ESTRATÉGIA E IMPASSE
Podemos adia definição de alianças majoritárias em Mato Grosso
O Que Aconteceu
O Diretório Estadual do Podemos em Mato Grosso encerrou a sua convenção oficial sem definir os rumos das coligações para a disputa ao Governo do Estado e ao Senado Federal.
Quem Esteve Envolvido
A liderança do processo é conduzida pelo deputado estadual Max Russi, presidente da sigla estadual e da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), acompanhado por militantes e pré-candidatos homologados pelo partido.
Quando Ocorreu
As deliberações estenderam-se ao longo da última terça-feira (4), postergando o veredito final e o fechamento das negociações para a quarta-feira (5), data limite do calendário eleitoral.
Onde Ocorreu
O evento político e os desdobramentos das articulações de bastidores tiveram como palco principal a cidade de Cuiabá, capital e centro decisório do Estado de Mato Grosso.

Por Que Aconteceu
A hesitação na tomada de decisão decorre da busca pragmática por composições que garantam ao partido maior relevância política, espaços estratégicos na majoritária e proteção eleitoral aos seus filiados.
Como Aconteceu
Com respaldo unânime da militância, a convenção oficializou 25 candidaturas para a Assembleia Legislativa e 9 para a Câmara dos Deputados, delegando o martelo final das alianças à comissão executiva.
Quanto Custa a Decisão
A indefinição impõe um elevado custo político, haja vista que escolhas precipitadas ou alianças mal consolidadas podem comprometer o desempenho nas urnas dos candidatos do partido às vagas proporcionais.
Quais Foram as Alternativas Descartadas
O grupo partidário avaliou e declinou a proposta de lançar chapa própria ao Governo do Estado encabeçada pelo empresário Elson Ramos, priorizando o fortalecimento das bancadas estadual e federal.
Quais São os Rumos Mapeados
O partido oscila entre compor a chapa do candidato Wellington Fagundes (PL), aceitar a suplência ao Senado na chapa governista do ex-governador Mauro Mendes (UB) ou manter postura de neutralidade na corrida ao Palácio Paiaguás.
O Que Esperar
Espera-se o encerramento do suspense com a publicação oficial da ata definitivas até o prazo limite, selando o posicionamento geopolítico definitivo do Podemos nas eleições estaduais.
Durante a convenção, a cada 10 discursos, oito eram de lamento por não ter o deputado estadual Max Russi como candidato ao Governo do Estado. A possibilidade foi ventilada várias vezes e até a noite de segunda-feira (3) havia sido cravada como certa, mas ontem o grupo recusou.
“Candidatura própria foi muito cogitada, muito avaliada, uma parcela do partido queria candidatura nossa. Tinha o sonho de ter o Podemos comandando este Estado, mas a maioria entendeu que, neste momento, precisamos fortalecer a chapa de deputados. Compor dentro das possibilidades, alguma coligação. Ocupar espaços e bons projetos. Amanhã é o último prazo e bateremos o martelo junto à executiva”.Finalizou o cacique do Podemos, Max Russi.
Chapa de deputado estadual
Adelcino
Lopo
Sargento Casarin
Alex
Rodrigues
Beto Dois a Um
Bira 20200
Celso Banazeski 20123
Fabinho Tardin 20222
Geovane Gamba 20444
Gustavo Bang 20111
Carlos Kan 20300
Marcos Paulista 20777
Mauro Savi 20040
Max Russi 20000
Meraldo Sá 20122
Professor Allan Kardec 20020
Rafael Machado 20364
Ulysses Moraes 20022
Alessandra Ferreira 20100
Janailza Taveira 20077
Joize Marques 20700
Karen Rocha 20322
Priscila Dourado 20333
Salete Bergamin 20007
Scheila Pedroso 20999
Valdeniria Dutra 20456
Chapa para deputado federal
Delegado Fred Murta 2000
Fernando Gorgen 2026
Nelson Barbudo 2020
Nery Geller 2011
Pastor Marcos Ritela 2022
Coronel Roveri 2044
Gisa Barros 2050
Kalynka Meirelles 2010
Katiuscia Mantelli 2080
Política
Fratura interna e boicote de 81% dos prefeitos do PL em Mato Grosso
A oficialização da candidatura do Senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado de Mato Grosso pelo Partido Liberal (PL) transformou-se no palco ostensivo de uma profunda fratura política interna. Durante o evento partidário realizado na capital mato-grossense, a busca pela demonstração de força e unidade deu lugar a um cenário de visível esvaziamento institucional, revelando que a consolidação da chapa majoritária na esfera estadual caminha a passos largos em sentido oposto aos interesses e às articulações da maioria das bases municipais da própria legenda.
Os protagonistas dessa conjuntura incerta dividem-se entre a cúpula que tenta sustentar o projeto majoritário e as lideranças locais que optaram pela dissidência declarada. Enquanto Wellington Fagundes busca se viabilizar no pleito estadual ao lado de sua nora, a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, figuras de expressivo peso eleitoral como: o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, Flávia Moretti (Várzea Grande), Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Álvaro Galvan (Tapurah), entre outros nomes, encabeçam o grupo de gestores que decidiram distanciar-se ostensivamente do palanque oficial.
O epicentro do impasse teve como palco presencial a cidade de Cuiabá, onde ocorreu a Convenção Estadual da Agremiação, contudo seus desdobramentos mais decisivos foram orquestrados a centenas de quilômetros dali, na capital federal. A tensão acumulada nos bastidores do Centro-Oeste exigiu uma intervenção direta do comando nacional em Brasília, evidenciando que a crise eleitoral mato-grossense extrapolou as fronteiras regionais e passou a demandar contornos de arbitragem estratégica no plano federal.
A cronologia dos fatos atingiu seu ponto mais crítico no início do mês, quando a reunião emergencial realizada em Brasília, na última segunda-feira (3), precedeu e selou o clima de frieza observado durante a Convenção. O encontro de urgência ocorreu em um momento determinante do calendário eleitoral, no qual a definição dos rumos das Coligações Partidárias demandava respostas rápidas para conter o agravamento de um desgaste público iminente às vésperas do início oficial da campanha.

O desdobramento prático dessa instabilidade operacionalizou-se por meio de uma ausência orquestrada e altamente simbólica no recinto do evento. Em vez de uma demonstração vibrante de apoio coletivo, a solenidade de homologação transcorreu sob o constrangimento de cadeiras vazias na ala destinada aos chefes dos Executivos Municipais, demonstrando de maneira inequívoca como a insatisfação do eleitorado interno se traduziu em um boicote prático às diretrizes impostas pelo diretório.
O elemento gerador dessa fricção reside na ampla rejeição da base liberal à aliança majoritária estabelecida com a deputada estadual emedebista Janayna Riva, aliada ao compromisso prévio firmado pela quase totalidade dos prefeitos em favor da candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A percepção de que a composição atendeu prioritariamente a arranjos de conveniência familiar no estado motivou a reação dos gestores, que enxergaram no acordo uma afronta ao alinhamento ideológico e pragmático construído nos municípios.
A mensuração dessa resistência reflete números expressivos e contundentes no mapa político estadual: dos 22 prefeitos eleitos ou filiados ao Partido Liberal em Mato Grosso, apenas quatro compareceram ao ato solene na capital.

A estatística traduz um índice de abstenção de 81% entre os gestores municipais da sigla, um dado numérico devastador para uma candidatura majoritária que necessita do engajamento direto das máquinas administrativas locais para capilarizar suas propostas no interior.
A cartada política articulada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao conduzir a reunião em Brasília ao lado do prefeito cuiabano Abilio Brunini, do deputado federal José Medeiros e do empresário Odílio Balbinotti Filho, visou deliberadamente pacificar o ambiente interno sem impor punições drásticas. O objetivo precípuo do ajuste foi conceder respaldo oficial para que os prefeitos do interior não sejam obrigados a fazer campanha para o senador, evitando assim uma debandada geral ou um colapso definitivo da sigla no estado.
A flexibilização aprovada pela direção nacional beneficia de forma direta os prefeitos e lideranças regionais que rechaçam a composição com o MDB de Janayna Riva, garantindo-lhes salvaguarda política e liberdade de atuação nos municípios. Dessa forma, a militância e os chefes locais ganham cobertura institucional para preservar suas alianças regionais com Otaviano Pivetta, resguardando suas respectivas bases eleitorais da rejeição associada ao arranjo majoritário chancelado na convenção.
Apesar do visível isolamento na disputa ao Palácio Paiaguás e ao Senado, a convenção estadual do PL cumpriu a formalidade de homologar as chapas relativas aos cargos proporcionais, chancelando os nomes que disputarão as cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e na Câmara Federal. O grande desafio que se impõe para a sequência do pleito será medir até que ponto a fratura na chapa majoritária impactará o desempenho dos candidatos a deputado, em um cenário em que a unidade partidária dá lugar a um pragmático arranjo de sobrevivência política individual.
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