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ACUSAÇÕES CONTESTADA

“”Prêmio Saúde” é lícito, é legal e tem que ser parametrizado”

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A Saúde de Cuiabá é de gestão plena. Portanto, o ordenador de despesa da Saúde é o secretário de Saúde. A política pública é do prefeito. Decisões macro são do prefeito. Agora, coisas do dia a dia são atribuição do secretário”.

Disse durante coletiva com a imprensa o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), no Auditório da Secretaria Municipal de Educação (SME), que fez uma apresentação aos jornalistas com sua defesa contra as acusações de supostas irregularidades no pagamento do “Prêmio Saúde” e na contratação temporária de servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que levaram ao seu afastamento do cargo durante cerca de um mês.

Emanuel foi afastado do cargo por duas decisões judiciais, uma cível e outra criminal. Ele é investigado por uso político do “Prêmio Saúde” e contratação sem concurso de servidores na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Oito vereadores estão na lista de “padrinhos” de nomeados que recebiam o “Prêmio Saúde” em troca de apoio político “passado, presente e futuro”, segundo delação de Huark Douglas, ex-secretário de Saúde do Município de Cuiabá.

Pinheiro foi alvo da Operação Capistrum, palavra que vem do Latim e significa “cabresto”, que investiga a existência de uma suposta organização criminosa montada dentro da Prefeitura da Capital que teria se utilizado de recursos destinados para a área da Saúde e que teria contratado mais de três mil servidores temporários como pagamento de compromissos políticos, principalmente com vereadores.

A ação teve origem na delação do ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia. Os dados são referentes à suposta contratação de “indicações políticas” para a Secretaria de Saúde de Cuiabá no primeiro mandato de Pinheiro. Contatos que serviriam para atender acordos com aliados. Huark disse que teria contratado 250 pessoas indicadas pelo prefeito como servidores temporários.

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Huark Douglas teria entregado à 9ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, a quem foi prestado o depoimento, 259 “contratos de prestação de serviços excepcionais” sem a assinatura dele, responsável pela administração da Pasta. Logo depois o afastamento foi mantido pela corte do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT).

Em sua defesa

Em relação ao “Prêmio Saúde”, o gestor explicou que não houve, como apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE), descumprimento de decisão judicial, uma vez que o que existe é um processo de execução de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em que o MPE pede multa diária em caso de descumprimento e não o afastamento do gestor. Além disso, a Prefeitura de Cuiabá se manifestou nos autos e comprovou que não teve ordem judicial e que o MPE apenas solicitou documentações.

Nós recorremos. O “Prêmio Saúde” é lícito, o premio saúde é legal e tem que ser parametrizado. Quem paga o prêmio saúde é o secretário de saúde. Por lei, ele foi criado na gestão Roberto França. É o secretário de Saúde quem define os critérios do “Prêmio Saúde” e regulamenta em portaria. A única gestão que parametrizou o pagamento do “Prêmio Saúde” foi a gestão Emanuel Pinheiro”, afirmou Pinheiro.

Emanuel Pinheiro explicou ainda que uma decisão do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), que determina que servidores da área meio da SMS não podem receber o “Prêmio Saúde” ainda não transitou em julgado e aguarda julgamento de recurso impetrado pela Prefeitura de Cuiabá, que não concorda com a determinação, uma vez que a área fim depende da área meio.

Se eu suspendesse, haveria uma paralisação generalizada e a sociedade iria pagar o preço porque a atividade fim, para funcionar lá na ponta, depende da atividade meio”, defendeu Emanuel Pinheiro, destacando a gravidade que a situação teria em tempos de pandemia.

Com relação aos contratos temporários de servidores da Saúde, o prefeito Emanuel Pinheiro afirmou que não existe Lei Federal, Estadual ou Municipal que proíba a contratação temporária de trabalho.

Não existe nada que me proíba, tanto é que no curso entre o inquérito e a denúncia, o MPE mudou de posição e remeteu aquilo que seria uma proibição de contratar servidores temporários a uma ordem genérica da Constituição federal, que é o artigo 37, que dá os princípios basilares da Administração Pública. Entre deixar o povo padecer e não contratar por uma ilação de que não posso contratar, eu não vou deixar o povo padecer e não estou em desacordo com a lei”, asseverou.

Além disso, o gestor público afirmou que os contratos temporários diminuíram ao longo das últimas três gestões municipais, mesmo com a abertura de novas unidades de saúde, inclusive do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Pinheiro enfatizou ainda que todos os 259 servidores cujos contratos temporários foram alvos da Operação Capistrum cumpriam regularmente suas jornadas de trabalho e não geraram dano ao erário.

Em nenhum momento é citado na denúncia que houve desvio para o prefeito. O MP reconheceu que todos os contratos temporários trabalharam, ou seja, não houve desvio de dinheiro público, malversação, sobrepreço, superfaturamento, rachadinha ou servidores fantasmas”.

Ainda em relação a esses contratos, o prefeito enfatizou que a Secretaria Municipal de Saúde tem gestão plena e que o prefeito não interfere nesses trâmites, mostrando exemplos de contratos temporários de servidores assinados pelo secretário municipal de Saúde.

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Política

Disparidade orçamentária na “Corrida Presidencial” evidencia os desafios do “Financiamento Eleitoral”

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A advogada cuiabana Clariana Barão, candidata à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), ingressou oficialmente na disputa eleitoral nacional enfrentando um cenário de expressiva assimetria financeira. A candidatura encerrou a segunda semana de campanha oficial contando com um orçamento disponível de apenas R$ 7,5 mil em caixa para o desenvolvimento das atividades de mobilização.

A constatação dos valores ocorreu após o levantamento e a consolidação dos dados de arrecadação e prestações de contas parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A análise dos dados orçamentários dos postulantes ao Palácio do Planalto foi veiculada pelo portal de notícias Repórter MT durante o acompanhamento da agenda eleitoral.

O montante acumulado pela postulante é fruto de aportes diretos, sendo R$ 5 mil provenientes de recursos próprios da candidata e R$ 2,5 mil originados de doação de pessoa física efetuada por Lara de Araújo Amorim. Até o momento do registro oficial da prestação de contas, não constava no sistema a escrituração de despesas operacionais contratadas pela chapa.

A escassez de recursos evidencia a profunda disparidade estrutural entre candidaturas de legendas menores e as campanhas dos principais nomes da disputa presidencial. Enquanto partidos consolidados movimentam montantes milionários do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e de doações privadas, pleitos minoritários enfrentam severa restrição logística para propaganda, deslocamento e equipes técnicas.

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Em contrapartida, os dados divulgados demonstram que candidaturas de grande porte lideram a captação de recursos: Flávio Bolsonaro (PL) soma mais de R$ 42 milhões e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra R$ 35,2 milhões em receitas. No plano intermediário e menor, Romeu Zema (Novo) dispõe de R$ 2,7 milhões, Renan Santos (Missão) acumula R$ 1,2 milhão, Ronaldo Caiado (PSD) possui R$ 600 mil e Edmilson Costa (PCB) figura com R$ 13 mil em caixa.

A discrepância orçamentária impõe limites práticos no alcance das propostas e na visibilidade dos candidatos perante o eleitorado nacional. O custo de produção de programas partidários, impulsionamento em redes sociais e transporte aéreo inviabiliza que chapas com orçamento reduzido percorram com equidade os estados da federação.

Diante do quadro financeiro, a estratégia de candidaturas como a de Clariana Barão apoia-se predominantemente em agendas orgânicas, uso de plataformas digitais sem investimento pago e debates públicos. A limitação contábil exige rigor na gestão de cada insumo básico, desde o material impresso de divulgação até o custeio de viagens institucionais.

Outros postulantes ao pleito, como Pablo Marçal (PRTB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara (UP), ainda não haviam consolidado a prestação parcial de contas no sistema da Justiça Eleitoral até o fechamento da amostragem do levantamento. A regularização do envio das informações financeiras segue prazos regimentais estabelecidos pela legislação eleitoral vigente.

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A conjuntura da campanha eleitoral reacende o debate técnico acerca dos impactos da disparidade econômica na igualdade de chances entre os concorrentes em sufrágios majoritários. A legislação brasileira prevê teto de gastos e mecanismos de financiamento público, contudo a distribuição proporcional entre legendas perpetua assimetrias na linha de partida do processo democrático.

Apesar dos abismos financeiros mapeados nas prestações de contas, o desfecho do pleito permanece condicionado ao voto direto e secreto do eleitorado no dia da votação.

A viabilidade política de propostas com baixo orçamento financeiro dependerá do grau de engajamento voluntário e da capacidade de interlocução direta das lideranças com a sociedade civil.

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