Política
“Projeto “Blitz na Saúde”, foi criado para fiscalizar as obras e cobrar sua conclusão”
O vereador Marcelo Eduardo Bussiki Rondon, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) deu início a uma série de fiscalizações nas unidades de saúde cujas obras estão paradas ou inacabadas em Cuiabá. A medida faz parte do projeto “Blitz na Saúde“, criado para fiscalizar as obras e cobrar sua conclusão junto à Prefeitura de Cuiabá e órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e da União (TCU).
O vereador cuiabano Marcelo Bussiki já esteve nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros Ouro Fino, São João Del Rey, Real Parque e Jardim Passaredo, além do Postos de Saúde da Família (PSF) do Parque Atalaia, Jardim Colorado e Ribeirão do Lipa, no Centro de Saúde do Jardim Independência e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Verdão.
Nos locais foram constatadas inúmeras irregularidades em relação aos contratos e falhas em relação às obras, além do abandono da maioria delas por parte das empresas responsáveis. Na unidade do bairro Ouro Fino, por exemplo, a obra foi abandonada pela empresa LD Construtora, e a estrutura construída já apresenta fissura, rachaduras, goteiras, além de o matagal ter tomado conta do local.
A obra iniciou em setembro de 2017 e tinha prazo de conclusão para março deste ano. Foram destinados R$ 1,1 milhão de recursos do Governo Federal, por meio de emendas parlamentares, mais um complemento da Prefeitura de Cuiabá para executar toda a obra e, mesmo assim, ela não foi concluída.
“É absurdo o quadro que encontramos. Obra com dinheiro na conta, a população passando necessidades e a prefeitura não dá conta, ou não tem interesse de terminar”.
Caso semelhante foi encontrado na unidade do bairro São João Del Rey. A obra também foi abandonada pela empresa LD Construtora e tinha R$ 1,1 milhão de recursos de emendas parlamentares para sua conclusão, que deveria ter ocorrido em março deste ano. No local foi possível encontrar diversos materiais desperdiçados, como cascalho, areia, telhas e pisos, que foram adquiridos para a obra e abandonados em seguida.
Já nas unidades do Real Parque e Jardim Passaredo, o descaso e abandono são totais, segundo o vereador Marcelo Bussiki. Em ambos os locais o matagal tomou conta da estrutura construída. Na unidade do Real Parque, várias árvores cresceram dentro da construção, tal é o tempo do abandono.
No Jardim Passaredo, por sua vez, a obra virou ponto de uso de droga. No local foram encontrados vários pertences pessoais de moradores de rua, muita sujeira, além de uma pichação do Comando Vermelho (CV) nos vidros da unidade. A obra também acumula água, que virou criadouro de sapos, animais peçonhentos, além do mosquito transmissor da dengue.
“A obra da unidade do Passaredo foi abandonada já bem próxima de sua conclusão. É possível ver que fizeram bancadas, forro e colocaram alguns vidros e janelas. Mas, ainda, sim, a obra foi deixada de lado, sabe-se lá por qual motivo, e agora serve de abrigo para morador de rua e usuários de droga. Um desperdício de dinheiro público e um perigo para a comunidade“.
Também seguem paradas as obras de reforma em unidades no Parque Atalaia e Jardim Independência e de construção da UPA do Verdão, sem qualquer previsão de retomada. A obra no Parque Atalaia foi iniciada a pedido de Bussiki, após várias reclamações dos moradores. Na unidade, a estrutura apresentava diversas rachaduras que comprometiam a segurança de servidores e pacientes.
No entanto, a unidade foi fechada há meses e a obra sequer foi iniciada. Já a unidade do Jardim Independência foi fechada em fevereiro para o início da obra, que deveria ser concluída em abril ao custo de R$ 168 mil, mas também não foi terminada. Enquanto isso, os moradores precisam ir a outros bairros receber atendimento.
“É um desrespeito aos pacientes, aos recursos públicos. Uma situação lamentável que tem sido constantemente repetida nesta gestão da prefeitura“.
Em razão da situação de abandono encontrada nas unidades, o vereador afirmou que vai cobrar novamente da prefeitura um cronograma sobre o andamento das obras, além de fazer representações no Tribunal de Contas do Estado e no Tribunal de Contas da União, diante dos investimentos do Governo Federal, para que eles exijam a conclusão das obras.
Além disso, Bussiki afirmou que vai fazer emendas na Lei Orçamentária Anual 2019 para garantir o término de todas as obras.
“A prefeitura não pode ir abrindo novas frentes de trabalho, construindo novas unidades, e deixando todas essas paradas. Quanto dinheiro foi investido em todas essas obras para terminar sendo esqueletos sem uso?“, questionou.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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