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"CUNHO RACISMO" OU "CUNHO COMERCIAL"

Projeto quer acabar com feriado do “Dia da Consciência Negra”

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O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, como feriado nacional, foi aprovado pelo Senado Federal. A data é celebrada no Brasil somente em cinco estados, atualmente.

O líder brasileiro do Quilombo dos Palmares, Zumbi, nasceu em Alagoas e foi morto no dia 20 de novembro de 1695. O quilombo foi o maior do período Brasil-Colônia.

Multicultural, mas que carrega em sua história anos de desigualdade racial e racismo estrutural. Este é o nosso Brasil, último país da América a abolir a escravidão e o segundo com a maior população negra do mundo.

Sem feriado

O deputado estadual do Partido Social Liberal (PSL), o bolsonarista, Gilberto Moacir Cattani, apresentou na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), uma proposta para acabar com o feriado de 20 de novembro em Mato Grosso, o “Dia Nacional da Consciência Negra”, e que torna o feriado nacional em ponto facultativo.

O deputado estadual bolsonarista Gilberto Cattani negou que a proposta tenha uma conotação racista e disse que devido ao fato do mês de novembro ter outros feriados, o comércio acaba sendo prejudicado.

“É um Projeto de Lei já apresentado na Assembleia na sessão da outra quarta, nós apresentamos a pedido do setor comercial, defendendo inclusive muitos negros, pessoas de cor, que tem comércio, trabalham no comércio. Tem três feriados no mês de novembro e basicamente todos os três são prolongados, como é o que acontece agora nessa segunda-feira. A gente está atendendo essa solicitação comercial, não tem absolutamente nada a ver com ser racista nem nada desse tipo“.

De acordo com o parlamentar, a data gera muitos prejuízos para o comércio diante de outros feriados obrigatórios celebrados no mês de novembro.

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Em seu Projeto de Lei apresentado, o parlamentar estadual Gilberto Cattani justifica que sua proposta atende a pedidos da CDL, Câmara de Dirigentes Lojistas, e a Associação Comercial e Empresarial de Nova Mutum, cidade que é base eleitoral do deputado.

“O status de feriado influencia, e muito, na rotina econômica das cidades, afetando diversos setores com o fechamento do comércio, bem como os prestadores de serviços, causando prejuízos econômicos, reduzindo faturamento“.

Gilberto Cattani nega que a proposta tenha conotação racial e citou ainda o seu histórico familiar, afirmando que seu pai era negro.

“Então, não tem absolutamente nada a ver com racismo. A mídia como eu escutei hoje tenta mudar isso colocando de outra maneira, mas não tem nada a ver“.

Projeto de Lei rechaçado

Já o presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Lidio Barbosa, o Juca do Guaraná Filho (MDB), se posicionou contrário ao Projeto de Lei apresentado pelo deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) que torna o feriado do dia 20 de novembro, data do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares e Dia Nacional da Consciência Negra, em ponto facultativo.

Juca comentou que a data não é apenas um dia de “folga”, mas sim para relembrar a história de luta, valorizar a cultura da população negra e de discutir ações para o fortalecimento da política de igualdade racial.

“Respeito o deputado Cattani, mas sou totalmente contra a proposta que torna o dia 20 de novembro em ponto facultativo. O Brasil tem tantos feriados e a Consciência Negra não pode ser excluída. No nosso país, a escravidão durou mais de 300 anos, o povo negro ainda sofre com racismo e outras mazelas, sofre para ter acessos a seus direitos, esse dia serve de reflexão da história, da dor e sofrimento dos negros do nosso país, além disso faz referência a morte de Zumbi dos Palmares, símbolo na luta contra a escravidão“, destacou.

O vereador pediu para que os deputados rejeitem a proposta e preservem a data.

“Peço que os deputados ouçam o movimento negro do nosso estado antes de tomar qualquer decisão e entendam a importância do feriado“.

Da redação

Apesar de muitos esforços e políticas públicas, como por exemplo as cotas nas universidades, ainda nos deparamos com alarmante segregação racial.

“Para onde você olhar, vai ver que a população negra está em desvantagem em relação à branca”.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trabalhadores negros ganham cerca de R$ 1,7 mil a menos que os brancos em média no país. A pesquisa ainda revela que, não houve nenhuma mudança substancial na diferença de rendimento entre negros e brancos. Além disso, há mais trabalhadores negros sem carteira assinada que brancos, 21,8% e 14,7%, respectivamente.

Nos índices de Educação também há diferenças. Apenas 8,8% da população negra com mais de 25 anos frequentou uma faculdade. Para a população branca, esse índice é de 22,2%.

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Política

Flávia Moretti desafia crise no PL, mantém filiação e consolida apoio a Pivetta

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A Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou nesta quinta-feira (24) que não pretende deixar voluntariamente o Partido Liberal (PL), apesar do conflito com a direção estadual da legenda provocado por seu apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição em Mato Grosso. Durante um ato político da campanha do republicano, a Prefeita da Cidade Industrial declarou que permanecerá filiada ao PL e que somente deixará a sigla caso seja expulsa. A manifestação ocorreu em meio ao avanço de sua aproximação pública com Pivetta.

A posição de Flávia Moretti ocorre após ela contrariar a orientação política de seu próprio partido e declarar apoio a Pivetta na disputa pelo Governo de Mato Grosso. O PL lançou o Senador Wellington Fagundes como candidato ao Palácio Paiaguás, o que colocou a prefeita várzea-grandense em uma situação de divergência com a direção estadual da legenda. O episódio ampliou o debate sobre a permanência de lideranças municipais do partido que decidiram apoiar uma candidatura adversária.

Apesar do desgaste partidário, Flávia voltou a demonstrar publicamente sua proximidade com Pivetta durante o evento realizado em Cuiabá. A prefeita participou da mobilização eleitoral e foi registrada dançando ao som do jingle “Bora Pivetar”, gesto que reforçou visualmente seu alinhamento com a campanha do governador. A participação ocorreu mesmo com sua permanência formal no PL e com Wellington Fagundes concorrendo ao Governo pelo mesmo partido.

Questionado sobre a situação partidária da prefeita, Pivetta evitou tratar de um eventual convite para que ela se filie ao Republicanos. O governador destacou a relação administrativa entre o Estado e o Município de Várzea Grande e afirmou, segundo relatos publicados sobre o episódio, que Flávia não precisaria discutir uma eventual mudança partidária neste momento. A declaração deslocou o foco da disputa interna do PL para a parceria entre as duas administrações.

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A aproximação entre Flávia e Pivetta também está relacionada a demandas consideradas prioritárias para Várzea Grande. Entre elas está o abastecimento de água, tema que passou a integrar uma atuação conjunta entre o Governo de Mato Grosso e a Prefeitura Municipal. A própria prefeita já havia associado seu apoio político ao governador ao auxílio recebido pelo município para enfrentar problemas estruturais, especialmente aqueles relacionados ao fornecimento de água.

A crise entre Flávia e o PL Estadual não começou com o ato desta quinta-feira. Nos dias anteriores, a prefeita havia admitido que recebeu convites de diferentes partidos, inclusive do Republicanos, mas também afirmou que sua eventual saída da legenda ainda estava em avaliação. A mudança de postura apresentada agora indica que, ao menos neste momento, sua intenção é permanecer formalmente no PL, mesmo mantendo o apoio eleitoral a Pivetta.

O conflito ganhou dimensão maior depois que a Direção Estadual do PL anunciou procedimentos internos para analisar a situação de prefeitos que declararam apoio a Pivetta. Flávia está entre os gestores que passaram a integrar o grupo de prefeitos ligados ao PL que apoiam o governador, ao lado de outros administradores municipais que também se afastaram da orientação eleitoral da legenda. A possibilidade de medidas disciplinares passou, desde então, a fazer parte da discussão política.

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A situação também evidencia uma divergência entre a orientação partidária e as prioridades defendidas por algumas administrações municipais. Enquanto a direção do PL sustenta a candidatura de Wellington Fagundes ao Governo, prefeitos filiados à legenda têm manifestado apoio a Pivetta, justificando suas escolhas, em diferentes momentos, por questões relacionadas às necessidades de seus municípios. Wellington, por sua vez, afirmou anteriormente não defender a expulsão de prefeitos que optaram por apoiar o adversário.

No caso específico de Várzea Grande, a questão do abastecimento de água ganhou peso na aproximação entre a Prefeitura e o Governo do Estado. A cooperação administrativa passou a ser apresentada como um dos elementos que explicam a posição política de Flávia. Em paralelo, a disputa eleitoral transformou a relação institucional entre Estado e Município em um dos pontos de destaque do embate político que envolve Pivetta, Wellington e diferentes lideranças do PL em Mato Grosso.

Com a declaração desta quinta-feira, Flávia Moretti mantém, portanto, uma posição política definida em favor de Otaviano Pivetta, mas continua oficialmente filiada ao PL. A prefeita não anunciou desfiliação e afirmou que não pretende deixar a legenda por iniciativa própria. O cenário mantém aberta a possibilidade de novos desdobramentos entre a gestora, a direção estadual do partido e o grupo político do governador, enquanto a campanha eleitoral avança em Mato Grosso.

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