FINANCIAMENTO COLETIVO
Pré-candidato ao Senado abre mão do “Fundo Eleitoral” e lança “Vaquinha Virtual”
Os pré-candidatos que vão disputar as eleições de outubro estão autorizados a realizar campanha prévia de financiamento coletivo, modalidade conhecida como vaquinha virtual ou crowdfunding.
Pelas regras eleitorais, a arrecadação será feita por empresas especializadas que foram cadastradas previamente na Justiça Eleitoral. A liberação dos recursos está condicionada ao pedido de registro de candidatura, à obtenção de CNPJ e a abertura de conta bancária.
O processo eleitoral de 2022 será o terceiro no Brasil a utilizar o financiamento coletivo na internet para arrecadar recursos para campanhas. Durante a campanha de arrecadação, os pré-candidatos não poderão fazer pedidos de votos e propaganda eleitoral antecipada.
Nesta semana, apareceu o primeiro pré-candidato ao Senado Federal a abrir mão do Fundo Eleitoral e lançar a Vaquinha Virtual para arrecadação de fundos para campanha eleitoral, é o presidente da Aprosoja Brasil, Antonio Galvan (PTB).
A vaquinha do pré-candidato foi lançada oficialmente nesta segunda-feira (30) e já está apta a receber doações para o pleito deste ano.
“Acreditamos em uma forma diferente de fazer política, por isso abrimos mão do fundo eleitoral e lançamos a campanha colaborativa por meio da vaquinha virtual“, afirma Galvan.
A Vaquinha Virtual é uma modalidade de arrecadação financeira para campanha eleitoral que está regulamentada por uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi incorporada à legislação eleitoral em 2017. Essa é a terceira eleição que a modalidade de captação de recursos poderá ser usada pelos candidatos. Os recursos doados no período de pré-campanha só poderão ser usados pelo candidato após as convenções partidárias.

Ao assumir o desafio de colocar seu nome para a disputa majoritária, Galvan destaca que a indignação foi o principal motivo que o levou a aceitar o convite do PTB para ser pré-candidato ao Senado da República.
“Entrei na política para fazer a diferença e lutar por um país mais justo, que respeite a liberdade e a nossa Constituição. Nossa intenção é seguir na linha do nosso presidente Jair Messias Bolsonaro, trabalhando pelo desenvolvimento social e econômico do Brasil priorizando Deus, pátria, família e liberdade. Por tudo isso, abrir mão do fundo seria um caminho natural“, disse o petebista.
Ele acrescenta ainda, que a democracia está relacionada com a prática da liberdade e da igualdade para se construir um país sem corrupção e mais justo.
“Partindo dessa premissa, acredito que uma campanha política se faz com ideias e com o compromisso ético de trabalhar em prol da coletividade. Abrir mão do fundo eleitoral faz parte dessa nova forma de se fazer política“.
Mesmo sendo produtor rural, Galvan afirma que sua pré-campanha e campanha serão feitas de forma consciente, respeitando a legislação eleitoral e principalmente buscando formar uma corrente de apoio em torno de um projeto político que foque nos interesses do estado, da população e não em um grupo ou segmento específico.
“Respeito as opiniões contrárias, mas meu objetivo é buscar outros meios para financiar minha candidatura. A vaquinha virtual é um deles“, comenta o pré-candidato a Senador.
Bolsonarista raiz, Galvan é um dos líderes do movimento Brasil Verde e Amarelo e um crítico ferrenho ao oportunismo de políticos que não defendem o governo Bolsonaro e as bandeiras conservadoras, mas que no período eleitoral se aproximam do presidente da República para tirar proveito eleitoral.
“Felizmente as pessoas conseguem identificar os oportunistas. Essa consciência eleitoral vai oportunizar ao país, a partir de fevereiro de 2023, um Congresso Nacional, especialmente o Senado, mais comprometido com o povo brasileiro e com coragem para enfrentar os verdadeiros inimigos do nosso país“, frisa o pré-candidato.
Internet
A Vaquinha Virtual funciona por meio da internet e de aplicativos eletrônicos controlados por empresas especializadas na oferta desse tipo de serviço, desde que devidamente credenciadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não existe limite de valor a ser recebido pela modalidade de financiamento coletivo.
A doação é segura e pode ser feita pelo site do pré-candidato: www.antoniogalvan.com.br.
Política
Disputa pelo Paiaguás antecipa polarização e eleva o “Tom Político” entre os “Poderes”
A corrida sucessória pelo Palácio Paiaguás atingiu um novo patamar de tensionamento político nesta quinta-feira (25), quando o governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), e o senador Wellington Fagundes (PL) protagonizaram um embate público de alta voltagem. O estopim do conflito reside no Projeto de Lei, de autoria do Poder Executivo Estadual, que pleiteia a contratação de um empréstimo bancário vultoso no valor de R$ 1,5 bilhão. Essa matéria financeira, que tramita nos bastidores governamentais e na Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), transformou-se no principal catalisador de uma crise institucional que expõe as fraturas e as ambições partidárias voltadas ao pleito majoritário futuro.
O cenário desse confronto direto e ostensivo foi a capital do Estado, Cuiabá, onde as articulações políticas e as declarações oficiais repercutiram de forma imediata nos círculos do poder e nas plataformas digitais de comunicação. A escalada discursiva ocorreu logo após o parlamentar federal utilizar suas redes sociais para criticar a gestão fiscal da máquina pública mato-grossense, gerando uma reação contundente e imediata por parte do chefe do Executivo. A centralidade geográfica da disputa acentua a relevância do debate, uma vez que as decisões tomadas na capital geram impactos socioeconômicos profundos em todos os municípios da federação mato-grossense.
O embate deflagrou-se por meio de uma dinâmica mista, que combinou o uso estratégico de ferramentas tecnológicas modernas com entrevistas coletivas tradicionais concedidas à imprensa regional. Wellington Fagundes optou por gravar e publicar um vídeo detalhado em seus canais digitais, direcionando a mensagem diretamente ao eleitorado e questionando a retidão fiscal da proposta governamental.
Em contrapartida, a tréplica de Otaviano Pivetta formalizou-se diante dos jornalistas que cobrem o cotidiano político local, oportunidade em que o governador utilizou termos severos para desqualificar a atuação legislativa e a trajetória pública de seu opositor.
A motivação central subjacente a esse severo desentendimento institucional ancora-se na divergência ideológica e técnica acerca da conveniência e da oportunidade da contratação do crédito bilionário. Enquanto a administração estadual defende que o endividamento planejado constitui uma ferramenta saudável e necessária para a execução de investimentos estruturantes, a oposição parlamentar argumenta que a medida compromete o futuro financeiro do erário.
Adicionalmente, o pano de fundo que impulsiona o conflito é a indisfarçável disputa pela liderança do Executivo nas próximas eleições, o que transforma qualquer debate administrativo em uma arena de pré-campanha.
O método utilizado pelo senador mato-grossense para desestabilizar a proposta governamental consistiu na contestação pública e detalhada dos juros e das contrapartidas fiscais inerentes à operação de crédito pretendida pelo Estado. Fagundes utilizou argumentos baseados na necessidade de transparência, questionando publicamente o destino de recursos anteriormente vinculados a programas habitacionais e exigindo explicações formais. Esse questionamento sistemático buscou minar a credibilidade da peça orçamentária governamental, apresentando o endividamento como um fardo financeiro desnecessário que seria integralmente transferido aos contribuintes mato-grossenses.
A reação do governador Otaviano Pivetta estruturou-se por meio de um ataque verbal contundente, no qual classificou o senador Wellington Fagundes como uma figura política “desprezível” e sem experiência administrativa prática. O gestor estadual argumentou que a capacidade de endividamento de Mato Grosso é um reflexo direto da “excelente saúde financeira” conquistada pela atual gestão, legitimando a busca por novos recursos como uma estratégia empresarial benéfica.
Pivetta enfatizou que governar exige a criação constante de alternativas viáveis e a realização de bons negócios para a sociedade, habilidades que, segundo ele, o seu adversário desconhece por completo.
A intensificação do conflito estendeu-se também ao campo da articulação partidária, momento em que o governador ironizou publicamente o suposto isolamento político que o senador pelo Partido Liberal (PL), enfrenta dentro de sua própria legenda.
Otaviano Pivetta destacou o apoio expressivo que vem recebendo de diversos prefeitos filiados ao partido de seu oponente, sugerindo que novas adesões à sua base governista devem ocorrer nos próximos dias. Ao indagar os presentes sobre as razões que tornam o parlamentar uma figura rejeitada internamente, o Chefe do Executivo buscou fragilizar a sustentação política de Fagundes e demonstrar força institucional.
Os desdobramentos imediatos dessa crise evidenciam uma profunda divisão na base política do estado, afetando diretamente a tramitação de projetos prioritários na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL/MT). Analistas políticos locais apontam que a agressividade dos discursos sinaliza o fim de qualquer possibilidade de neutralidade ou composição pacífica entre os dois grupos majoritários.
A população e as lideranças municipais agora assistem a uma polarização antecipada que tende a paralisar votações importantes, à medida que os deputados estaduais são compelidos a escolher um lado nessa disputa de “PODER”.
As consequências a longo prazo para a sociedade mato-grossense envolvem o risco de atrasos na execução de obras públicas essenciais e uma potencial instabilidade jurídica no que tange aos contratos de financiamento. Caso a oposição consiga obstruir a aprovação do empréstimo de R$ 1,5 bilhão, o cronograma de investimentos em Infraestrutura e Logística poderá sofrer desaceleração severa.
Por outro lado, a consolidação desse endividamento sob um clima de forte contestação política imporá à atual administração a obrigação de demonstrar, com máxima transparência, o retorno social de cada centavo investido.
A quantidade expressiva de recursos financeiros envolvida nessa controvérsia que soma a expressiva cifra de R$ 1,5 bilhão confere à disputa uma relevância macroeconômica que ultrapassa as fronteiras da política partidária. Esse montante representa uma parcela significativa do orçamento anual de investimentos do Estado, o que justifica o rigor técnico e a vigilância da sociedade civil organizada sobre o desfecho do caso.
A vigilância mútua entre os poderes do Executivo e Legislativo, embora eivada de discursos inflamados, definirá os rumos do desenvolvimento econômico e da responsabilidade fiscal de Mato Grosso para os próximos anos.
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