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COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO EM MT

Parlamentar quer cruzar dados para cortar “Incentivos Fiscais” de infratores

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A atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, popularmente denominado “Lista Suja”, foi publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no dia 6 de abril de 2026. O documento oficial expõe a persistência de práticas laborais degradantes no tecido econômico do país, servindo como um radiógrafo das violações de direitos humanos e fornecendo subsídios jurídicos para que órgãos fiscalizadores e esferas governamentais adotem sanções administrativas e econômicas imediatas contra as empresas infratoras.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) coordenou as ações de fiscalização e a subsequente publicização do relatório, atuando em conjunto com a Secretaria de Inspeção do Trabalho. Paralelamente, no âmbito do Poder Legislativo de Mato Grosso, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) assumiu o protagonismo político ao requerer formalmente informações detalhadas às secretarias de Estado. Essa articulação institucional visa garantir que os mecanismos de coerção financeira sejam aplicados com precisão e amparo legal.

O resgate histórico e recente de 2.247 trabalhadores em todo o território nacional motivou a severa atualização do cadastro governamental e a consequente reação legislativa em âmbito estadual. A recorrência de flagrantes em setores estratégicos da economia brasileira demandou uma intervenção punitiva que ultrapassasse a esfera criminal, atingindo diretamente o fluxo de caixa das organizações criminosas e das empresas que se utilizam da precarização extrema para auferir lucros ilícitos.

Mesmo com a abolição da escravatura em 1888, ainda é possível perceber práticas de escravidão nos dias atuais. Assim, criou-se um cadastro de empregadores que costumam utilizar trabalho escravo, a chamada “lista suja”, que tem gerado polêmica em relação à sua constitucionalidade.

O território do Estado de Mato Grosso e os principais centros de exploração rural e urbana do país constituem os cenários geográficos onde se concentram as autuações coordenadas pelo governo federal. No contexto mato-grossense, as operações ganharam contornos críticos em municípios como Alta Floresta onde houve a autuação da RC Mineradora Ltda, e Vila Bela da Santíssima Trindade, com o registro envolvendo Tomas Andrzejewski, evidenciando que a chaga do trabalho degradante se espalha tanto por regiões de mineração profunda quanto por fronteiras agrícolas em expansão.

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A consolidação jurídica das sanções econômicas ocorreu no dia 14 de abril de 2026, data em que entrou em vigor a Lei Complementar Estadual nº 839/2026, após ter sido amplamente debatida e aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT).

O marco temporal que impulsionou as investigações estaduais também engloba as operações de fiscalização realizadas em outubro de 2025, o pico de resgates verificado em janeiro de 2026 e a divulgação da mais recente listagem ministerial no início de abril do corrente ano.

A proibição absoluta da concessão de “Incentivos Fiscais” e “Benefícios Financeiros Estaduais” a pessoas físicas ou jurídicas inseridas no cadastro do MTE configura o mecanismo central da nova legislação. O deputado Lúdio Cabral formalizou um requerimento direcionado ao secretário de Estado de Fazenda, Fabio Pimenta, e à secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman Benício, exigindo relatórios técnicos que comprovem o cruzamento individualizado de dados para identificar e suspender repasses públicos a criminosos.

O alarmante volume de trabalhadores submetidos a condições sub-humanas justifica a urgência das medidas adotadas pelas autoridades brasileiras, visto que Mato Grosso chegou a liderar o ranking nacional de resgates.

As estatísticas oficiais registram o resgate acumulado de 627 pessoas no estado, incluindo um caso de extrema gravidade em janeiro de 2026, no qual 563 operários foram retirados de uma obra de usina, além dos registros de outubro de 2025, que apontavam 11 empregadores locais vinculados à exploração de 41 cidadãos.

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A fragmentação dos setores econômicos envolvidos revela que os serviços domésticos lideraram as inclusões nacionais na lista com 23 ocorrências, seguidos de perto pela criação de bovinos para corte, com 18 registros, e pelo cultivo de café, que contabilizou 12 casos. A construção de edifícios, com 10 autuações, e os serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita, com 6 registros, completam os principais nichos onde a dignidade humana foi violada em nome do lucro mercantil.

A eficácia prática da Lei Complementar nº 839/2026 depende do estrito cumprimento do rito administrativo, o qual prevê o direito ao contraditório e à ampla defesa antes da exclusão definitiva dos benefícios fiscais relativos ao ICMS. O parlamentar mato-grossense requer o fornecimento integral dos processos administrativos que embasaram as concessões vigentes, visando instaurar procedimentos de revisão, suspensão ou cancelamento imediato das benesses fiscais caso seja constatada a presença de qualquer infrator na listagem do MTE.

O monitoramento rigoroso e a asfixia financeira dos empregadores que promovem a escravidão moderna desenham o objetivo final desta ação conjunta entre os poderes constituídos.

“Estamos requerendo todos os documentos e informações individualizadas, para cumprir nosso dever de fiscalizar o cumprimento da lei“, asseverou o deputado Lúdio Cabral, sintetizando o esforço institucional para erradicar a impunidade e banir de Mato Grosso as práticas corporativas que violam a dignidade do trabalhador brasileiro.

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Política

Flávia Moretti desafia crise no PL, mantém filiação e consolida apoio a Pivetta

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A Prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou nesta quinta-feira (24) que não pretende deixar voluntariamente o Partido Liberal (PL), apesar do conflito com a direção estadual da legenda provocado por seu apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição em Mato Grosso. Durante um ato político da campanha do republicano, a Prefeita da Cidade Industrial declarou que permanecerá filiada ao PL e que somente deixará a sigla caso seja expulsa. A manifestação ocorreu em meio ao avanço de sua aproximação pública com Pivetta.

A posição de Flávia Moretti ocorre após ela contrariar a orientação política de seu próprio partido e declarar apoio a Pivetta na disputa pelo Governo de Mato Grosso. O PL lançou o Senador Wellington Fagundes como candidato ao Palácio Paiaguás, o que colocou a prefeita várzea-grandense em uma situação de divergência com a direção estadual da legenda. O episódio ampliou o debate sobre a permanência de lideranças municipais do partido que decidiram apoiar uma candidatura adversária.

Apesar do desgaste partidário, Flávia voltou a demonstrar publicamente sua proximidade com Pivetta durante o evento realizado em Cuiabá. A prefeita participou da mobilização eleitoral e foi registrada dançando ao som do jingle “Bora Pivetar”, gesto que reforçou visualmente seu alinhamento com a campanha do governador. A participação ocorreu mesmo com sua permanência formal no PL e com Wellington Fagundes concorrendo ao Governo pelo mesmo partido.

Questionado sobre a situação partidária da prefeita, Pivetta evitou tratar de um eventual convite para que ela se filie ao Republicanos. O governador destacou a relação administrativa entre o Estado e o Município de Várzea Grande e afirmou, segundo relatos publicados sobre o episódio, que Flávia não precisaria discutir uma eventual mudança partidária neste momento. A declaração deslocou o foco da disputa interna do PL para a parceria entre as duas administrações.

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A aproximação entre Flávia e Pivetta também está relacionada a demandas consideradas prioritárias para Várzea Grande. Entre elas está o abastecimento de água, tema que passou a integrar uma atuação conjunta entre o Governo de Mato Grosso e a Prefeitura Municipal. A própria prefeita já havia associado seu apoio político ao governador ao auxílio recebido pelo município para enfrentar problemas estruturais, especialmente aqueles relacionados ao fornecimento de água.

A crise entre Flávia e o PL Estadual não começou com o ato desta quinta-feira. Nos dias anteriores, a prefeita havia admitido que recebeu convites de diferentes partidos, inclusive do Republicanos, mas também afirmou que sua eventual saída da legenda ainda estava em avaliação. A mudança de postura apresentada agora indica que, ao menos neste momento, sua intenção é permanecer formalmente no PL, mesmo mantendo o apoio eleitoral a Pivetta.

O conflito ganhou dimensão maior depois que a Direção Estadual do PL anunciou procedimentos internos para analisar a situação de prefeitos que declararam apoio a Pivetta. Flávia está entre os gestores que passaram a integrar o grupo de prefeitos ligados ao PL que apoiam o governador, ao lado de outros administradores municipais que também se afastaram da orientação eleitoral da legenda. A possibilidade de medidas disciplinares passou, desde então, a fazer parte da discussão política.

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A situação também evidencia uma divergência entre a orientação partidária e as prioridades defendidas por algumas administrações municipais. Enquanto a direção do PL sustenta a candidatura de Wellington Fagundes ao Governo, prefeitos filiados à legenda têm manifestado apoio a Pivetta, justificando suas escolhas, em diferentes momentos, por questões relacionadas às necessidades de seus municípios. Wellington, por sua vez, afirmou anteriormente não defender a expulsão de prefeitos que optaram por apoiar o adversário.

No caso específico de Várzea Grande, a questão do abastecimento de água ganhou peso na aproximação entre a Prefeitura e o Governo do Estado. A cooperação administrativa passou a ser apresentada como um dos elementos que explicam a posição política de Flávia. Em paralelo, a disputa eleitoral transformou a relação institucional entre Estado e Município em um dos pontos de destaque do embate político que envolve Pivetta, Wellington e diferentes lideranças do PL em Mato Grosso.

Com a declaração desta quinta-feira, Flávia Moretti mantém, portanto, uma posição política definida em favor de Otaviano Pivetta, mas continua oficialmente filiada ao PL. A prefeita não anunciou desfiliação e afirmou que não pretende deixar a legenda por iniciativa própria. O cenário mantém aberta a possibilidade de novos desdobramentos entre a gestora, a direção estadual do partido e o grupo político do governador, enquanto a campanha eleitoral avança em Mato Grosso.

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