PROJETO DE LEI DE POUCA OU NENHUMA RELEVÂNCIA
“Temos que acabar com “Leis Inúteis” que atrapalham e perderam o sentido”
O Brasil é um país com uma legislação complexa e que, muitas vezes, levanta questionamentos dos cidadãos. Mas algumas Leis estranhas foram criadas ao longo da história do país e muita gente nem sabe que elas já existiram. E todos os dias criam-se novas Leis no Brasil.
Algumas são tão antigas que não foram revogadas e perderam o sentido. Outras, nunca tiveram sentido, mas se transformaram em Leis e, portanto, devem ser cumpridas.
Pela quantidade de Leis que existem no mundo (só o Brasil tem ao menos 200 mil normas legais), não é difícil imaginar que muitas delas sejam desnecessárias ou totalmente absurdas.
“Lei no Brasil é igual vacina: umas pegam, outras não”.
Não sei quem foi o primeiro a falar isso, mas é um dito que se repete, com muita razão. Muitas leis “não pegam”. São aprovadas, mas nunca obedecidas.
E não são só leis. Portarias, decisões judiciais, um monte de coisas “não funcionam” na prática.

8 leis estranhas que já existiram no Brasil
Confira a seguir:
1. Proibição da venda métodos contraceptivos
Em 1997, na pequena cidade de Bocaiúva do Sul, no Paraná, o prefeito da época, Élcio Berti, lançou o decreto 82/97, que proibia a venda de camisinhas e anticoncepcionais. A justificativa para essa proibição inusitada foi o baixo índice de natalidade na cidade, que contava com apenas nove mil habitantes na época. No entanto, a lei durou apenas 24 horas e foi revogada.
2. Comer melancia
E você sabia que já foi proibido comer melancia? A proibição ocorreu em Rio Claro, interior de São Paulo, em 1984. O motivo? Suspeitavam que a fruta podia transmitir doenças como Tifo e Febre Amarela.
3. Usar minissaia
Também já foi proibido usar minissaia no interior de São Paulo, mais especificamente em Aparecida. A Lei foi criada em 2007 pelo prefeito José Luiz Rodrigues, mas não foi bem aceita e as mulheres começaram a usar ainda mais a peça de roupa.
4. Colocar nomes de pessoas em animais de estimação
No Rio Grande do Sul, o deputado Pastor Reinaldo propôs um Projeto de Lei, em 2004, que proibia que as pessoas colocassem nomes de pessoas em seus animais de estimação. Segundo ele, o motivo era para evitar o constrangimento de quem tivesse o mesmo nome que um animal.
5. Fazer hipnose
O presidente Jânio Quadros assinou o Decreto nº 51.009, em 1961, proibindo que as pessoas praticassem hipnose em todo o Brasil.
6. Cometer desvios da norma culta da língua portuguesa
Em Pouso Alegre, Minas Gerais, o prefeito Jair Siqueira editou a Lei 3.306/97, que proibia erros ortográficos em faixas, outdoors, cartazes, panfletos e outros meios de comunicação escrita. Assim, toda publicidade deveria seguir a ortografia, regência e concordância oficiais da língua portuguesa. Quem cometesse desvios gramaticais e não os corrigisse após notificação da prefeitura era multado, com valores estipulados em R$ 500 para outdoors e R$ 100 para outros meios.
7. Ter formigueiros na residência
Mais uma lei inusitada em Rio Claro, foi a proibição de que as pessoas tivessem formigueiros em casa. A Lei foi criada em 1965 e, se a polícia descobrisse o não cumprimento dessa lei, era necessário pagar uma multa de 2,5% sobre o valor de um salário mínimo da época.

8. Criação de um “discoporto”
Em setembro de 1995, na cidade de Barra do Garças, no Mato Grosso, o então prefeito Wilmar Peres de Farias sancionou a Lei 1.840/95, que reservava uma área de cinco hectares para a criação de um “discoporto”. Essa área seria destinada a pousos de objetos voadores não identificados (OVNIs) e discos voadores. Embora tenha sido um projeto ousado e curioso, ele nunca saiu do papel, deixando-nos apenas com a imaginação sobre como seria esse discoporto interespacial.
O que tem em comum o dia do Grão-Ducado de Luxemburgo, reconhecimento da forma de fazer empadinha como algo de relevante interesse cultural e a obrigação da existência de obras de arte em prédios com mais de 2 mil m²?
Todos eles são Leis, ou Projetos de Lei, em tramitação nas sedes do Legislativo espalhadas pelo Brasil. De pouca, ou nenhuma relevância, estas propostas abarrotam a pauta de votações nas comissões temáticas e atrapalham o debate de assuntos que realmente importam para a população.
Projetos de Lei de pouca, ou nenhuma relevância
Pensando em reduzir este tipo de situação, o deputado estadual Diego Guimarães apresentou um Projeto de Lei Complementar (74/2023) que cria regras para a imposição de obrigações onerosas à população.
Conforme o parlamentar estadual, o Projeto de Lei Complementar das Leis Inúteis visa justamente impedir que o Poder Legislativo imponha obrigações à população, neste caso ao comércio, que possuem pouca ou nenhuma efetividade.
“Pela nossa proposta, é preciso que haja um debate e a realização de estudos específicos antes que um projeto deste tipo comece a tramitar nas comissões e, na fase final, no plenário”.
Ao impor obrigações sem efetividade, o Poder Público acaba penalizando, em último caso, a população que compra bens e produtos do setor comercial.
Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontam que a vida de uma empresa brasileira é regida por mais de 300 normas, entre leis, decretos e portarias. Isso significa 55.767 artigos e 33.374 parágrafos de obrigações, burocracia e exigências.
“Vivemos um círculo vicioso de imposições que, no fim das contas, fazem com que as empresas menores acabem caindo na informalidade, porque ficam sufocadas com estas Leis Inúteis”, ressalta Guimarães.
Guimarães pondera que a imposição legislativa estadual de obrigações sem nenhuma comprovação de eficácia e quando elaboradas para atendimento de pontuais e individuais demandas fere a livre iniciativa.
“E isso acaba afetando negativamente a geração de emprego e renda, já que constrói um cenário regulatório estadual desfavorável, sobretudo em termos de insegurança jurídica, frente aos demais Estados da Federação”.
Na avaliação do deputado, a aprovação do Projeto de Lei Complementar das Leis Inúteis vai ajudar o Poder Legislativo a se concentrar em temas mais importantes, que impactam diretamente na vida da população mato-grossense.
“Precisamos acabar com este excesso de leis que só atrapalham o crescimento de Mato Grosso uma vez que impedem a criação de novas empresas e tiram da formalidade diversos comércios que hoje ajudam a fazer do nosso estado um lugar de oportunidades”.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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