Política
“Política deles é ‘quanto pior, melhor'”
O secretário-geral do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o advogado Ussiel Tavares da Silva Filho, disse que o grupo oposicionista aposta na política de “quanto pior, melhor” para atingir objetivos que classificou como “espúrio”.
A declaração foi feita após o pré-candidato ao Governo do Estado, o empresário Mauro Mendes Ferreira do Partido Democrata (DEM) ter aparecido na imprensa para afirmar que o tucano Pedro Taques também do mesmo partido, o PSDB, estaria usando a obra do Novo Pronto Socorro de Cuiabá para fins eleitoreiros.
Segundo Ussiel Tavares, a declaração do pré-candidato ao Governo pela oposição foi recebida com estranhamento entre membros do grupo tucano. “Estão criticando Pedro Taques por ter tirado do papel uma obra que eles mesmos não conseguiram. Criticar o Governo por isso é, na verdade, reconhecer a capacidade do Pedro de fazer uma boa gestão“, completou.
Nas últimas semanas, o grupo oposicionista fez uma série de investidas na Justiça para colocar à prova entregas de Taques à população mato-grossense. Na primeira delas, o grupo tentou inclusive suspender pós-operatórios de pacientes submetidos a cirurgias de catarata no município de Sinop, parte do programa Caravana da Transformação. Em seguida, o grupo tentou impedir judicialmente Taques de continuar a se comunicar com o povo por meio de suas redes sociais, ação que realiza desde que se tornou político em 2010.
Nesta segunda-feira (23), no entanto, a “oposição” contabilizou mais uma derrota na Justiça. O juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Ulisses Rabaneda, negou um pedido ingressado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para questionar a legalidade da execução do programa “Endereço Certo“, que realiza a entrega de casa própria a famílias que aguardam anos pela documentação.
A argumentação era a de que o Governo poderia estar usando a entrega de títulos para promover a imagem de Taques com vistas ao pleito de outubro. Ao negar o pedido de informações, o magistrado afirmou não ter indícios mínimos quanto à existência da conduta vedada pela legislação eleitoral.
“Você percebe que há uma incoerência no discurso. Eles não têm condições de dizer que Pedro Taques não fez, então tentam de todo jeito atacar as entregas. Como é possível um grupo querer governar Mato Grosso dessa forma: questionando cirurgias oftalmológicas e entregas de títulos da casa própria que não eram feitas há 40 anos? Estão acusando o governador de ter feito uma boa gestão“, questionou Ussiel Tavares.
Mendes apareceu na imprensa nesta segunda criticando o Governo por ter se “apropriado” da obra do Novo Pronto Socorro para fins eleitoreiros. Além disso, o PDT, aliado de Mendes, tem iniciado uma guerra judicial para questionar serviços já entregues.
Para Ussiel, que é ex-presidente da OAB-MT, com tantas ações judiciais motivadas por razões políticas quem sai prejudicado é o cidadão. “Esse não é o tipo de política que o PSDB propõe para Mato Grosso. Nosso partido quer um debate qualificado, quer garantir que as mudanças feitas pelo governador continuem“, concluiu.
HISTÓRICO – Em 2012, Mauro Mendes foi eleito prefeito de Cuiabá com a promessa de entregar um novo hospital, mas o projeto só foi apresentado em 2014. No dia da apresentação para a imprensa, Mendes levou o projeto para conhecimento do ex-governador Silval Barbosa (MDB). Naquele momento, o orçamento do ano seguinte (2015) ainda não havia sido votado e Mauro teve a primeira negativa do Estado para construção do hospital. O Novo Pronto Socorro só começou a ser construído depois de um convênio assinado pelo governador Pedro Taques no dia 10 de março de 2015, terceiro mês de mandato.
Política
Corrida ao Senado centraliza a força política e ofusca disputa pelo Palácio Paiaguás
A disputa pelas duas cadeiras no Senado Federal passou a mobilizar mais a cena política de Mato Grosso do que a própria corrida ao Governo do Estado. Em uma eleição com dinâmica atípica no cenário mato-grossense, os principais protagonistas e detentores de maior densidade eleitoral preferiram disputar o Congresso Nacional em vez de buscar o comando do Palácio Paiaguás.
As urnas em Mato Grosso receberão os votos para dez candidatos registrados que buscam as duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. O processo faz parte da renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado, nas quais 54 vagas estão em disputa, sendo exatamente duas por unidade da Federação.
O eleitorado mato-grossense chega ao pleito com 2,64 milhões de eleitores aptos a votar. Essa soma representa 1,66% do total nacional e posiciona Mato Grosso como o 18º maior colégio eleitoral do país, configurando um eleitorado decisivo para os projetos políticos nacionais.
A disputa pelas duas vagas atrai nomes consolidados da política estadual, como o ex-governador Mauro Mendes (UB), a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-governador Pedro Taques (PSB).

A movimentação nos quadros majoritários inclui o ex-governador Mauro Mendes, que se desincompatibilizou do Governo do Estado para concorrer ao Senado, enquanto Carlos Fávaro atua na campanha para renovar o mandato parlamentar obtido em 2020.
O capital político demonstrado na liderança das pesquisas por Mauro Mendes evidencia que seu alcance ultrapassa o de Otaviano Pivetta, governador que o sucedeu na gestão estadual e que agora disputa a reeleição.
A consolidação de lideranças também se reflete em Janaina Riva, que ganhou projeção no eleitorado superior à do próprio sogro, Wellington Fagundes, candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso. Fenômeno semelhante ocorre com o ex-ministro e senador Carlos Fávaro, detentor de um grupo com expressividade superior à de Natasha Slhessarenko, postulante do seu grupo ao Executivo Estadual.

Os dados apurados pelas pesquisas de intenção de voto confirmam a força da base conservadora e de seus aliados no estado. O cenário mostra que, ao lado da influência governista, nomes como Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Mauro Mendes demonstram expressiva capacidade de mobilização, fortalecendo o bloco de direita na fase que antecede o primeiro turno, em 4 de outubro de 2026.
A projeção de um inédito segundo turno na eleição para o Governo de Mato Grosso amplia a relevância estratégica dos quadros legislativos. Os senadores e deputados eleitos na primeira votação do pleito exercerão papel central na construção de alianças e na sustentação dos palanques dos candidatos a governador que avançarem à etapa final da disputa.
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