RENOVAÇÃO DO DIRETÓRIO
MDB sem consenso para presidência estadual
O Diretório Estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de Mato Grosso realizou em abril de 2019, uma convenção que confirmou o então deputado federal Carlos Gomes Bezerra como presidente da sigla no Estado de Mato Grosso. A Executiva elegeu também a deputada estadual Janaína Riva para a assumir a primeira vice-presidência.
Neste ano de 2023, após longo tempo a frente do MDB em Mato Grosso, o ex-deputado federal Carlos Bezerra confirmou que estaria se licenciando do cargo, da presidência do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de Mato Grosso. O cacique anunciou que ficaria longe das atividades político-partidárias por até 90 dias.
Segundo ele, a licença seria para contemplar a deputada estadual Janaína Riva (MDB).
“Vou me licenciar por 60 ou 90 dias para que a deputada Janaína exerça um pouco a presidência do partido, depois nós retornaremos para dar continuidade aos nossos trabalhos”.
Desde que não conseguiu se reeleger deputado federal no pleito de outubro passado, a sua possível saída da presidência do MDB vem sendo ventilada nos bastidores.
Carlos Bezerra contudo, negou que iria desistir de comandar o partido em Mato Grosso, e que estaria pronto para encarar a reeleição para continuar à frente da agremiação.
“Quem decide isso é a base do partido, os delegados de todo o estado virão e vão dizer se querem ou não que eu continue”, afirmou.
Juarez quer “reoxigenar” partido
Já o deputado federal Juarez Costa defende mudança e uma “reoxigenação” do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Mato Grosso, e chegou de anunciar que iria colocar o seu nome para disputar a presidência do Diretório Estadual. A princípio, o congressista afirma que irá buscar um consenso dentro da agremiação para assumir o posto. No entanto, caso não consiga, garante que irá para o embate.
Thiago defende Bezerra no comando
Já o deputado estadual Thiago Silva (MDB) defendeu que o ex-deputado federal, Carlos Bezerra, continue como presidente estadual da sigla. Em agosto o MDB passará por uma eleição interna para definir quem será o presidente da sigla em Mato Grosso e aqueles que comandarão os diretórios.
Para o parlamentar estadual, Carlos Bezerra é o único nome que tem força e o respeito de todos e, consequentemente, pode apaziguar os conflitos internos entre os membros do partido.
Riva no comando
Já a deputada estadual Janaína Riva (MDB) disse que irá assumir interinamente a presidência do partido durante férias do ex-deputado federal Carlos Bezerra, que lidera a sigla há mais de 28 anos em Mato Grosso. Em Cuiabá o Diretório Municipal está sob uma medida provisória e que isso também será discutido nos próximos dias.
“Agora eu aguardo a licença do Bezerra para assumir a presidência do MDB. Antes disso, já vamos trabalhar com foco nas eleições, inclusive, Cuiabá e Várzea Grande para 2024”.
A parlamentar estadual do MDB, disse ainda que não irá entrar na briga pessoal que tem com o Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, que tenta comandar a sigla em Cuiabá.
“A decisão da maioria eu, enquanto presidente, vou evitar pessoalizar isso dentro do MDB. E daqui alguns dias tenho direção do diretório estadual, deve ser em agosto e, aí, Emanuel pode concorrer à presidência do partido caso ele queira”.
“E daqui uns dias tem a eleição do diretório estadual, nós vamos cuidar de todo esse processo e também dar os encaminhamos para eleição de 2024”.
A parlamentar emedebista disse que o partido não irá abandonar o cacique Carlos Bezerra, que não foi reeleito, “agora que vem passando por tantos problemas”.
Nas eleições de 2022, o MDB apoiou o governador Mauro Mendes (UB), que atuou na campanha de Jair Messias Bolsonaro (PL) no Estado.
Pinheiro defende renovação
O Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, já afirmou ser contra a exclusão do cacique Carlos Bezerra, mas defende a renovação dentro da sigla em Mato Grosso. O prefeito cuiabano confirmou que já conversou com o deputado federal Juarez Costa (MDB), um dos defensores da renovação emedebista e que é apontado por alguns como quem quer assumir a direção do partido no lugar de Bezerra.
Convocação de Bezerra
O ex-deputado federal e principal líder do MDB no Estado, Carlos Bezerra, decidiu convocar uma reunião da cúpula estadual para discutir a composição da nova direção estadual da legenda para os próximos anos.
O encontro ocorrerá em junho, após inúmeras tentativas em vão de reunião com a deputada estadual Janaína Riva (MDB), no comando do partido.
A iniciativa de Carlos Bezerra mostra que a sigla segue sem consenso para saber quem será o próximo presidente, já que a bancada estadual e federal, tem evitado discutir o assunto.
A alegação de ambos os lados é de que o conflito de agenda entre os deputados estaduais, e os deputados federal Juarez Costa e Emanuelzinho Pinheiro.
Contudo, nos bastidores, a informação é de que Janaína Riva teme que a direção nacional indique Juarez Costa para presidir o partido, já que ele compõe a bancada federal.
A parlamentar alega possuir o apoio da maioria dos diretórios municipais, e que por isso, teria o apoio da maioria para substituir Carlos Bezerra. Sem data ainda, a reunião deverá ocorrer na primeira semana de junho.
Política
Delações de executivos da Aegea implicam deputado federal em “Esquema de Propinas Multimilionárias”
O cenário político e corporativo brasileiro enfrenta um novo e complexo abalo institucional com a revelação de graves acusações de corrupção que conectam o setor de infraestrutura ao Parlamento. Ex-executivos da Aegea, considerada a maior empresa privada de saneamento básico do território nacional, acusaram formalmente o deputado federal mato-grossense, Juarez Costa (Republicanos) de receber vantagens indevidas estimadas em R$ 30 milhões, além de um veículo de luxo da marca BMW. O vultoso suborno teria sido repassado ao político com o objetivo claro de facilitar de forma ilícita os negócios e os contratos da concessionária de serviços públicos de água e esgoto no município mato-grossense de Sinop.
As graves denúncias que envolvem o congressista ganharam publicidade por meio de uma detalhada reportagem investigativa assinada pelo jornalista Eduardo Militão, veiculada originalmente no portal de notícias Metrópoles. A divulgação do caso trouxe à tona os bastidores de um suposto esquema de favorecimento financeiro que operava na interface entre o poder público municipal e a iniciativa privada. O impacto da publicação jornalística repercutiu imediatamente nos principais centros políticos do país, uma vez que o conteúdo exposto detalha transações clandestinas que fragilizam a lisura de concorrências públicas e a própria governança de grandes corporações nacionais.
As supostas ilegalidades teriam ocorrido de forma continuada ao longo de um período de sete anos, compreendido especificamente entre as gestões de 2009 e 2016, época em que Juarez Costa comandava o Poder Executivo como Prefeito de Sinop. Os repasses financeiros ilícitos e as negociações escusas estendiam-se na mesma medida em que a empresa expandia sua atuação regulatória na promissora região norte do Estado de Mato Grosso. Os prazos delineados pelos investigadores apontam para uma prática sistêmica e duradoura, indicando que o mecanismo de corrupção institucionalizada mantinha-se estável e imune aos controles internos da administração municipal durante os dois mandatos consecutivos do então chefe do Executivo local.
A base factual e jurídica que sustenta as pesadas acusações contra o parlamentar está materializada em minuciosos acordos de colaboração premiada firmados por cinco antigos dirigentes de alto escalão da Aegea com o Ministério Público. As referidas delações premiadas foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário e acabaram chanceladas e homologadas em definitivo no ano de 2025 pelo ministro Raul Araújo, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A participação de magistrados da Suprema Corte confere robustez jurídica aos relatos dos colaboradores, transformando os depoimentos em peças fundamentais de um inquérito que tramita sob rigoroso sigilo e obedece aos ritos processuais penais vigentes no país.
A motivação primordial que impulsionou o pagamento das vultosas propinas residia na busca incessante da Aegea por vantagens comerciais e pela garantia de hegemonia em contratos públicos de saneamento. Os ex-executivos da companhia admitiram que a distribuição de propinas funcionava como uma ferramenta estratégica de expansão corporativa agressiva, destinada a neutralizar a concorrência e a assegurar aditivos contratuais benéficos aos interesses privados.
O suborno era encarado pelos operadores do esquema como um custo operacional necessário para viabilizar a entrada e a permanência da concessionária em mercados municipais estratégicos, garantindo receitas previsíveis e de longo prazo mediante a corrupção de agentes políticos.
O modus operandi estruturado para a execução das fraudes baseava-se em um amplo consórcio de corrupção que extrapolou as fronteiras mato-grossenses, conforme confissões que apontam para o pagamento global de R$ 63 milhões em propinas. Esse esquema ramificado, ativo entre 2010 e 2018, envolveu diretamente vinte municípios distribuídos por seis estados da federação, demonstrando o caráter interestadual da engrenagem criminosa.
As transferências financeiras eram dissimuladas por meio de contratos fictícios e prestação de serviços simulados, técnicas contábeis sofisticadas projetadas especificamente para ludibriar órgãos de fiscalização e dar aparência de legalidade aos recursos de origem nitidamente espúria.
A relevância institucional deste caso ganha contornos dramáticos devido ao peso econômico da Aegea, uma gigante do setor privado que atende milhões de usuários e opera em centenas de cidades brasileiras. A relevância da denúncia amplia-se diante do contexto de forte expansão do mercado de saneamento básico no Brasil, impulsionado por recentes modificações no marco regulatório nacional que estimularam a privatização dos serviços essenciais. Suspeitas de fraudes em uma corporação desse porte geram severas desconfianças no mercado financeiro e comprometem a credibilidade dos modelos de concessão pública, levantando dúvidas sobre a real eficiência da participação privada em áreas sensíveis do desenvolvimento social.
A complexidade econômica da conjuntura agrava-se com a participação societária da Itaúsa, holding controladora do Itaú Unibanco, que realizou aportes bilionários na Aegea no exato período em que os crimes eram relatados. A referida holding injetou inicialmente R$ 1,3 bilhão na empresa de saneamento no ano de 2021, adicionando posteriormente um aporte complementar de R$ 1,2 bilhão, o que lhe confere hoje cerca de 13% do capital social da companhia.

Conquanto a menção à Itaúsa não configure indício de cumplicidade da holding nos atos ilícitos descritos pelos delatores, a presença de um investidor desse equilíbrio ilustra a magnitude financeira da holding e eleva o caso a uma crise de governança de repercussão internacional.
Os desdobramentos desta investigação provocaram reações imediatas nos bastidores políticos de Mato Grosso, onde Juarez Costa mantém uma sólida base eleitoral e exerce atualmente o mandato eletivo na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ausência de manifestações imediatas por parte do parlamentar, que preferiu manter-se em silêncio quando instado a pronunciar-se pela equipe do Metrópoles, alimentou as especulações sobre seu futuro político e jurídico.
Analistas apontam que o avanço das apurações judiciais e uma eventual abertura de processo ético-parlamentar podem culminar em severas sanções políticas, incluindo o risco iminente de perda de mandato e de inelegibilidade.
O escândalo recoloca no centro do debate republicano a urgência de mecanismos permanentes de transparência e de controle social rígido sobre os contratos de concessão de serviços de utilidade pública. Quando a prestação de serviços fundamentais à saúde e à dignidade humana torna-se dependente de vultosas parcerias com conglomerados econômicos privados, a fiscalização estatal não pode apresentar falhas nem tolerar interferências políticas espúrias.
O desfecho das investigações em curso será determinante para demonstrar a capacidade das instituições brasileiras em punir crimes de colarinho branco, assegurando que o interesse público prevaleça de forma absoluta sobre ambições financeiras particulares e coalizões criminosas.
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