EM BUSCA DE UM NOVO MANDATO
Renovar mandato na Assembleia é busca por redução de incerteza eleitoral
Quase 95% dos deputados estaduais mato-grossenses devem tentar a reeleição este ano. As exceções, conforme apurou a redação do Blog do Valdemir na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), a maioria dos parlamentares estaduais correm contra o tempo buscando a reeleição nas eleições de 2 de outubro de 2022. Com isso, a aposta é que o Legislativo tenha uma baixa renovação de cadeiras este ano.
Para um dos cientista político e parceiro procurado pelo Blog do Valdemir, o comportamento majoritário dos parlamentares tem a ver com reduzir incertezas.
“O cara tem uma base eleitoral consolidada, sólida, que dá projeção para ele se candidatar a ou para fazer uma disputa mais acirrada. Se for o caso, aí ele concorre em outra esfera. Também tem questões pessoais, tem uma série de elementos aí, mas do ponto de vista eleitoral, é porque ele sabe que tem chances. Então, quando se reduz a incerteza na sua estratégia de campanha, vão lá e se lançam”, comentou.
“No caso de sair da esfera estadual para a federal, temos aí três vezes mais dificuldades, já que o número de deputados federais é 3x menor que o de estaduais. Mas essa ‘dança das cadeiras’ é algo natural”, completou o cientista político.
Dos que tentarão se reeleger na Assembleia Legislativa Estadual, boa parte deve lograr êxito. Na avaliação do cientista político, isso se dá em todo o país. A renovação de mandato sempre gira na cada dos 50% em Mato Grosso.
“Se a gente comparar isso com o Brasil inteiro, até hoje, a variação foi parecida com a local. O Estado de Mato Grosso não é um ponto fora da curva nesse quesito e a expectativa para as eleições deste ano é essa mesma margem de reeleição”, explica.
Ele ressalta a força eleitoral que possuir mandato dá numa eleição.
“Um candidato que vai para reeleição, implica dizer que tem uma base eleitoral que o elegeu na rodada anterior e que ele pode ter, por ser dono do mandato, controle interno no partido político. Isso lhe garante mais recursos desse partido, como o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário, que são importantes nas campanhas, uma vez que o financiamento empresarial é proibido no Brasil”, comenta.
“Candidatos para se eleger precisam capilarizar seus nomes e isso, muitas vezes, sem prefeitos ou vereadores lhe apoiando. Já um candidato com mandato é visto com maior poder de barganha porque ele pode fazer promessas para a rodada eleitoral seguinte, o que facilita muito conseguir aliados”, completou o parceiro cientista político do Blog do Valdemir.
Na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), dos 24 parlamentares que ocupam a cadeira da Casa de Leis, apenas os deputados Ulysses Lacerda Moraes (PTB) e Allan Kardec (PSB) deixam a cadeira de deputado estadual para tentar uma cadeira na Câmara de Deputados no pleito que se aproxima. De acordo com o levantamento feito pelo Gazeta Digital.
O Estado de Mato Grosso 160 candidatos foram oficializados para deputado federal nas Eleições de 2022. A Justiça Eleitoral determina que o registro da candidatura deve ser feito até 15 de agosto, isso é, hoje.
O prazo para as convenções partidárias terminou no último dia 5. O primeiro turno da eleição está marcado para o dia 2 de outubro.
No quadro dos que buscam a renovação do mandato está o presidente do Parlamento estadual, deputado José Eduardo Botelho (UB), aliado do governador Mauro Mendes Ferreira, do mesmo partido. O chefe do Legislativo foi eleito em 2014 e este ano pretende buscar a permanência no Poder pela terceira vez.
Na mesma linha, nomes que já possuem uma extensa carreira política, como o deputado Wilson Pereira dos Santos (PSB), também pleiteiam a permanência no cargo. Ex-Prefeito de Cuiabá e ex-deputado federal, o parlamentar já foi candidato ao governo do Estado pelo PSDB em 2010. Eleito deputado pela primeira vez em 1990, pelo PDT, Wilson busca o quarto mandato como deputado.
Ainda há nomes conhecidos como a deputada estadual Janaína Greyce Riva (MDB), única mulher eleita a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). Neste ano, ela busca renovar o mandato pela terceira vez, após a reeleição em 2018 como a mais votada. Inclusive, esse deve ser o último ano que Riva buscará ser escolhida para o mesmo cargo. No próximo pleito, a parlamentar já deixou claro que pretende alcançar voos maiores e disputar à deputada federal.
Ademais, outros nomes conhecidos dentro do parlamento como o primeiro-secretário deputado Max Joel Russi (PSB), Lúdio Frank Mendes Cabral (PT) e o líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União) também buscarão a renovação do mandato.
Neste cenário também há situações atípicas, como a do deputado Gilberto Cattani (PSL), que será novamente “testado” nas urnas. O parlamentar ficou como suplente nas Eleições de 2018 e assumiu a vaga após o falecimento do titular da cadeira, Silvio Fávero (PSL), em 2020 vítima da Covid-19.
Deputados que buscam à reeleição:
1. Janaína Riva (MDB)
2. Elizeu Nascimento (União)
3. Sebastião Rezende (União)
4. Wilson Santos (PSB)
5. Faissal Calil (Cidadania)
6. Eduardo Botelho (União)
7. Paulo Araújo (PP)
8. Dilmar Dal Bosco (União)
9. Xuxu Dal Molin (União)
10. Nininho (PSD)
11. Max Russi (PSB)
12. Thiago Silva (MDB)
13. Lúdio Cabral (PT)
14. Valmir Moretto (Republicanos)
15. Delegado Claudinei (União)
16. Dr. Eugênio (PSB)
17. Dr. Gimenez (PSD)
18. João Batista (Pros)
19. Valdir Barranco (PT)
20. Dr. João (MDB)
21. Gilberto Cattani (União)
22. Carlos Avallone (PSDB)
Candidatos à Deputado Federal
23. Ulysses Moraes (PTB)
24. Prof. Allan Kardec (PSB)
Política
Delações de executivos da Aegea implicam deputado federal em “Esquema de Propinas Multimilionárias”
O cenário político e corporativo brasileiro enfrenta um novo e complexo abalo institucional com a revelação de graves acusações de corrupção que conectam o setor de infraestrutura ao Parlamento. Ex-executivos da Aegea, considerada a maior empresa privada de saneamento básico do território nacional, acusaram formalmente o deputado federal mato-grossense, Juarez Costa (Republicanos) de receber vantagens indevidas estimadas em R$ 30 milhões, além de um veículo de luxo da marca BMW. O vultoso suborno teria sido repassado ao político com o objetivo claro de facilitar de forma ilícita os negócios e os contratos da concessionária de serviços públicos de água e esgoto no município mato-grossense de Sinop.
As graves denúncias que envolvem o congressista ganharam publicidade por meio de uma detalhada reportagem investigativa assinada pelo jornalista Eduardo Militão, veiculada originalmente no portal de notícias Metrópoles. A divulgação do caso trouxe à tona os bastidores de um suposto esquema de favorecimento financeiro que operava na interface entre o poder público municipal e a iniciativa privada. O impacto da publicação jornalística repercutiu imediatamente nos principais centros políticos do país, uma vez que o conteúdo exposto detalha transações clandestinas que fragilizam a lisura de concorrências públicas e a própria governança de grandes corporações nacionais.
As supostas ilegalidades teriam ocorrido de forma continuada ao longo de um período de sete anos, compreendido especificamente entre as gestões de 2009 e 2016, época em que Juarez Costa comandava o Poder Executivo como Prefeito de Sinop. Os repasses financeiros ilícitos e as negociações escusas estendiam-se na mesma medida em que a empresa expandia sua atuação regulatória na promissora região norte do Estado de Mato Grosso. Os prazos delineados pelos investigadores apontam para uma prática sistêmica e duradoura, indicando que o mecanismo de corrupção institucionalizada mantinha-se estável e imune aos controles internos da administração municipal durante os dois mandatos consecutivos do então chefe do Executivo local.
A base factual e jurídica que sustenta as pesadas acusações contra o parlamentar está materializada em minuciosos acordos de colaboração premiada firmados por cinco antigos dirigentes de alto escalão da Aegea com o Ministério Público. As referidas delações premiadas foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário e acabaram chanceladas e homologadas em definitivo no ano de 2025 pelo ministro Raul Araújo, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A participação de magistrados da Suprema Corte confere robustez jurídica aos relatos dos colaboradores, transformando os depoimentos em peças fundamentais de um inquérito que tramita sob rigoroso sigilo e obedece aos ritos processuais penais vigentes no país.
A motivação primordial que impulsionou o pagamento das vultosas propinas residia na busca incessante da Aegea por vantagens comerciais e pela garantia de hegemonia em contratos públicos de saneamento. Os ex-executivos da companhia admitiram que a distribuição de propinas funcionava como uma ferramenta estratégica de expansão corporativa agressiva, destinada a neutralizar a concorrência e a assegurar aditivos contratuais benéficos aos interesses privados.
O suborno era encarado pelos operadores do esquema como um custo operacional necessário para viabilizar a entrada e a permanência da concessionária em mercados municipais estratégicos, garantindo receitas previsíveis e de longo prazo mediante a corrupção de agentes políticos.
O modus operandi estruturado para a execução das fraudes baseava-se em um amplo consórcio de corrupção que extrapolou as fronteiras mato-grossenses, conforme confissões que apontam para o pagamento global de R$ 63 milhões em propinas. Esse esquema ramificado, ativo entre 2010 e 2018, envolveu diretamente vinte municípios distribuídos por seis estados da federação, demonstrando o caráter interestadual da engrenagem criminosa.
As transferências financeiras eram dissimuladas por meio de contratos fictícios e prestação de serviços simulados, técnicas contábeis sofisticadas projetadas especificamente para ludibriar órgãos de fiscalização e dar aparência de legalidade aos recursos de origem nitidamente espúria.
A relevância institucional deste caso ganha contornos dramáticos devido ao peso econômico da Aegea, uma gigante do setor privado que atende milhões de usuários e opera em centenas de cidades brasileiras. A relevância da denúncia amplia-se diante do contexto de forte expansão do mercado de saneamento básico no Brasil, impulsionado por recentes modificações no marco regulatório nacional que estimularam a privatização dos serviços essenciais. Suspeitas de fraudes em uma corporação desse porte geram severas desconfianças no mercado financeiro e comprometem a credibilidade dos modelos de concessão pública, levantando dúvidas sobre a real eficiência da participação privada em áreas sensíveis do desenvolvimento social.
A complexidade econômica da conjuntura agrava-se com a participação societária da Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, que realizou aportes bilionários na Aegea no exato período em que os crimes eram relatados. A referida holding injetou inicialmente R$ 1,3 bilhão na empresa de saneamento no ano de 2021, adicionando posteriormente um aporte complementar de R$ 1,2 bilhão, o que lhe confere hoje cerca de 13% do capital social da companhia.

Conquanto a menção à Itaúsa não configure indício de cumplicidade da holding nos atos ilícitos descritos pelos delatores, a presença de um investidor desse equilíbrio ilustra a magnitude financeira da holding e eleva o caso a uma crise de governança de repercussão internacional.
Os desdobramentos desta investigação provocaram reações imediatas nos bastidores políticos de Mato Grosso, onde Juarez Costa mantém uma sólida base eleitoral e exerce atualmente o mandato eletivo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ausência de manifestações imediatas por parte do parlamentar, que preferiu manter-se em silêncio quando instado a pronunciar-se pela equipe do Metrópoles, alimentou as especulações sobre seu futuro político e jurídico.
Analistas apontam que o avanço das apurações judiciais e uma eventual abertura de processo ético-parlamentar podem culminar em severas sanções políticas, incluindo o risco iminente de perda de mandato e de inelegibilidade.
O escândalo recoloca no centro do debate republicano a urgência de mecanismos permanentes de transparência e de controle social rígido sobre os contratos de concessão de serviços de utilidade pública. Quando a prestação de serviços fundamentais à saúde e à dignidade humana torna-se dependente de vultosas parcerias com conglomerados econômicos privados, a fiscalização estatal não pode apresentar falhas nem tolerar interferências políticas espúrias.
O desfecho das investigações em curso será determinante para demonstrar a capacidade das instituições brasileiras em punir crimes de colarinho branco, assegurando que o interesse público prevaleça de forma absoluta sobre ambições financeiras particulares e coalizões criminosas.
-
Artigos6 dias atrásO “menino” Neymar
-
ESPORTES6 dias atrásCuiabá vence e amplia crise na Ponte Preta
-
Artigos4 dias atrásA IGREJA E O COMBATE AO TRABALHO INFANTIL
-
Artigos3 dias atrásAmor e proteção previdenciária: os riscos da informalidade afetiva
-
Artigos3 dias atrásCanetas para emagrecimento podem ajudar a reduzir o risco de câncer?
-
Artigos3 dias atrásA simplificação que complica
-
ESPORTES4 dias atrásTrês cerimônias de abertura com espetáculo multicultural no México
-
Artigos5 dias atrásMenopausa: quem disse que namorar tem prazo de validade?





