EM VOTAÇÃO NA CASA DE LEIS
Plenário decidira por afastar ou não Paccola
O vereador e presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Lidio Barbosa, o Juca do Guaraná Filho (MDB), será o responsável por decidir se colocará ou não em votação o pedido de afastamento do vereador Marcos Paccola (Republicanos), feito pela vereadora Edna Sampaio (PT).
A decisão é da Comissão de Ética da Casa de Leis, que entendeu que cabe apenas ao plenário a decisão de afastar ou não um parlamentar.
“Está na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno, cabe à presidência da Câmara Municipal agir nesse tipo de questão, submetendo essa decisão de afastamento ao Plenário“.
Foi o que disse o vereador Lilo Pinheiro (PDT), presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá, logo após a reunião da Comissão que ouviu o vereador Marcos Paccola nesta segunda-feira (11).
Lilo Pinheiro afirmou que o pedido de cassação protocolado contra o vereador do Republicamos só deve ser analisado após a conclusão do inquérito policial que está sendo produzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e agora aguardará a conclusão do inquérito. Juca do Guaraná e Lilo Pinheiro se reuniram com delegado da Polícia Judiciária Civil (PJC), Hércules Batista Gonçalves, que é responsável pelo caso.
“Os delegados nos informaram que em menos de 30 dias, provavelmente, seria encaminhado para gente a produção de provas. Assim que chegar a produção de prova, abre-se o prazo de defesa para o vereador, e entregando a defesa dele, de forma célere a Comissão de Ética vai se posicionar”, explicou Lilo Pinheiro.
O vereador do partido Republicanos, Marcos Paccola, defendeu que qualquer decisão da Comissão de Ética em relação aos pedidos de cassação e de afastamento, por conta do inquérito policial que o investiga por ter matado o agente socioeducativo, Alexandre Miyagawa, a tiros, só seja tomada após a conclusão do inquérito policial da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que poderá prolongar até final de agosto.
Paccola assumiu que matou o agente socioeducativo Alexandre Miyagawa a tiros na última sexta-feira (1). Conforme registrado no boletim de ocorrência, Paccola teria pedido por várias vezes para o agente que colocasse a arma que carregava no chão, e, como teria ocorrido reação, ele reagiu, atirando 3 vezes contra o servidor público pelas costas.
“Espero que possam acompanhar as investigações e aguardar no mínimo o relatório do Inquérito para somente depois dar algum parecer sobre o pedido de afastamento e cassação“.
Paccola garante que aceitará qualquer decisão dada pela Comissão ou pelo pleno da Câmara de Cuiabá, mas que não abrirá mão de recorrer de qualquer decisão negativa.
“De toda forma, não tenho dificuldades de aceitar os resultados das coisas que não estão na minha governabilidade, isso não quer dizer que deixaremos de usar todas ferramentas e recursos que temos para que não aconteça“.
A mulher que estava com o agente dá outra versão e diz que Alexandre Miyagawa não estava com a arma em punho. Paccola prestou depoimento na Delegacia de Homicídios e depois foi liberado. Além do pedido de cassação, Paccola também recebeu um pedido de afastamento cautelar por parte da vereadora Edna Sampaio (PT). Na solicitação, a parlamentar argumentou que conduta de Paccola “extrapola qualquer limite suportável e rebaixa a Casa Legislativa”.
De acordo com o presidente da Comissão, o afastamento deve ser apreciado até a próxima segunda.
“A resposta da presidência para Comissão de Ética será feita até segunda-feira. Tem muita coisa que está sob sigilo, mas ao final na conclusão, todos os documentos serão entregues. Tudo isso será analisado”, pontuou.
O pedido de cassação e afastamento do parlamentar foi protocolado nesta semana pela vereador Edna Sampaio. Já na quinta-feira (7), a Procuradoria Jurídica da Câmara deu parecer pelo afastamento do vereador republicano Marcos Paccola. – (Com GazetaDigital)
Política
Racha na chapa majoritária do PL de Mato Grosso exalta o pragmatismo das alianças e gera impasse político
“A política ama a traição e odeia o traidor”.
A frase atribuída a Lionel Brizola é absolutamente verdadeira, mas pouco compreendida.⠀
Na política, dinâmica e cercada de interesses, não somente no sentido negativo, é impossível que não exista expectativas frustradas, parcerias desfeitas e claro, traições.⠀
Logo, quem está na política será traído e irá trair. Uns com menos pudor e outros com mais. Mas trocar pessoas e acordos como mercadorias faz parte do negócio.⠀
Mas tão importante quanto saber disso é entender que quanto menos você parecer traidor, mesmo que traia, melhor será sua vida na política.⠀
O empresário Marcelo Maluf do Partido Novo, já no começo de sua trajetória política sentiu o gosto amargo da traição, quando foi comunicado que não seria mais vice na chapa do Senador pelo Partido Liberal (PL), com o cabeça de chapa Wellington Fagundes.

A consolidação das chapas eleitorais no cenário político de Mato Grosso sofreu uma reviravolta expressiva com o anúncio da substituição do nome indicado ao cargo de vice-governador na coligação encabeçada pelo Partido Liberal. A alteração abrupta retirou o empresário Marcelo Maluf da composição majoritária, deflagrando um severo desentendimento público no núcleo partidário e evidenciando a frieza pragmática que costuma reger as negociações de bastidor na busca pelo poder.
Os protagonistas desse imbróglio interno são o empresário Marcelo Maluf, figura até então chancelada para compor o projeto, e o senador Wellington Fagundes, liderança do PL e pré-candidato ao Governo do Estado. A reorganização culminou na ascensão do médico Alencar Farina, também filiado ao PL, nome que passa a ocupar o posto anteriormente prometido e articulado junto à base aliada.
A crise tomou contornos públicos nesta sexta-feira, ocasião em que Maluf foi formalmente notificado de seu afastamento da chapa majoritária e manifestou-se por meio de uma nota oficial. A tempestade política eclodiu em momento decisivo do calendário eleitoral, período no qual as candidaturas já se encontravam em fase avançada de estruturação e planejamento estratégico de campanha.
O episódio desenrola-se no epicentro da política mato-grossense, estado no qual o Partido Liberal busca consolidar sua hegemonia e expandir o alcance de sua base aliada junto ao eleitorado regional. O impacto da decisão ecoou instantaneamente nas instâncias partidárias da capital, Cuiabá, e dos demais municípios estratégicos, alterando a interlocução com empresários e setores produtivos da região.
A desarticulação ocorreu mediante uma comunicação direta feita pelo próprio senador Wellington Fagundes a Marcelo Maluf, informando-o sobre a escolha de um novo nome para a vaga. Em resposta imediata, o empresário tornou pública uma contundente nota, na qual repudiou formalmente a conduta dos dirigentes e expôs os bastidores do rompimento à imprensa e à sociedade.
A reviravolta decorre das rearrumações táticas e da busca por alinhamento tático no âmbito da diretoria estadual do Partido Liberal. Enquanto a cúpula buscou redesenhar a chapa para atender a conveniências políticas imediatas, a manobra acabou por desconsiderar acordos prévios que haviam sido formalizados internamente durante os trâmites partidários.
Em suas declarações, Marcelo Maluf fundamentou seu descontentamento ressaltando que o convite inicial não representou um mero diálogo informal, mas sim uma construção política devidamente homologada na Convenção Partidária. O empresário destacou que já havia mobilizado apoiadores, estruturado diretrizes e iniciado a montagem das equipes de atuação ao lado da chapa de Fagundes.
O tom do protesto subiu de intensidade quando Maluf classificou a alteração repentina como uma manifestação de falta de respeito pessoal e político por parte do senador e do PL estadual. Em forte apelo ético, o empresário sustentou que lideranças incapazes de honrar compromissos assumidos internamente carecem de credibilidade para pleitear a confiança de mais de três milhões de mato-grossenses.
Diante da irreversibilidade do cenário, o empresário sinalizou sua recusa em naturalizar práticas políticas marcadas por quebras de palavra e pela volatilidade das parcerias. Afirmando estar de consciência tranquila por haver cumprido integralmente todas as exigências pactuadas, Maluf enfatizou que caberá aos articuladores da mudança responder perante a opinião pública pelas decisões adotadas.
O desfecho do conflito insere um componente de incerteza e desgaste reputacional na pré-campanha de Wellington Fagundes, que agora precisará reestruturar seu discurso de unidade e integrar Alencar Farina à chapa.
O episódio reforça a máxima atribuída a Lionel Brizola de que “a política ama a traição, mas odeia o traidor“, deixando para o eleitorado o julgamento sobre a maturidade ética dos projetos colocados em disputa.
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