COMBATE A GERAÇÃO "NEM-NEM"
Senador lembra que atualmente 11 milhões de jovens não estudam e não trabalham por falta de formação
Cerca de 11,5 milhões de jovens brasileiros, entre 15 e 29 anos, não estudam nem trabalham, de acordo com recentes estatísticas da FGV Social, esse número que excede a população total de Portugal. Este grupo, conhecido como geração “nem-nem”, tem se expandido ao longo das últimas décadas e atingiu seu pico durante a pandemia.
Embora esse percentual tenha diminuído para 23% no primeiro trimestre deste ano, ainda está acima da média global. O relatório “Education at a Glance 2022” da OCDE mostrou que o Brasil detinha o segundo maior percentual de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham no mundo em 2022.
O número de jovens que completam o ensino médio no Brasil tem aumentado, mas muitos desses estudantes acabam presos em um “limbo”, sem seguir para o ensino superior ou conseguir empregos qualificados. Além disso, a evasão escolar entre o ensino fundamental e o médio é alta. Segundo estudos, anualmente, 500 mil jovens com mais de 16 anos abandonam os estudos.
A situação da “geração nem-nem” é especialmente preocupante entre as mulheres, onde 29,2% das brasileiras entre 15 e 29 anos não trabalham nem estudam, bem acima dos 16,95% entre os homens.

No cenário atual de automação acelerada, digitalização e inteligência artificial, é necessário desenvolver uma geração de pensadores autônomos e criativos. Para alcançar esse objetivo, uma política nacional de educação profissional e tecnológica, a implementação do novo ensino médio e a modernização do sistema de aprendizagem foram propostas recentemente por líderes políticos. O sucesso dessas reformas será crucial para garantir o futuro dos jovens brasileiros e do próprio país.
Projeto de Lei de combate ao “nem-nem”
Nesta semana, foi apresentado pelo Senador Jayme Veríssimo de Campos (UB), um Projeto de Lei que propõe atacar um problema estrutural na formação de mão de obra no Brasil: os baixos índices do ensino profissionalizante. O PL 3358/23, altera o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) para incluir a educação profissional, técnica e tecnológica no rol dos cursos a serem financiados, de modo prioritário, pelo Fundo.
Ao apresentar a proposta de criação do FIES-Técnico, Jayme Campos destacou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que apontam a existência de expressivo número de jovens que não estudam e não trabalham, a chamada “geração nem-nem“, que já passa dos 11 milhões.
“É preciso, mais do que nunca, alterar tal cenário com mais oportunidades“, frisou.
Tão logo foi anunciado em plenário, a matéria recebeu apoio imediato de vários parlamentares. Entre eles, do Senador Paulo Paim (PT-RS). Ao enaltecer a proposta de Jayme Campos, ele lembrou que só deixou de ser vendedor de flores e de fruta porque fez um curso técnico no Sistema S:
“E, com esse curso, eu saí de um salário mínimo para cinco“, frisou.
Jayme Campos ressaltou que, apesar de mais de um século de leis, decretos e normas, “ainda não fizemos da Educação Profissional e Tecnológica uma prática consistente no País“. Desde 1909, segundo ele, o Brasil tenta sem sucesso dar ênfase à produção de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, passando por regras na Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
“O Brasil ainda patina nesse campo educacional. O número de brasileiros matriculados na educação profissional e técnica representa só 8% dos estudantes atualmente, índice que é de 46% na União Europeia e 40% nos países que integram a OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico“, ressaltou.
Em seu pronunciamento, Jayme Campos alertou os demais senadores ao classificar que o quadro atual “é preocupante”. Mesmo com o Plano Nacional de Educação definindo que 25% das matrículas de jovens e adultos deveriam estar integradas à Educação Profissional e Tecnológica até 2024, o percentual alcançado até agora foi de apenas 2,2%.
De posse desses dados, o senador mato-grossense pregou a necessidade da realização de um “grande esforço nacional” para alavancar os investimentos na educação profissional, considerada uma excelente ferramenta para suprir mão de obra qualificada, fomentar a produtividade e gerar empregos no País.
“Com financiamento público, nossos jovens poderão custear sua formação técnico-profissional, concluir o ensino médio, e potencializar sua inserção no mercado de trabalho“, ele previu, ao ressaltar que “a oferta da educação profissional em todos os níveis não é gasto, mas, sim, investimento!“.
Política
Jayme Campos: “Ele está patrolando o partido”
O senador e pré-candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso, Jayme Verissimo de Campos (UB), rechaçou de forma veemente a possibilidade de sua esposa, a ex-prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos, compor a chapa majoritária na condição de candidata a vice-governadora ao lado do atual governador e pré-candidato à reeleição, Otaviano Olavo Pivetta do partido Republicanos. A declaração pública do parlamentar, caracterizada por um tom de forte indignação ética, ocorreu nesta semana durante encontros políticos estratégicos em Cuiabá, no momento em que os partidos aceleram as articulações internas para a definição das candidaturas que disputarão a cadeira numero 1 do Palácio Paiaguás e as vagas Legislativas no pleito de outubro.
A manifestação incisiva do senador unista repudiava os rumores que circulavam nos bastidores políticos locais, os quais sugeriam o nome de Lucimar Campos como uma alternativa técnica e eleitoralmente viável para selar uma aliança pacífica entre o grupo governista de Pivetta e a ala dissidente do União Brasil (UB). Diante das especulações de bastidores que ganharam vulto na imprensa regional, Jayme Campos apressou-se em estabelecer um limite claro às negociações correntes, blindando seus familiares de arranjos partidários e reafirmando a manutenção integral de seu projeto autônomo de candidatura majoritária, o qual se contrapõe de forma direta aos planos de continuidade da atual gestão estadual.
Os principais articuladores políticos da base aliada do governador Otaviano Pivetta e a Executiva Estadual do União Brasil (UB), sob a liderança do ex-governador Mauro Mendes (UB), figuram como as contrapartes institucionais e os interlocutores diretos dessas tratativas que visavam à unificação das forças governistas. O movimento estratégico de aproximação buscava neutralizar a concorrência interna e consolidar um arco de alianças robusto para a disputa ao Executivo, utilizando-se da influência política e do recall eleitoral da família Campos na região metropolitana de Cuiabá como um elemento de forte atração e estabilidade para a chapa governista.

O epicentro geográfico e o cenário das tensões políticas concentram-se no Estado de Mato Grosso, tendo as principais deliberações e os desabafos ocorrido na capital, Cuiabá, que abriga as sedes partidárias e o centro decisório do Palácio Paiaguás. O descontentamento com o andamento das conversas também reflete as dinâmicas locais de Várzea Grande, segundo maior colégio eleitoral do estado e tradicional reduto político dos Campos, onde a ex-prefeita Lucimar Campos mantém considerável base de apoio popular, transformando a região geográfica em um território estratégico disputado palmo a palmo pelas coligações em formação.
O senador Jayme Campos e o presidente estadual do União Brasil, Mauro Mendes, reuniram-se formalmente com o propósito explícito de aparar as arestas acumuladas nas últimas semanas e discutir de forma realista o desenho do cenário político-eleitoral para 2026.
A agenda bilateral buscou reavaliar as estratégias de lançamento de candidaturas próprias e a distribuição de espaços na chapa majoritária, servindo também como um ambiente formal para o esclarecimento de convites informais e para a equalização das expectativas das diferentes correntes que coexistem de forma tensa no partido.
A motivação central por trás da reação enérgica de Jayme Campos reside na preservação do que ele define como a integridade e a dignidade de seu núcleo familiar, recusando-se a converter parentes próximos em moedas de troca ou componentes de “balcão de negócios” no pragmatismo das alianças eleitorais cotidianas. Adicionalmente, o parlamentar fundamenta sua recusa no argumento de que aceitar uma posição de vice-governador ou indicar sua esposa para tal posto representaria uma “humilhação” política diante da solidez do projeto autônomo que ele vem defendendo publicamente perante as bases partidárias e a sociedade mato-grossense.

As decisões estratégicas adotadas pelo senador e pelas lideranças do União Brasil produzem impactos imediatos na engenharia política estadual, resultando na antecipação da convenção partidária para o dia 20 de julho, logo após a abertura do período oficial permitido pela Justiça Eleitoral, em substituição à data originalmente prevista de 4 de agosto. Essa alteração no cronograma interno foi defendida para ampliar o prazo de organização jurídica e para corrigir falhas materiais no edital de convocação publicado, o qual omitia a previsão de escolha dos candidatos ao Senado, obrigando a sigla a revisar seus atos burocráticos.
A inviabilização da aliança por meio de indicação familiar decorre de uma postura ideológica rígida assumida pelo senador, o qual adota uma retórica de diferenciação ética ao afirmar que respeita a própria família e que jamais envolveu esposa ou filhos em transações políticas espúrias.
Jayme Campos sublinhou que a manutenção de sua pré-candidatura ao governo estadual configura sua única opção eleitoral para o pleito vigente, asseverando categoricamente que não possui um “plano B” e que, caso o projeto majoritário não prospere nas instâncias partidárias, optará por retornar às suas atividades empresariais privadas.
O método central empregado pelo parlamentar para externar seu posicionamento consistiu no uso de declarações públicas de forte impacto mediático, nas quais criticou abertamente a condução centralizadora de Mauro Mendes à frente do União Brasil, acusando-o de “patrolar” a legenda e impor prazos exíguos para o debate interno. O pré-candidato recorreu a metáforas expressivas, como a denúncia de uma suposta “política do ferro no pescoço”, para contrapor o estilo de gestão de seus correligionários ao modelo que defende como ideal, baseado na arte do diálogo, do entendimento mútuo e da ampla conversação democrática.
O montante das despesas de campanha e a viabilidade financeira da futura estrutura partidária dependem diretamente da resolução desses impasses, uma vez que a fragmentação das candidaturas majoritárias impacta a distribuição dos fundos eleitoral e partidário entre as siglas concorrentes.
O desfecho das negociações atuais definirá o volume de recursos técnicos e financeiros que serão direcionados para as candidaturas ao Senado e à Câmara Federal, estimulando os pré-candidatos mencionados pelo senador, como Janaina Riva, Carlos Fávaro, Pedro Taques e José Medeiros, a monitorarem atentamente os rumos do União Brasil para assegurarem suas respectivas fatias orçamentárias.
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