INVESTIMENTO BILIONÁRIO
Inpasa e Amaggi anunciaram a criação de uma “Joint Venture” com investimento de R$ 10 bilhões em usinas de etanol de milho
A Amaggi e a Inpasa anunciaram nesta sexta-feira (29) a criação de uma “Joint Venture” para a construção de ao menos cinco usinas de etanol de milho no Brasil, em um investimento estimado em R$ 7,5 bilhões. A primeira unidade será implantada na cidade de Rondonópolis, com aporte inicial de R$ 2,5 bilhões, e outras duas também deverão ser instaladas no estado.
A Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil. As empresas planejam utilizar recursos próprios, sem recorrer a financiamentos externos. Cada usina terá capacidade para processar cerca de 2 milhões de toneladas de milho anualmente, e deve gerar cerca de 2 mil empregos durante a fase de construção e 300 na operação.
Expansão e Novos Projetos
Além de Rondonópolis, a Inpasa está avaliando a construção de usinas em Campo Novo do Parecis e Querência. A possibilidade de expansão para estados como Tocantins, Goiás e São Paulo também está em discussão. A formalização da “Joint Venture” depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A Inpasa, fundada por José Odvar Lopes, viu seu faturamento saltar de R$ 376 milhões em 2019 para uma previsão de R$ 24 bilhões em 2025. Na safra 2024/2025, o Brasil produziu 10,2 bilhões de litros de etanol de milho, com a Inpasa respondendo por 50% desse total, consolidando sua posição com 10% do mercado nacional de etanol.

O papel estratégico do etanol de milho
O etanol de milho tem ganhado espaço no Brasil como alternativa ao etanol de cana-de-açúcar, especialmente em regiões com grande produção do grão, como Mato Grosso. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a região de Rondonópolis semeou 1,08 milhão de hectares com milho na safra 2024/25, com previsão de colheita de 8,42 milhões de toneladas, 22% acima da temporada anterior. A expectativa do Imea é de que a produção estadual de etanol de milho alcance 5,62 bilhões de litros em 2025/26, podendo superar 13 bilhões de litros até 2033/34, o que representa um crescimento superior a 130% no período.
Sinergia entre as empresas
O projeto combina a expertise da Inpasa na fabricação de biocombustíveis à base de milho e cereais com a força logística e de originação de grãos da Amaggi, criando uma estrutura integrada capaz de agregar valor à produção agrícola e impulsionar a industrialização de commodities no Brasil.
Segundo nota oficial, o acordo representa um avanço nos planos de expansão de ambas as companhias, reforçando a aposta no setor de energia renovável e contribuindo para a diversificação da matriz energética brasileira.

Ainda segundo nota conjunta, a parceria unirá a atuação da Amaggi nas áreas de originação de grãos e logística à expertise da Inpasa, maior produtora nacional de biocombustível à base de milho e outros cereais.
“O investimento representará mais um avanço no plano de expansão das companhias, com foco na industrialização de commodities e geração de maior valor agregado à cadeia produtiva”, afirmaram as empresas.
A “Joint Venture” entre Amaggi e Inpasa está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A formalização ocorrerá após a conclusão das análises regulatórias. Cada usina deverá ter capacidade inicial de processar aproximadamente 2 milhões de toneladas de milho por ano. O projeto de Rondonópolis foi confirmado após reunião entre o Prefeito Cláudio Ferreira, representantes da gestão municipal e executivos da Amaggi, incluindo os sócios Blairo Maggi e Itamar Locks.
Segundo o prefeito, o empreendimento deverá gerar cerca de 2 mil empregos durante a construção e 300 na fase de operação.
O empresário Blairo Maggi destacou a importância do investimento na cidade.
“A nossa empresa e família tem uma história em Rondonópolis, por isso estamos felizes em poder investir nessa cidade. Além dos empregos diretos, a instalação dessa planta vai impactar positivamente a pecuária intensiva e o comércio local”, afirmou em nota.
ECONOMIA
Decretado falência definitiva do Grupo Oi pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
A Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da operadora Oi, após a administração judicial da companhia reportar ao magistrado a absoluta incapacidade financeira para manter as atividades essenciais do grupo. A decisão judicial derrubou os recursos interpostos pelas instituições bancárias credoras que buscavam a manutenção do processo de recuperação judicial e a consequente renegociação do passivo acumulado.
Diante da comprovação inequívoca do esgotamento total das reservas de caixa previsto para o término de agosto de 2026, a Corte Fluminense determinou a conversão imediata do procedimento recuperacional em falência, visando interromper o sangramento patrimonial da corporação.
O colapso financeiro da gigante de telecomunicações reflete-se com severidade nos balanços contábeis mais recentes apresentados ao Poder Judiciário. Com base em dados consolidados de março de 2026, o patrimônio líquido negativo da corporação ultrapassa a marca expressiva de R$ 22,6 bilhões, demonstrando a profunda assimetria entre os ativos disponíveis e o montante global de dívidas acumuladas.
As projeções de caixa, que indicavam uma disponibilidade de R$ 88,1 milhões no final de julho de 2026, sofreram uma corrosão acelerada desde abril do mesmo ano, quando os valores mantidos em conta corrente haviam despencado para escassos R$ 19,6 milhões.
A atual deliberação colegiada põe fim ao impasse jurídico iniciado em novembro do ano passado, ocasião em que a falência da operadora sediada no Rio de Janeiro fora decretada preliminarmente pelo juízo de primeiro grau. Naquela oportunidade, contudo, os maiores bancos credores do grupo notadamente o Itaú Unibanco e o Bradesco, obtiveram um efeito suspensivo mediante concessão de liminar, o que permitiu o retorno temporário da empresa à recuperação judicial.
Os estabelecimentos bancários alegavam que a liquidação judicial não representaria o meio mais eficaz para satisfazer as obrigações creditícias e defenderam a nomeação de um novo gestor para intermediar os acordos com os órgãos reguladores.
Como ato contínuo à decretação da falência, o Tribunal de Justiça nomeou o especialista Bruno Rezende para exercer as funções de administrador judicial no processo. Caberá ao profissional designado a responsabilidade legal de auxiliar o juízo nas diligências necessárias para arrecadar, avaliar e lacrar o patrimônio remanescente da companhia, além de elaborar a lista definitiva de credores.

O administrador atuará diretamente na liquidação ordenada dos bens arrecadados para o pagamento dos passivos e promoverá a extinção formal das atividades empresariais das sociedades integrantes do grupo, estrita e rigorosamente dentro das exigências da lei vigente.
A tentativa derradeira de reestruturação empresarial buscava repactuar uma dívida consolidada da ordem de R$ 44 bilhões, cuja execução dependia da entrada de novos aportes operacionais. O plano aprovado na assembleia geral previa a captação de um financiamento internacional no valor de até US$ 655 milhões, dos quais US$ 505 milhões seriam injetados diretamente pelos credores financeiros.
Complementarmente, a empresa de infraestrutura V.tal, sob controle do BTG Pactual, aportaria entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões no capital do grupo, plano este que restou inviabilizado diante do agravamento vertiginoso da insolvência operacional.
Antes do desfecho judicial, a severa escassez de recursos financeiros provocou o desabastecimento de serviços básicos e o descumprimento sistemático de obrigações contratuais com prestadores de serviços. No mês de julho de 2026, a fornecedora Sitelbra interrompeu a conectividade de redes estratégicas, tais como o sistema de lotéricas da Caixa Econômica Federal, o videomonitoramento estadual na Bahia e em Goiás e os canais de atendimento da concessionária Enel no Ceará.
Empresas como Nava Software, Nava Serviços e Hughes também paralisaram as suas atividades operacionais, exigindo a intervenção expressa do Judiciário para impor a restauração das linhas e fixar multa diária pelo descumprimento.
Para minorar o impacto da paralisação de serviços essenciais à população brasileira, a Justiça autorizou a alienação em leilão de ativos estruturais da operadora para outras empresas do setor. Em abril de 2026, a divisão de telefonia fixa residencial foi arrematada pela Método Telecomunicações, transação que incluiu a responsabilidade pela manutenção e operação das linhas destinadas aos atendimentos de emergência nacional, como os canais 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros). O processo de transição visa garantir a integridade das comunicações públicas sem que haja a descontinuidade do suporte de emergência aos cidadãos.

Contudo, entraves operacionais e a ausência de interessados impediram a conclusão do plano de desinvestimento de outras unidades de negócios cruciais do grupo falido. O leilão da Oi Soluções, segmento focado na prestação de serviços de tecnologia a corporações privadas e órgãos públicos com lance mínimo de R$ 1,4 bilhão, encerrou-se em 17 de junho de 2026 sem a apresentação de nenhuma proposta formal.
Ademais, a alienação da fatia de 27,2% detida pela Oi na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões e destinada a fundos geridos pelo BTG Pactual, encontra-se judicialmente suspensa devido a recursos apresentados por credores e investidores minoritários.
Mesmo nos processos em que a liquidação dos bens obteve aprovação das instâncias competentes, o fluxo de caixa da tele permaneceu desprovido das receitas estimadas para honrar seus compromissos imediatos. A companhia ainda não recebeu o montante de R$ 60,1 milhões decorrente da alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos à Método Telecomunicações, leiloada em abril de 2026. A transferência efetiva desses recursos e a conclusão definitiva do contrato dependem do preenchimento rigoroso de certas condições regulatórias e homologatórias impostas pela Agência Nacional de Telecomunicações e por instâncias concorrenciais.
O desfecho dramático encerra uma longa jornada de crises e reestruturações que se arrastava há uma década nos tribunais brasileiros. Em junho de 2016, a Oi ingressara em seu primeiro processo de recuperação judicial para renegociar R$ 65 bilhões em obrigações, procedimento que perdurou por seis anos até o seu encerramento em dezembro de 2022.
Apenas três meses após aquela homologação, em março de 2023, a empresa formalizou o segundo pedido de recuperação reportando novos R$ 43,7 bilhões em dívidas, culminando no atual decreto de falência após restar comprovada a impossibilidade prática de preservação da continuidade empresarial.
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