AGENDA DE PRIORIDADES PARA O ESTADO
Deputados de Mato Grosso formalizam apoio “Suprapartidário” a Flávio Bolsonaro
O cenário político de Mato Grosso ganhou novos contornos com a consolidação de uma articulação “Suprapartidária” liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), deputado estadual Max Russi (Podemos), que reuniu apoio de 18 deputados estaduais à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. A iniciativa foi formalizada por meio da denominada “Carta da Iniciativa Suprapartidária dos Parlamentares Estaduais de Mato Grosso”, apresentada durante agenda política realizada na capital mato-grossense.
A mobilização ocorreu em um momento estratégico do calendário eleitoral, marcado pela reorganização das alianças políticas após o primeiro turno da disputa presidencial. O documento foi entregue diretamente ao candidato do Partido Liberal (PL), ampliando a interlocução entre representantes do Legislativo estadual e a campanha presidencial, em uma demonstração de alinhamento político em torno de pautas consideradas prioritárias para o desenvolvimento do Estado.
O movimento foi conduzido por Max Russi, principal liderança do Podemos em Mato Grosso, em conjunto com a presidente nacional da legenda, Renata Abreu, que participaram da entrega oficial da “Carta da Iniciativa Suprapartidária“. A iniciativa contou ainda com a adesão de deputados filiados a diferentes partidos, reforçando o caráter suprapartidário da manifestação e evidenciando a construção de uma frente parlamentar em torno de objetivos comuns.
Segundo os organizadores, a carta recebeu a assinatura de 18 dos 24 integrantes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Embora nem todos os parlamentares signatários tenham participado presencialmente do ato em Cuiabá, o documento formalizou o compromisso político do grupo com a candidatura de Flávio Bolsonaro, sem representar, contudo, uma posição institucional da Assembleia Legislativa.

O principal objetivo da iniciativa vai além da simples manifestação de apoio eleitoral. Os parlamentares aproveitaram o documento para encaminhar ao candidato presidencial uma série de reivindicações consideradas fundamentais para Mato Grosso. Entre elas estão a defesa da liberdade econômica, a redução da burocracia, a responsabilidade fiscal, a ampliação da segurança jurídica e o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional.
Na área econômica, os deputados defendem medidas destinadas a estimular o empreendedorismo, reduzir custos para o setor produtivo e promover um ambiente mais favorável aos investimentos. O grupo também destaca a necessidade de políticas voltadas à responsabilidade fiscal, ao equilíbrio das contas públicas e à adoção de mecanismos que contribuam para a redução dos juros e para o fortalecimento da atividade econômica.
Para o setor agropecuário, uma das principais bases da economia mato-grossense, o documento ressalta a importância da segurança jurídica no campo e a necessidade de acelerar os processos de regularização fundiária, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Os parlamentares entendem que essas medidas são essenciais para ampliar a produção, incentivar investimentos e garantir maior estabilidade aos proprietários de terras.
A articulação teve origem em um diálogo entre Max Russi e o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). De acordo com os idealizadores, a proposta surgiu da necessidade de unir parlamentares de diferentes legendas em torno de uma atuação coordenada durante o segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa rapidamente conquistou adesões e consolidou uma frente de apoio composta por representantes de diversas correntes políticas.

Além da assinatura do documento, os parlamentares afirmaram que pretendem participar ativamente da campanha em suas respectivas bases eleitorais. A estratégia inclui a utilização de redes sociais, reuniões comunitárias e mobilizações municipais para ampliar a divulgação das propostas defendidas pelo grupo e fortalecer o engajamento dos eleitores durante o período eleitoral.
O segundo turno presidencial está marcado para o dia 25 de outubro e colocará frente a frente Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até a data da votação, lideranças políticas, governadores, parlamentares e dirigentes partidários deverão intensificar as articulações em todo o país.
Em Mato Grosso, a carta liderada por Max Russi consolida o apoio de 18 deputados estaduais ao candidato liberal e, simultaneamente, insere no debate nacional temas considerados estratégicos para o futuro econômico, fundiário e de segurança pública do Estado.
Política
Derrota de aliados de Blairo Maggi nas urnas expõe reveses políticos em Mato Grosso
A influência política do ex-governador do Estado de Mato Grosso, empresário do Agronegócio e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)no governo Lula, Blairo Borges Maggi, enfrentou um revés significativo nas eleições de 2026. Reconhecido nacionalmente por sua trajetória empresarial no setor Agropecuário e frequentemente associado ao título de “Rei da Soja”, Maggi declarou apoio a três candidatos considerados estratégicos para a manutenção de seu grupo político no Estado.
O principal personagem desta movimentação política foi o próprio Blairo Maggi, que apostou publicamente nas candidaturas de Carlos Fávaro ao Senado Federal, Paulo Araújo para uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e Neri Geller para a Câmara dos Deputados. Os três nomes eram vistos como representantes de um campo político com forte interlocução junto ao Agronegócio mato-grossense.
A disputa ocorreu em Mato Grosso, Estado que ocupa posição de destaque na economia nacional em razão de sua expressiva produção agrícola. Tradicionalmente vinculado aos grandes debates do Agronegócio brasileiro, o território tornou-se palco de uma eleição que colocou em teste a capacidade de mobilização de importantes lideranças políticas e empresariais.
O objetivo das candidaturas apoiadas por Maggi era ampliar ou preservar a representação política de seu grupo nos principais espaços de decisão do país. A estratégia buscava fortalecer a interlocução do setor produtivo rural tanto no Congresso Nacional quanto no Parlamento Estadual.

Entretanto, o resultado das urnas não correspondeu às expectativas dos aliados do ex-governador. Conforme a apuração eleitoral, nenhum dos três candidatos apoiados por Maggi conseguiu alcançar o desempenho necessário para consolidar o projeto político defendido durante a campanha.
O caso que mais chamou atenção foi o de Carlos Fávaro. Ocupando mandato no Senado Federal, o parlamentar disputou a reeleição, mas acabou derrotado no processo eleitoral. Com isso, deixará a Casa Legislativa ao término de seu mandato, encerrando um ciclo de representação política em Brasília.
Outro resultado relevante envolveu Neri Geller, reconhecido nacionalmente por sua atuação em pautas ligadas ao Agronegócio. Apesar da experiência acumulada e da visibilidade conquistada ao longo de sua trajetória política, o candidato não obteve votação suficiente para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.

No âmbito estadual, Paulo Araújo também não alcançou o resultado esperado na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa Mato-grossense. Sua derrota completou a sequência de insucessos dos candidatos que receberam o respaldo político de Maggi durante o pleito.
As derrotas registradas possuem relevância porque envolvem figuras historicamente associadas a um dos grupos mais influentes da política e da economia mato-grossense. O resultado evidencia mudanças no comportamento do eleitorado e sugere um cenário de reorganização das forças políticas no Estado.
Dessa forma, as eleições de 2026 produzem um fato político de grande repercussão regional: a rejeição, nas urnas, das três principais apostas eleitorais de Blairo Maggi.
O episódio representa um sinal de alerta para lideranças tradicionais ligadas ao Agronegócio e poderá influenciar diretamente as articulações partidárias e estratégicas que antecederão os próximos ciclos eleitorais em Mato Grosso.
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