REPRESENTATIVIDADE DAS MULHERES NA POLÍTICA
“PP Mulher” reuniu quase 100 pessoas em ato de filiação
Na democracia brasileira, mais que a metade da população está sub-representada: as mulheres. Ocupam somente 10% das cadeiras no Congresso Nacional, mesmo depois de mais de 24 anos de cota, que determina que um terço das candidaturas dos partidos sejam femininas. Por que a participação de mulheres na política segue tão baixa?
Nos últimos anos, o Brasil vivenciou uma progressão no debate público em torno das questões femininas. Temas como assédio, aborto, maternidade e carreira, vem sendo discutidos amplamente na sociedade e ganhando espaço no cenário político. A luta pelo direito das mulheres vem progredindo não só no Brasil, mas em todo o mundo. Alguns avanços já foram conquistados nas última décadas, como o direito ao voto e o direito de serem eleitas. Porém, no que tange a representatividade das mulheres na política, esse debate ainda se encontra muito distante do desejado.
Muitas mulheres ainda têm dificuldades de ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Isso acontece devido à exclusão histórica das mulheres na política e que reverbera, até hoje, no nosso cenário de baixa representatividade feminina no governo.
Buscando o fortalecimento e participação das mulheres nos espaços de poder e decisão o Progressistas MT promoveu, nesta quinta-feira (25), um grande evento de filiação reafirmando o compromisso do partido em abrir espaço para as mulheres. O PP Mulher, coordenado pela advogada Juliana Geller, reuniu quase 100 pessoas no Auditório da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT).

A secretária nacional do Progressistas Mulher Nacional, Ellen Konrad, destacou o trabalho da sigla em percorrer o País enaltecendo a importância das mulheres se engajarem nas pautas que vão desde o enfrentamento de todas as formas de violência contra mulheres à igualdade no mundo do trabalho, autonomia econômica e inclusão.
“É uma satisfação imensa estar em Cuiabá e presenciar o momento em que nosso time feminino está crescendo. Nosso partido admira e incentiva a participação de mulheres na política, acreditando na força de cada uma para mudar o futuro do nosso País”, registrou.
Presidido em Mato Grosso pelo deputado federal Neri Geller, o Partido Progressista (PP), tem focado suas ações em atrair lideranças que estejam inseridas nos grandes debates e atuem em prol do desenvolvimento do Estado de Mato Grosso.
“Sabemos que as demandas e necessidades eclodem na base, lá na rua, no bairro, no município. Precisamos ter gente comprometida e que entenda que todas as transformações e mudanças passam pela política”, disse Geller ao parabenizar as mulheres pela realização do evento.
O correligionário e deputado estadual Paulo Araújo defendeu o trabalho do Progressistas em viabilizar a candidatura de mulheres ao Legislativo seja em nível municipal, estadual ou federal.
“Todos nós conhecemos muito bem as inúmeras dificuldades enfrentadas pelas mulheres para entrar na política e a forma como os demais partidos trabalham: apenas para cumprir as cotas. O PP sai na frente e fomenta a inserção feminina nos espaços de debate. Temos total condições de eleger vereadoras, deputadas estaduais e federais, inclusive, participar da majoritária a exemplo da nossa suplente de Senado, Margareth Buzetti”, declarou Araújo.
Durante o evento várias filiações foram feitas e o partido segue crescendo em Mato Grosso. Estiveram presentes no encontro o prefeito de Nova Marilândia, Jefferson Santos; delegada Regional de Rondonópolis, Divina Aparecida Vieira; secretária de Governo de Aripuanã, Graça Teixeira; secretária de Assistência Social de Peixoto de Azevedo, Marisete Alberti; secretária de Assistência Social de Jangada, Marcela Mendes; primeira-dama de Santo Afonso, Ludmilla; primeira-dama de Nova Marilândia, Amanda Santana; vereadora Ivone Brandão, de Dom Aquino; vereadora Vera Lúcia de Nova Monte Verde; ex-vereadora de Poconé, Camila Barbosa; coordenadora do PP Mulher de Cuiabá, Rose Araújo; deputado estadual Paulo Araújo e sua esposa Thaísa Araújo; pastora Ironildes do bairro Jardim União de Cuiabá; além de lideranças políticas de vários municípios.

A coordenadora do PP Mulher em Mato Grosso, Juliana Geller, falou do empoderamento feminino e do papel da mulher na sociedade.
“Podemos e devemos estar onde quisermos. Precisamos acreditar que somos capazes, porque somos! Tudo na vida, absolutamente tudo passa ou depende da política, então, que façamos parte e sejamos atuantes para que os resultados sejam aqueles que a gente deseja”, disse a advogada ao destacar a bandeira do PP por igualdade às mulheres, jovens, idosos, negros, portadores de necessidades especiais e o público Lgbtqia+.
Da redação:
Embora nos últimos anos tenhamos progredido em alguns aspectos em relação às questões dos direitos das mulheres, percebemos que na atuação política, muito ainda precisa ser feito. A desejada igualdade de gênero está em progresso e ações afirmativas estimulam o debate e contribuem para que possamos reparar essa desigualdade construída historicamente.
Vale destacar ainda, que mesmo com a importância das iniciativas de ações afirmativas, essas não se configuram como meio e fins únicos para a viabilização de mais mulheres na política. Para isso, é necessário que os políticos, os partidos e o Estado se comprometam com uma agenda mais igualitária e que a sociedade civil consiga estimular e exigir uma mudança nesse cenário.
Política
Delações de executivos da Aegea implicam deputado federal em “Esquema de Propinas Multimilionárias”
O cenário político e corporativo brasileiro enfrenta um novo e complexo abalo institucional com a revelação de graves acusações de corrupção que conectam o setor de infraestrutura ao Parlamento. Ex-executivos da Aegea, considerada a maior empresa privada de saneamento básico do território nacional, acusaram formalmente o deputado federal mato-grossense, Juarez Costa (Republicanos) de receber vantagens indevidas estimadas em R$ 30 milhões, além de um veículo de luxo da marca BMW. O vultoso suborno teria sido repassado ao político com o objetivo claro de facilitar de forma ilícita os negócios e os contratos da concessionária de serviços públicos de água e esgoto no município mato-grossense de Sinop.
As graves denúncias que envolvem o congressista ganharam publicidade por meio de uma detalhada reportagem investigativa assinada pelo jornalista Eduardo Militão, veiculada originalmente no portal de notícias Metrópoles. A divulgação do caso trouxe à tona os bastidores de um suposto esquema de favorecimento financeiro que operava na interface entre o poder público municipal e a iniciativa privada. O impacto da publicação jornalística repercutiu imediatamente nos principais centros políticos do país, uma vez que o conteúdo exposto detalha transações clandestinas que fragilizam a lisura de concorrências públicas e a própria governança de grandes corporações nacionais.
As supostas ilegalidades teriam ocorrido de forma continuada ao longo de um período de sete anos, compreendido especificamente entre as gestões de 2009 e 2016, época em que Juarez Costa comandava o Poder Executivo como Prefeito de Sinop. Os repasses financeiros ilícitos e as negociações escusas estendiam-se na mesma medida em que a empresa expandia sua atuação regulatória na promissora região norte do Estado de Mato Grosso. Os prazos delineados pelos investigadores apontam para uma prática sistêmica e duradoura, indicando que o mecanismo de corrupção institucionalizada mantinha-se estável e imune aos controles internos da administração municipal durante os dois mandatos consecutivos do então chefe do Executivo local.
A base factual e jurídica que sustenta as pesadas acusações contra o parlamentar está materializada em minuciosos acordos de colaboração premiada firmados por cinco antigos dirigentes de alto escalão da Aegea com o Ministério Público. As referidas delações premiadas foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário e acabaram chanceladas e homologadas em definitivo no ano de 2025 pelo ministro Raul Araújo, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A participação de magistrados da Suprema Corte confere robustez jurídica aos relatos dos colaboradores, transformando os depoimentos em peças fundamentais de um inquérito que tramita sob rigoroso sigilo e obedece aos ritos processuais penais vigentes no país.
A motivação primordial que impulsionou o pagamento das vultosas propinas residia na busca incessante da Aegea por vantagens comerciais e pela garantia de hegemonia em contratos públicos de saneamento. Os ex-executivos da companhia admitiram que a distribuição de propinas funcionava como uma ferramenta estratégica de expansão corporativa agressiva, destinada a neutralizar a concorrência e a assegurar aditivos contratuais benéficos aos interesses privados.
O suborno era encarado pelos operadores do esquema como um custo operacional necessário para viabilizar a entrada e a permanência da concessionária em mercados municipais estratégicos, garantindo receitas previsíveis e de longo prazo mediante a corrupção de agentes políticos.
O modus operandi estruturado para a execução das fraudes baseava-se em um amplo consórcio de corrupção que extrapolou as fronteiras mato-grossenses, conforme confissões que apontam para o pagamento global de R$ 63 milhões em propinas. Esse esquema ramificado, ativo entre 2010 e 2018, envolveu diretamente vinte municípios distribuídos por seis estados da federação, demonstrando o caráter interestadual da engrenagem criminosa.
As transferências financeiras eram dissimuladas por meio de contratos fictícios e prestação de serviços simulados, técnicas contábeis sofisticadas projetadas especificamente para ludibriar órgãos de fiscalização e dar aparência de legalidade aos recursos de origem nitidamente espúria.
A relevância institucional deste caso ganha contornos dramáticos devido ao peso econômico da Aegea, uma gigante do setor privado que atende milhões de usuários e opera em centenas de cidades brasileiras. A relevância da denúncia amplia-se diante do contexto de forte expansão do mercado de saneamento básico no Brasil, impulsionado por recentes modificações no marco regulatório nacional que estimularam a privatização dos serviços essenciais. Suspeitas de fraudes em uma corporação desse porte geram severas desconfianças no mercado financeiro e comprometem a credibilidade dos modelos de concessão pública, levantando dúvidas sobre a real eficiência da participação privada em áreas sensíveis do desenvolvimento social.
A complexidade econômica da conjuntura agrava-se com a participação societária da Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, que realizou aportes bilionários na Aegea no exato período em que os crimes eram relatados. A referida holding injetou inicialmente R$ 1,3 bilhão na empresa de saneamento no ano de 2021, adicionando posteriormente um aporte complementar de R$ 1,2 bilhão, o que lhe confere hoje cerca de 13% do capital social da companhia.

Conquanto a menção à Itaúsa não configure indício de cumplicidade da holding nos atos ilícitos descritos pelos delatores, a presença de um investidor desse equilíbrio ilustra a magnitude financeira da holding e eleva o caso a uma crise de governança de repercussão internacional.
Os desdobramentos desta investigação provocaram reações imediatas nos bastidores políticos de Mato Grosso, onde Juarez Costa mantém uma sólida base eleitoral e exerce atualmente o mandato eletivo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ausência de manifestações imediatas por parte do parlamentar, que preferiu manter-se em silêncio quando instado a pronunciar-se pela equipe do Metrópoles, alimentou as especulações sobre seu futuro político e jurídico.
Analistas apontam que o avanço das apurações judiciais e uma eventual abertura de processo ético-parlamentar podem culminar em severas sanções políticas, incluindo o risco iminente de perda de mandato e de inelegibilidade.
O escândalo recoloca no centro do debate republicano a urgência de mecanismos permanentes de transparência e de controle social rígido sobre os contratos de concessão de serviços de utilidade pública. Quando a prestação de serviços fundamentais à saúde e à dignidade humana torna-se dependente de vultosas parcerias com conglomerados econômicos privados, a fiscalização estatal não pode apresentar falhas nem tolerar interferências políticas espúrias.
O desfecho das investigações em curso será determinante para demonstrar a capacidade das instituições brasileiras em punir crimes de colarinho branco, assegurando que o interesse público prevaleça de forma absoluta sobre ambições financeiras particulares e coalizões criminosas.
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