Política
2ª Marcha dos Prefeitos debate situação financeira dos municípios
As dificuldades financeiras dos municípios foram destaque na abertura da 2ª Marcha a Cuiabá – Prefeitos em Defesa dos Municípios Mato-grossenses, que teve início nesta quarta-feira (7), no auditório da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). O evento é uma realização da instituição e conta com a participação de prefeitos de várias regiões do estado.
O presidente da AMM, Neurilan Fraga, ressaltou que o objetivo é orientar prefeitos e secretários a manter um controle rigoroso das despesas das prefeituras e buscar mecanismos para aumentar as fontes de receita. “Para isso estamos investindo em capacitação e orientação para que os municípios não percam recursos e oportunidades por falta de informação. No ano passado a AMM capacitou mais de 1,5 mil servidores para tornar as equipes cada vez mais preparadas”, assinalou.
Fraga lembrou a distribuição desigual de recursos entre os entes federados por meio do Pacto Federativo, que concentra a maior parte dos recursos na União. A mudança no Pacto é uma das principais reivindicações do movimento municipalista, visando a garantir às prefeituras uma fatia maior do bolo tributário nacional.
Neurilan frisou que embora os gestores se empenhem para fazer um controle rigoroso das contas, não sobram recursos para investimento. Nesse contexto, ressaltou a importância da participação do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Paulo Rabello de Castro, no evento. Rabello e equipe falarão sobre a participação do BNDES para o desenvolvimento do país e as principais linhas de financiamento para os municípios.
Os participantes do evento também ressaltaram a importância da redução de custos nas administrações municipais. Uma das alternativas para viabilizar economia nas prefeituras foi destacada pelo procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, Mauro Curvo, que ressaltou a importância da criação do Consórcio Intermunicipal de Saúde, que será instituído nesta quinta-feira (8), na programação da Marcha dos Prefeitos.
Curvo agradeceu a parceria da AMM para a criação do consórcio, que já conta com a adesão de 30 municípios de Mato Grosso. “O nosso objetivo é conseguir a adesão dos 141 municípios até o final do ano”, assinalou. O principal benefício do consórcio será a otimização dos recursos do SUS, com a economia de escala na compra de medicamentos. A proposta se baseia na experiência de sucesso do Estado do Paraná, onde foi possível reduzir em até 70% os custos de aquisição de medicamentos.
O vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, também participou do evento e frisou que a Confederação tem enormes desafios pela frente, ressaltando que a união do movimento municipalista brasileiro é fundamental. “Com garra, força e determinação vamos avançar na pauta municipalista nacional. O país precisa de um pacto político, que dê condições de governabilidade, com transparência e responsabilidade”, ponderou.
Aroldi ressaltou a importância das reformas fiscal e tributária, que definam as obrigações e uma distribuição justa de recursos, para que os municípios possam fazer frente às obrigações.
A abertura da 2ª Marcha dos Prefeitos foi prestigiada por várias autoridades, como deputados, representantes do Governo Estado, entre outros órgãos e instituições. Paralelamente ao evento no auditório da AMM estão sendo realizadas oficinas técnicas, no auditório do Centro de Sustentabilidade do Sebrae.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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