenas empresas do Estado a implementar programas de integridade. Este modelo será levado pelo Sebrae Nacional a todas as unidades da federação.
Estamos firmando, ainda para este ano, parceria com a Organização Transparência Internacional, reconhecida pela sua pesquisa do índice de percepção da corrupção no mundo, que vem demonstrando interesse em acompanhar este trabalho inédito de compliance na administração pública.
A corrupção é um mal que corrói o tecido social, degenera o poder público, corrompe estruturas institucionais, compromete a qualidade dos serviços prestados à população e estrangula futuros. Um mal que desvia R$ 7 trilhões da economia mundial ao ano, segundo levantamento do Fundo Monetário Internacional, e R$ 200 bilhões da economia brasileira, de acordo com a ONU.
O Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção entende que, para criar um ambiente organizacional e negocial saudável, o foco do trabalho deve ser na mudança de cultura, na parceria com o setor privado e com a sociedade. E tem se empenhado cotidianamente nisso. A sociedade entende que a corrupção não é um problema de um governo ou de uma instituição, é problema de todos nós. Não oferecer, não aceitar e relatar quando toma conhecimento. Essa parceria é que precisamos com os cidadãos.
Este é um projeto inovador e audacioso, ansiado pela sociedade, e que só está saindo do campo das boas intenções por contar com o apoio da mais alta instância do poder executivo do estado de Mato Grosso. É um trabalho de longo prazo que, com determinação e persistência, alcançaremos êxito.
Estamos plantando uma semente, e para que dela floresça uma cultura de ética, precisamos que toda a sociedade a regue. Assim colheremos benefícios para todos – servidores e população – que não quer ver outra coisa, senão respeito e responsabilidade com o dinheiro público.
Adriana Vandoni – Secretária do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção, Governo de Mato Grosso
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Na era da IA, o diferencial será humano
Autora: Silmara Casadei* –
Transformações tecnológicas sempre alteraram a forma como trabalhamos. A diferença é que, desta vez, estamos diante de sistemas capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em poucos segundos. Isso provoca uma sensação inédita de concorrência com algo que se aproxima de processos antes considerados exclusivamente humanos.
A discussão sobre inteligência artificial costuma girar em torno das profissões que desaparecerão e das novas exigências do mercado de trabalho. Embora esse debate seja importante, ele deixa em segundo plano quais capacidades humanas precisarão ser fortalecidas desde a infância para que as próximas gerações possam viver de forma autônoma em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes.
Curiosamente, à medida que as máquinas se tornam mais eficientes, características antes consideradas subjetivas passam a ganhar valor estratégico. Pensamento crítico, criatividade, flexibilidade cognitiva, capacidade de colaboração e inteligência socioemocional deixaram de ser apenas habilidades desejáveis e tornaram-se competências essenciais.
Isso ajuda a explicar um dado interessante: embora sejam os principais usuários dessas ferramentas, 66% dos jovens afirmam não confiar totalmente nas respostas geradas pela inteligência artificial (Ipsos, 2026). Mesmo entre aqueles que cresceram cercados pela tecnologia, permanece a percepção de que informação não é sinônimo de discernimento.
Discernimento não nasce do acúmulo de respostas prontas, porque ele se desenvolve por meio da experiência, da reflexão, do contato com diferentes perspectivas e da capacidade de duvidar antes de chegar a conclusões. Trata-se de um processo que envolve maturação intelectual e emocional, algo que não pode ser terceirizado a uma ferramenta.
Por essa razão, preparar crianças para o futuro não significa expô-las cada vez mais cedo às telas ou treiná-las para competir com algoritmos. Significa ajudá-las a desenvolver aquilo que os algoritmos não conseguem reproduzir. A criatividade, por exemplo, não surge apenas da produção de ideias. Ela depende de repertório, imaginação, experimentação e contato com situações reais.
Sob a perspectiva do desenvolvimento emocional, existe ainda outro desafio. Crianças que crescem recebendo respostas instantâneas podem ter menos oportunidades de exercitar a espera e a elaboração do pensamento. A educação do futuro tem menos relação com o domínio das tecnologias e mais com a preservação de experiências humanas que favorecem a autonomia. Quanto mais avançados forem esses sistemas, mais necessário será formar pessoas capazes de construir critérios próprios diante de respostas vazias tão acessíveis.
Nenhuma sociedade se sustenta apenas por velocidade ou acesso à informação. Ela depende também da responsabilidade em projetar futuros possíveis. São essas dimensões que conferem sentido ao conhecimento e que tornam a educação ainda mais decisiva em tempos de transformação tecnológica
*Silmara Casadei é doutora em Educação, psicanalista e autora de O Pequeno Mundo Criativo.
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