NÓ POLÍTICO
Uma “pedra” no sapato do governador Mauro Mendes
Enquanto Simone Tebet (MDB) do Estado vizinho, Mato Grosso do Sul (MS), visita o Estado de Mato Grosso, João Doria (PSDB) desiste da candidatura, a sigla União Brasil (UB), prepara o lançamento oficial do nome deputado federal Luciano Bivar, no dia 31 de maio, em evento no Centro de Convenções em Brasília.
Tebet, Doria e Bivar somam 4% faz intenções de votos, de acordo com as pesquisas. Até o início de maio, eles estavam juntos no mesmo grupo partidário que se declarava como terceira via.
O União Brasil, no entanto, optou por lançar uma chapa puro sangue. Com isso o ex-aliado de Bolsonaro (Bivar) tenta ocupar espaço de candidato de direita, conservador, com agenda econômica definida, e trazendo problemas para os governadores que tentam a reeleição.
A “pedra” no sapato de Mauro Mendes
Dizer que algo é uma pedra no sapato é o mesmo que dizer que é um problema, um incomodo.
A expressão se baseia no fato de que mesmo em uma caminhada curta, estar com uma pedra no sapato é uma tarefa ruim e incômoda. Por isso, as dificuldades que terceiros ou a própria vida lhe impõem podem ser chamadas de “uma pedra no seu sapato”.
Recentemente o ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta (UB) visitou o Palácio Paiaguas e disse que a eventual candidatura do presidente da sigla União Brasil Luciano Bivar, a presidência não atrapalha o projeto, nem o palanque do governador Mauro Mendes (UB).
Mandetta afirmou não crer em cobrança ou pressão do partido em cima de Mendes em caso de apoio a reeleição de Bolsonaro.
Entretanto, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) deputado estadual do União Brasil (UB), José Eduardo Botelho, disse que apesar da aproximação entre Mauro e Bolsonaro, será preciso aguardar a decisão da sigla nacionalmente.
“Nós temos que cumprir (apoio) aqui dentro do estado. Nós não temos como apoiar outro candidato a não ser o candidato do partido“, pontuou Edu Botelho.
A declaração de José Botelho vai na contramão de Mandetta e Fábio Garcia (senador em exercício), que garantem que o partido estaria liberado em Mato Grosso para apoiar a candidatura do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, que é do Partido Liberal (PL), mesmo, se tiver uma candidatura própria a presidência.
Edu Botelho também defendeu cautela na construção da chapa do governador.
“O apoio a Bolsonaro não significa aliança com o PL. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O governador e o partido não definiram nada ainda“, disse Edu Botelho.
Por enquanto o palanque de Mauro Mendes, deverá se ocupar de nomes alinhados ao projeto bolsonarista. Mauro e Bolsonaro se aproximam. O cenário está praticamente fechamento.
E como ficará o cenário?
Para contentar a maioria e não deixar o partido em convulsão nacional, tudo se encaminha para o libere geral, e compõe depois.
A sigla União Brasil tem vários deputados que não foram com Bolsonaro, por conta dos respectivos eleitorados, mas votam com Bolsonaro, e desejam usufruir do gozo do poder. Nó o partido União Brasil também tem. Melhor então é fingir que o candidato é Bivar, que não é conhecido em Cuiabá, em Várzea Grande, nem em Rondonópolis, que está lá para valorizar o passe, e está escorregando para a liberação geral.
É Mato Grosso descendo a ladeira, é o que temos. Mauro sabe disso, Jayme, Júlio, Edu Botelho, Dilmar Dal’Bosco, também sabem.
Segundo as bocas malditas do boteco da Alameda, afirmaram que a sigla UB não está unida em torno da candidatura de Bivar. Bivar tem prestígio dentro do partido, mas não tem expressão eleitoral suficiente para, sozinho, disputar a presidência.
Então como ficamos, neste balaio?
Ficamos assim: Wellton Fagundes do Partido Liberal (PL), ganhou fôlego, a médica Natasha Slhessarenko apressando os passos, Mauro Mendes tenta manter boa relação com Bolsonaro, Bivar tentando colocar uma “pedra no caminho” de Mauro Mendes.
E para encerrar vamos de Neri Geller, o novo xodó de Blairo Maggi, que disse: só não estarei com o Mendes se o governador “empurrar o PP para fora da chapa“.
Novos rumos do pleito eleitoral chegando, aguardem!
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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Dizer que algo é uma pedra no sapato é o mesmo que dizer que é um problema, um incomodo.
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