Política
“Sete deputados receberam quase R$ 600 mil”, diz Ministério Publico Estadual
“Estamos vivendo um momento de muita busca, de muitas dúvidas, então isso é natural. Se tem dúvidas, que busquem. Inclusive vai aqui um compromisso meu com o Ministério Público de que não precisa mandado, hora que eles quiserem, a casa está livre. Não posso me responsabilizar pelos gabinetes, mas o administrativo desta casa está aberto para qualquer um. Tudo que fazemos aqui está no Fiplan, é transparência total”
Foi a declaração do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), Jose Eduardo Botelho (DEM), logo após a deflagração da “Operação Déjà vu“, do pedido de busca e apreensão feito por promotores do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal) e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) ao desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT).
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Eduardo Botelho, afirmou que não a Casa de Leis não possui nada a esconder. A “Operação” tem por finalidade a obtenção de provas para subsidiar investigações em curso e apuração dos crimes de associação criminosa, supressão de documentos e peculato, com envolvimento de servidores públicos, empresários e parlamentares estaduais.
O parlamentar estadual e presidente da Casa de Leis, José Eduardo Botelho, disse que considera “normal” a “Operação” do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado. Botelho disse ainda que foi desnecessário o mandado judicial para garantir acesso aos documentos, que deverão servir de prova contra suposto caso de corrupção no local.
“O interesse da Assembleia é o mesmo do Ministério Público Estadual, que é resguardar o patrimônio público. Pode vir aqui a qualquer momento. Não há constrangimento, porque não estamos e não vamos esconder nada da Justiça“.
O Ministério Publico
Para o Ministério Publico Estadual, a versão já é diferente do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, Eduardo Botelho, conforme foi dito pelo MPE, alguns deputados estaduais e seus assessores tentaram “de todas as formas” criar uma confusão a respeito da localização dos documentos relacionados ao pagamento das verbas indenizatórias, nos quais teriam sido utilizadas as “notas frias“.
Ainda conforme o Ministério Publico, antes das buscas nas salas do Legislativo, os investigadores tentaram obter os documentos por meio dos próprios assessores dos deputados investigados, o que chegou a ser bastante difícil conseguir informações e as documentações que eram pedidas.
Os assessores
No documento apresentado perlo Ministério Publico, esclarecendo os fatos dentro do Legislativo, diz que o ex-chefe de gabinete do deputado Ondanir Bortolini, o “Nininho” do PSD, Tschales Franciel Tschá, declarou ao Gaeco que teriam sido adquiridos materiais de expediente de empresas representadas por Vinícius Prado Silveira, dono de uma das empresas e que confessou, ao Ministério Publico Estadual, a entrega das notas frias. Tschales Franciel Tschá também é investigado em outras operações como “Operação Convescote”.
Já a chefe de gabinete do ex-deputado Emanuel Pinheiro, Ivone de Souza, apesar de afirmar nunca ter utilizado notas fiscais das empresas investigadas, disse que o memorando com a prestação de contas era protocolada na Secretaria de Finanças, acompanhada das notas fiscais.
“Que depois de conferidas eram devolvidas ao gabinete do deputado estadual. Porém asseverou que o ex-deputado Emanuel Pinheiro, ao deixar a Assembleia para assumir a Prefeitura de Cuiabá, não tirou cópia desses documentos e não sabe o que fizeram com os mesmos“, diz o MPE.
Já a chefe de gabinete do deputado José Antonio Gonçalves Viana, o “Zeca Viana“, Renata do Carmo Viana declarou que o pedido de ressarcimento do parlamentar era protocolado, acompanhado das notas fiscais, na Secretaria Geral. Porém, afirmou que não ficava com uma via protocolada dos pedidos de ressarcimento e tampouco com as notas. Que, segundo ela, não eram devolvidas e ficavam na Secretaria Geral.
Contra as declarações da servidora de Zeca Viana, os servidores Nelson Divino da Silva e Rosivani Mônaco de Jesus afirmaram que os parlamentares apresentavam mensalmente um memorando contendo uma relação dos gastos efetivados e os números das respectivas notas fiscais. E que uma via do memorando ficava em poder do deputado estadual com o devido registro de protocolo.
“Vê-se, pois, que embora a chefe de gabinete do deputado Zeca Viana tenha declarado que não ficava com as notas fiscais e tampouco com uma via protocolada do memorando (o que é totalmente incomum na práxis do serviço público), os servidores da Assembleia que atuam na Secretaria de Finanças são firmes em declarar que os deputados ficavam com uma via do memorando e com as notas fiscais correlatas“, afirmou o MPE.
Segundo ainda o Ministério Publico, com o desenrolar da investigação as contradições aumentaram e os indícios do crime de supressão de documentos foram “robustecidos“.
“É fato que em resposta à requisição ministerial encaminhada via procurador-geral de Justiça para a presidência da Assembleia Legislativa, oportunidade em que foram requisitados documentação relacionada à verba ora investigada, recebemos o memorando de fls. 1682, no qual nos foi informado pelo secretário de Planejamento Orçamento e Finanças da Casa Legislativa que ‘não foi encontrado o formulário padrão o qual deveria citar as notas fiscais elencadas pelo Gaeco, caso as mesmas tivessem sido apresentadas pelos parlamentares para ressarcimento‘”, disse.
Outros deputados
Segundo o Ministério Publico Estadual, no gabinete do presidente da Casa de Leis, Eduardo Botelho, não apresentou nenhum documento, limitando-se a justificar que a norma vigente acerca do tema verba indenizatória não prevê a necessidade de prestação de contas.
“Ocorre que foi emitida nota fiscal por uma das empresas investigadas tendo o referido parlamentar como destinatário, anterior à edição da nova legislação“, disse o MPE referindo-se a uma nova regra baixada pela Assembleia, no início de 2015, que não exige apresentação de notas que justifiquem os gastos com a Verba Indenizatória.
Ainda de acordo com Ministério Publico, o deputado Wancley Charles Rodrigues Carvalho (PV), apresentou diversos documentos, porém, no que interessa à investigação, limitou-se a apresentar um memorando em dissonância com a resolução em vigor em março de 2015.
“Sem elencar as notas fiscais utilizadas e sem apresentar cópia das mesmas. Além de ser um documento sem comprovante de protocolo. Estranhamente, os demais memorandos anexados aos autos pelo investigado, que são posteriores à modificação da legislação e que dispensou a prestação de contas, são todos documentos com comprovante de protocolo“.
Já quando da vista ao ex-deputado estadual José Geraldo Riva disse aos representantes do Ministério Público, que não ter mais nenhum documento em seu poder relacionado à verba indenizatória, em virtude das “sucessivas buscas e apreensões das quais foi alvo nos últimos anos“.
Os beneficiários
– Walter Rabello: foi o parlamentar que mais se beneficiou das notas fiscais frias. Ao todo foram R$ 192,7 mil em serviços que não teriam sido prestados. Para ele teriam sido emitidas 27 notas frias. A última nota emitida ao parlamentar data de 20 de outubro de 2014, dois meses antes de sua morte.
– Zeca Viana (PDT), com R$ 149,5 mil por meio de 23 notas.
– Ondanir Bortloni, o “Nininho” (PSD): que teria se valido de 16 notas, totalizando R$ 93,5 mil.
– Emanuel Pinheiro (MDB): Foram 13 notas frias, que somam R$ 91,7 mil.
– José Geraldo Riva (sem partido): ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa com R$ 56,2 mil, em oito notas.
– Wancley Carvalho (PV): com R$ 7,2 mil,
– Eduardo Botelho (DEM): com R$ R$ 7,1 mil.
Em 2015 o então presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), deputado estadual, Guilherme Maluf (PSDB), mudou as regras e eles não precisaram mais justificar o gasto com verba indenizatória. (Com Gazeta MT)
Política
Júlio Campos rebate discurso de Abilio sobre “velha política” e questiona uso da máquina pública em eleição
O deputado estadual Júlio Campos (União) reagiu às declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), sobre o suposto enfraquecimento da chamada “velha política” em Mato Grosso. O parlamentar contestou a avaliação do gestor municipal, defendeu sua trajetória de cinco décadas na vida pública e levantou questionamentos sobre a utilização da estrutura administrativa da capital durante o processo eleitoral, especialmente em relação à eleição de Samantha do Abilio (PL), esposa do prefeito.
A controvérsia ganhou destaque no cenário político mato-grossense após o encerramento do processo eleitoral e evidenciou divergências entre lideranças de diferentes grupos políticos. Enquanto Abilio Brunini associou o resultado das urnas ao avanço de uma nova forma de fazer política, Júlio Campos rebateu essa interpretação e afirmou que o discurso de renovação precisa ser acompanhado de práticas coerentes com os princípios de transparência, responsabilidade administrativa e respeito aos compromissos partidários.
No debate público, a expressão “Velha Política” costuma designar práticas tradicionais de articulação do poder, frequentemente associadas ao personalismo, ao clientelismo e à distribuição de benefícios em troca de apoio político. Entre os comportamentos criticados estão as negociações pouco transparentes, a troca de favores, a distribuição de cargos e a destinação de recursos públicos condicionada a interesses eleitorais. Essas práticas, contudo, precisam ser analisadas à luz de fatos concretos, documentos e eventuais decisões dos órgãos competentes.
Historicamente, o termo também é empregado para criticar a concentração de influência em grupos familiares e lideranças que permanecem por longos períodos no poder. Nesse contexto, a expressão “Nova Política” ganhou espaço em campanhas eleitorais de candidatos que prometem romper com estruturas tradicionais, ampliar a transparência e reduzir privilégios. A distinção entre os dois conceitos, entretanto, não depende apenas do discurso dos representantes, mas também de suas condutas e da maneira como exercem os mandatos e administram os recursos públicos.
Ao responder às críticas do prefeito, Júlio Campos destacou sua trajetória política e afirmou que, ao longo de aproximadamente 50 anos de vida pública, seu grupo não teria sido alvo de investigações policiais relacionadas a crimes contra a administração pública.
A declaração foi utilizada pelo deputado para contestar as avaliações sobre os métodos tradicionais de atuação política e defender a reputação construída por sua família ao longo de diferentes períodos da história de Mato Grosso.
“Nunca tivemos, em 50 anos de vida, Polícia Federal na nossa porta, Ministério Público querendo fazer processo por roubo, corrupção, desvio”, afirmou o parlamentar.
A fala reforçou o tom de confronto entre as duas lideranças e levou a discussão para o campo da reputação política, em que declarações públicas precisam ser consideradas dentro de seu contexto e diferenciadas de eventuais conclusões judiciais.
Na sequência, Júlio Campos direcionou suas críticas à atuação de Abilio Brunini durante o período eleitoral. O deputado acusou o prefeito de utilizar a estrutura administrativa municipal para favorecer a eleição de sua esposa, Samantha do Abilio. A afirmação representa uma acusação política do parlamentar e, para que seja tratada como irregularidade comprovada, depende da apresentação de elementos verificáveis e da análise das autoridades competentes.
“Repudio as palavras do prefeito Abilio Brunini, que usou e abusou da máquina pública, da máquina pública para reeleger a sua esposa, traindo os seus companheiros de partido”, declarou Júlio Campos.
Com a manifestação, o deputado questionou a coerência entre o discurso de renovação defendido pelo prefeito e as práticas que, segundo sua avaliação, teriam sido adotadas durante a disputa eleitoral. A acusação, porém, não equivale, por si só, à comprovação de qualquer infração.
O episódio também reacende a discussão sobre os limites entre a atuação legítima de agentes públicos e o uso indevido de estruturas governamentais em benefício eleitoral. A legislação brasileira estabelece regras para assegurar a igualdade de oportunidades entre candidatos e impedir o emprego da administração pública para favorecer candidaturas. A identificação de eventual abuso exige, entretanto, a análise das circunstâncias, das provas disponíveis e das normas aplicáveis ao caso concreto.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o embate poderá alimentar novas manifestações políticas e cobranças relacionadas à transparência e à conduta de gestores públicos. Até que sejam apresentados esclarecimentos ou elementos adicionais, as declarações de Júlio Campos devem ser compreendidas como posicionamentos atribuídos ao parlamentar, sem antecipar conclusões sobre possíveis responsabilidades. A repercussão também coloca em evidência a importância da fiscalização institucional e do acesso da população a informações verificáveis.
Mais do que uma divergência entre duas lideranças, o confronto expõe uma disputa sobre o significado da renovação política em Mato Grosso. De um lado, está o discurso de superação das práticas tradicionais; de outro, a contestação de que essa mudança esteja efetivamente refletida nas condutas dos representantes eleitos.
O desfecho dessa controvérsia dependerá não apenas das respostas públicas dos envolvidos, mas também da consistência dos fatos apresentados e da capacidade das instituições de assegurar transparência, legalidade e respeito ao interesse coletivo.
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