LEGISLANDO EM CAUSA PRÓPRIA
“Subprocurador-geral agiu politicamente e defender empresas investigadas na Operação Lava Jato”
O deputado federal José Medeiros (PL/MT) denunciou o subprocurador-geral do Ministério Público, Lucas Furtado, junto ao Ministério Público do Tribunal de Contas da União (MPTCU), ao procurador-geral da República, Antônio Augusto Brandão Aras, por politização e advocacia privada em favor de determinado grupo político e empresas investigadas na Operação Lava Jato.
A denúncia foi protocolada nesta quarta-feira (20), pelo parlamentar federal, também foi enviada à procuradora-geral do Ministério Público do Tribunal de Contas da União (MPTCU), Cristina Machado.
José Medeiros em seu documento enviado ao procurador-geral, cita que Lucas Furtado, sob pretexto de reparar um erro histórico, vem advogar por empresas atuando como seu procurador em defesa de seus direitos e querendo imputar ao Estado os danos causados por corrupção dos particulares e agentes públicos, invertendo o papel do Ministério Público que é de defensor da sociedade.
O deputado federal ainda anexou em sua denúncia declarações públicas, por meio de matérias jornalísticas, do subprocurador-geral afirmando que entrou com uma representação pedindo a reabilitação de empresas da construção civil, suspeitas de participação em casos de corrupção, para participar de licitações públicas.

Além disso, o subprocurador-geral defende que sejam calculados os danos causados ao erário pela Operação Lava Jato e a cobrança dos agentes responsáveis pelo débito acarretado à União.
“Não é porque uma operação contra a corrupção teve provas ou decisões anuladas que o denunciado pode agir contra a sociedade e contra o erário público, buscando decisões a favor de empresas envolvidas com corrupção. Entendimentos judiciais podem ser contraditórios e anulações processuais muitas vezes independem da verdade dos fatos, pois a corrupção houve, o crime foi perpetrado, porém por alguma mácula no procedimento (na forma e não no objeto) algum julgador pode anulá-lo, ainda podendo ter seu entendimento ultrapassado por um colegiado“, afirmou Medeiros na denúncia encaminhada à PGR e ao MP.
Medeiros classificou a representação de Lucas Furtado a favor das empresas de precipitada e açodada e reforçou as críticas com relação à atuação contrária do subprocurador ao que determina a lei e a constituição, demonstrando mais uma vez seu desígnio, de sorte que reclama punição adequada.
“Uma vez que tal MP de Contas junto ao TCU não se submete ao controle do CNMP, porém está baixo competência do MPF para análise de sua conduta em face de fatos potencialmente lesivos à União, encaminhamos à esta douta PGR que tem a competência de investigação de autoridades cujo julgamento seja por tribunais superiores“, completou o deputado federal.
Em sua denúncia, Medeiros lembra que em 2020 entrou com uma representação contra Furtado, através do ofício 219/2020, também por sua atuação política e por ter chamando o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro de genocida.
Na época, foi levantado que o Ministério Público junto ao TCU, durante os anos de 2016, 2017 e 2018, apresentou no total 64 representações contra autoridades, enquanto em um ano e meio da gestão Bolsonaro, somente o subprocurador Lucas Furtado apresentou 187 representações.
“Em 2020, quando chamou o governo brasileiro de genocida, o subprocurador deixou claro o seu desgosto pessoal com um presidente democraticamente eleito, desrespeitando as pessoas que o elegeram e fez uma grave afirmação contra o Poder Executivo, com riscos de ferir a ordem democrática do nosso país. Ressalta-se que tudo isso foi feito de forma institucionalizada, valendo-se de seu cargo público para expressar opiniões individuais. Em uma democracia todos podem e devem expressar suas opiniões, mas isso deve ser feito de forma transparente e sem se valer de cargo público e dinheiro público para perseguir aqueles de quem discordamos“, frisou o deputado mato-grossense.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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