Política
SRTE/MT abre a Semana Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE) realiza nesta segunda-feira (29), às 8h30, na sede da entidade, no Porto, em Cuiabá, a solenidade de abertura da “Semana Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo“, que prossegue no Estado até o dia 2 de fevereiro. Várias ações serão desenvolvidas durante a semana para lembrar que Mato Grosso é destaque Nacional quando o assunto é trabalho degradante.
O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo é celebrado no dia 28 de janeiro, data criada em 2009 em homenagem aos auditores-fiscais do Trabalho, Erastóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira. Eles foram assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas na zona rural de Unaí (MG).
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho escravo apresenta características bem delimitadas. Além das condições precárias, como falta de alojamento, água potável e sanitária, por exemplo, também existe cerceamento do direito de ir e vir pela coação de homens armados. Os trabalhadores são forçados a assumir dívidas crescentes e intermináveis, com alimentação e despesas com ferramentas usadas no serviço.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo foi aprovada por unanimidade pelo plenário do Senado. A proposta foi apresentada pelo então senador na época Ademir Andrade (PSB/PA) em 1999. De acordo com o texto, “as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração do trabalho escravo serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”.
Desde o início dos anos 1970, a Igreja, com Dom Pedro Casaldáliga, e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem denunciado a utilização do trabalho escravo na abertura das novas fronteiras agrícolas do país.
Na abertura da “Semana Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo” que acontece no Estado de Mato Grosso, o superintendente Amarildo Borges de Oliveira apresentará estatísticas sobre operações fiscais, número de resgates, municípios, atividade econômica que utiliza mão de obra de trabalhadores encontrados em situação análoga à de escravo, as dificuldades para a realização da fiscalização e fará um panorama da situação no Estado.
O objetivo é sensibilizar a população acerca do tema, incentivando denúncias junto às autoridades para a erradicação do trabalho escravo. As atividades programadas incluem a distribuição de material sobre o tema e participação em várias ações, painéis e manifestações nas redes sociais.
Definição de trabalho escravo
O Código Penal brasileiro considera trabalho análogo ao escravo aquele que submete a pessoa a atividades forçadas ou jornada exaustiva, sujeitando-a a condições degradantes, com restrição de locomoção por razões físicas ou por dívida, mantendo vigilância ostensiva no local de trabalho ou tendo documentos ou objetos pessoais apropriados pelo empregador, com o objetivo de reter a pessoa em situação de exploração.
O Código Penal define uma pena de reclusão de dois a oito anos e multa para quem “reduz alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou à jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.
Sobre a Lista do Trabalho Escravo do Brasil
Criada em 2003, a “Lista Suja do Trabalho Escravo” era mantida a sete chaves dentro do Ministério do Trabalho. O ministro Alberto Bresciani do Tribunal Superior do Trabalho (TST) derrubou a liminar do Ministro Ives Gandra, que possibilitava ao governo a não divulgação dos nomes das empresas e empresários que mantinham escravos trabalhando em pleno Século XXI.
O Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA) realizou uma pequena síntese do conteúdo para mostrar a realidade.
Como podemos perceber, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraná lideram a lista dos Estados da Federação com maior número de escravos. Dos 26 estados e o Distrito federal, apenas 7 unidades federativas não são citadas na lista, Alagoas, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe.
Isto nos leva a um primeiro ponto: O trabalho escravo é algo generalizado no Brasil, estando presente em 74,07% do território nacional.
O Brasil melhorou sua posição no ranking de trabalho escravo global, mas ainda tem 155,3 mil pessoas submetidas a condições consideradas degradantes de trabalho. No mundo, a escravidão cresceu 20,13% e atinge 35,8 milhões de pessoas em 167 países.
Outro elemento que chama a atenção é o caráter rural do trabalho escravo: todos os estados citados, com exceção de São Paulo, os locais de trabalho escravo são em fazendas, madeireiras e estâncias de pecuárias localizadas em regiões não urbanas. Em São Paulo, destaca-se particularmente um caráter urbano, referindo-se diretamente a produção têxtil.
O município de Confresa, cidade do interior do Estado de Mato Grosso que lidera o ranking nacional de trabalho escravo: lá foram encontrados 1.348 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2017. Os dados são do Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil, ferramenta online lançada pelo MPT e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para apoiar ações e políticas públicas relacionadas ao tema.
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE), está localizada na Rua São Joaquim, 345. O telefone da instituição é o 3616 4800.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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