Política
Selma Arruda no olho do furacão; Favaro prepara ação contra Juíza aposentada
Primeiro foi o candidato ao Senado da Republica pelo Partido Rede Sustentabilidade, Sebastião Carlos Gomes de Carvalho que protocolou no Ministério Público Eleitoral (MPE) e na Polícia Federal denúncias contra a também candidata na época a Senado da Republica, Selma Rosane Santos Arruda, do Partido Social Liberal (PSL), acusando a candidata de abuso de poder econômico e de “Caixa 2”.
Sebastião Carlos juntou provas, como cópias de cheques pessoais emitidos na época pela então candidata Selma Arruda para pagar despesas da pré-campanha, no valor total de R$ 700 mil. Selma Arruda teria declarado que as suas despesas eleitorais era de R$ 413 mil, e para a Agência Genius foram realizados pagamentos de R$ 230 mil.
Em sua representação, o candidato do Partido Rede Sustentabilidade dizia: “Desde abril de 2018 a candidata contratou serviços de campanha junto à empresa Genius at Work Produções Cinematográficas Ltda, que por meio daquela demanda busca receber a diferença entre o valor contratado e o quitado. O que é mais grave, foram emitidos cheques de sua conta corrente, todos compensados, para quitação dessas despesas em período vedado, é o que se denota da referida demanda judicial. Referida conduta caracteriza abuso de poder econômico, contrariando o artigo 30-A da Lei nº 9505/97”.
Em sua defesa, a Juíza aposentada Selma Rosane Arruda disse que as acusações que ela realizou gastos de campanha não declarados à Justiça Eleitoral, conhecido como “Caixa 2”, teriam sido uma armação política.
No começo do mês de outubro, o Ministério Público Eleitoral (MPE) também protocolou junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MT) um pedido para cassar o registro da candidatura ao Senado da Republica, Selma Rosane Santos Arruda do PSL, assim como a quebra de sigilo bancário entre os dias 1º de abril ate o dia 4 de setembro, data da rescisão contratual com a agência de publicidade que lhe prestava serviços, e conforme o Ministério Publico, caso eleita, que fosse também barrado a diplomação de Selma Arruda por suspeita de abuso de poder econômico.
Em sua defesa, a Senadora eleita Selma Arruda sustenta que foi vítima de extorsão, disparou acusações contra adversários e aceitou desafio proposto pelo candidato do Partido Rede Sustentabilidade, Sebastião Carlos de quebra de sigilo bancário.
A Senadora da Republica eleita no dia 7 de outubro, Selma Rosane Santos Arruda foi eleita com 24,65% dos votos do eleitorado mato-grossense. Seguida de Jayme Veríssimo de Campos do Partido Democrata (DEM), que ficou com 17,82%, logo em seguida, Carlos Henrique Baqueta Fávaro, que ficou em terceiro lugar, com 15,80% dos votos.
Agora, é a vez do ex-vice-governador Carlos Henrique Baqueta Fávaro, presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD), que ficou em terceiro lugar na disputa para o Senado da Republica na eleição do último dia 7, ao receber mais de 430 mil votos, e confirmando que entrará com um pedido na Justiça Eleitoral para que o registro de candidatura da Juíza aposentada Selma Arruda do PSL seja impugnado devido a acusação do uso de “Caixa 2” movida contra ela ainda durante o período eleitoral.
“Defendi durante a minha campanha uma nova maneira de fazer política. O Brasil já não aceita mais atos ilícitos na política e de seus governantes, como corrupção e ações de caixa dois e a Selma, como conhecedora das leis, deveria saber disso. O povo brasileiro já mostrou que exige correção dos homens públicos. O Brasil está sendo passado a limpo. Qualquer ato que não condiz com a correção deve ser rechaçado. A justiça é para todos, inclusive para a ex-juíza. Então, se houve algo errado nesta campanha, vamos sim pedir investigação e a penalização adequada”.
O suposto esquema de “Caixa 2” na campanha de Selma Arruda foi documentado em ação de cobrança ajuizada por um publicitário de Cuiabá, que afirma ter prestado serviço de marketing à candidata.
Na denúncia feita a Polícia Federal, ele anexou cheques e pagamentos feitos no período pré-eleitoral e durante a campanha, o que pode configurar gastos de forma irregular.
Carlos Favaro já constituiu duas bancas renomadas de advogados em Brasília, que preparam a ação contra a Juíza aposentada Selma Arruda eleita pelo PSL como Senadora da Republica.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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