CPI DA CENTRAL DA REGULAÇÃO
Vereador requer CPI para apurar denúncias e a falta de leitos de UTI em Cuiabá
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Central de Regulação permitirá aos vereadores investigar a aplicação dos protocolos de atendimento nas unidades de saúde e a disponibilidade de leitos de enfermaria e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na capital.
Preocupado com a situação dos pacientes sem acesso a leitos de UTI e de enfermaria, e acompanhando as constantes denúncias que apontam a existências de leitos em hospitais particulares que poderiam ser requisitados pela saúde pública para pacientes da “Covid-19“, o vereador Luís Claudio entrou com requerimento na Câmara de Vereadores de Cuiabá, nesta quinta-feira (9), pedindo a instalação da CPI da Central de Regulação.
O pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquerito foi aprovado com a assinatura de 9 vereadores e deverá entrar em pauta na próxima sessão ordinária da Câmara de Vereadores, marcada para terça-feira (14). A aprovação da CPI permitirá que vereadores passem a ter, durante 120 dias, poder para investigar a aplicação dos protocolos de atendimento nas unidades de saúde, a disponibilidade de leitos de enfermaria e UTI em todo âmbito hospitalar do município de Cuiabá.
A CPI irá apurar também as denúncias afirmando que médicos das Policlínicas, UPAS e Hospitais da capital teriam encaminhado pacientes com testagem positiva do “Coronavírus“ para acompanhamento domiciliar, admitindo a gravidade dos casos somente quando ocorressem sintomas de dificuldade respiratória. Fato que teria provocado a evolução da doença para estados mais graves e óbitos em vários pacientes.
Para o vereador Luís Claudio, a CPI proposta por ele vem atender o momento crítico da “Pandemia” do novo “Coronavírus“ em Cuiabá, com aumento assustador do número de casos confirmados e óbitos provocados pela doença.
O parlamentar destacou que a CPI trará poder de fiscalização para os parlamentares e uma maior transparência em relação a situação da falta de leitos na capital e o atendimento que está sendo dado à população.
Política
O recado das urnas e o declínio de lideranças tradicionais em Mato Grosso
As eleições recentes em Mato Grosso deixaram uma mensagem clara e contundente aos agentes políticos que, ao longo dos últimos anos, exerceram mandatos na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). O resultado das urnas demonstrou que parte significativa do eleitorado decidiu promover mudanças na representação parlamentar, impedindo a reeleição de nomes que, na avaliação popular, não corresponderam adequadamente às expectativas da sociedade. A manifestação democrática revelou um eleitor mais atento, criterioso e disposto a cobrar resultados concretos de seus representantes.
O principal personagem desse cenário foi o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), José Eduardo Botelho, filiado ao MDB. Com 37.359 votos, o parlamentar não conseguiu garantir uma vaga entre os eleitos e terminou na primeira suplência da legenda, que elegeu os deputados Leo Bortolin, Thiago Silva e Doutor João José. O desempenho eleitoral chamou a atenção do meio político estadual por envolver uma liderança que, durante anos, ocupou posições de destaque no Legislativo mato-grossense.
A derrota de Eduardo Botelho ocorre após outro revés eleitoral relevante: sua participação “PÍFIA” na disputa pela Prefeitura de Cuiabá.
Na ocasião, o resultado também foi considerado surpreendente por analistas e integrantes do grupo político liderado pelo então governador Mauro Mendes (UB). O novo insucesso reforçou a percepção de que o ex-presidente da Assembleia Legislativa Mato-grossense ainda enfrentava dificuldades para reconquistar a confiança de uma parcela expressiva do eleitorado da capital e do interior do estado.
A questão central apontada por observadores políticos é por que esse resultado ocorreu. A resposta parece estar diretamente relacionada à mudança de comportamento dos eleitores, que passaram a avaliar com mais rigor a atuação dos agentes públicos. Para muitos cidadãos, não bastam mais estruturas partidárias robustas, campanhas bem financiadas ou históricos de influência política. O eleitor contemporâneo exige proximidade, diálogo permanente e compromisso efetivo com as demandas coletivas.
O desgaste político também pode ser explicado pela percepção de que determinadas lideranças acabaram se distanciando do sentimento popular. Durante sua trajetória, Botelho esteve frequentemente alinhado aos governos estaduais, integrando a base de sustentação das administrações em diferentes períodos. Embora essa postura possa garantir governabilidade, parte do eleitorado passou a interpretar essa proximidade como um afastamento do papel fiscalizador que muitos esperam dos parlamentares.
Quando as urnas apontaram esse resultado, ficou evidente que a confiança popular não é um patrimônio permanente. Na democracia, o voto funciona como instrumento de aprovação ou reprovação da conduta dos representantes públicos. A avaliação do eleitorado frequentemente ultrapassa o discurso político e considera aspectos como coerência, humildade, acessibilidade e capacidade de compreender as necessidades da população.
O fenômeno observado em Mato Grosso não se restringe a um único político. Ao longo da história eleitoral brasileira, diversas lideranças que se consideravam consolidadas foram surpreendidas por derrotas expressivas. Em muitos casos, a excessiva confiança em pesquisas, alianças partidárias ou estruturas de campanha acabou impedindo uma leitura mais precisa do sentimento predominante entre os eleitores.
O contraste entre a percepção construída durante a campanha e o resultado efetivamente registrado nas urnas também merece destaque. Nos 45 dias do primeiro turno das disputas recentes, muitos candidatos demonstraram otimismo diante da receptividade encontrada em ruas, bairros e eventos públicos. Entretanto, a experiência mostra que manifestações presenciais nem sempre refletem, de maneira fiel, a intenção de voto que será confirmada no momento da eleição.

Os acontecimentos recentes indicam ainda uma transformação importante no comportamento político da sociedade mato-grossense. O eleitor demonstra estar cada vez mais independente de lideranças tradicionais e menos disposto a aceitar promessas sem resultados concretos. Esse amadurecimento fortalece o processo democrático e amplia a responsabilidade dos agentes públicos perante aqueles que os elegeram.
Dessa forma, o resultado envolvendo José Eduardo Botelho representa mais do que uma derrota individual. Trata-se de um episódio que simboliza a capacidade do eleitor de reavaliar lideranças, cobrar coerência e redefinir os rumos da representação política.
O recado das urnas foi direto: mandatos e cargos não constituem garantias de permanência no poder.
Em uma democracia consolidada, a legitimidade política deve ser renovada continuamente por meio da confiança popular, construída com trabalho, resultados e respeito ao eleitor.
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