NAS ÚLTIMAS HORAS
Para onde vou? A corrida pela sobrevivência política em Mato Grosso
“Teve gente que dormiu em um partido e acordar em outro“.
A frase dita foi pelo meu amigo de Vadjú no boteco do bairro Alameda, nas últimas 24 horas da “Janela Partidária” de 2022, em que os deputados estaduais e federais pudessem trocar de partido sem perder o mandato para disputar o pleito eleitoral.
Ainda com muitas peças soltas, o tabuleiro da política mato-grossense é incerto. Muitas filiações ficaram para o último minuto e, no caso de quem não tem mandato, as negociações se estenderam até às 23h59 de sábado (2), prazo final da “Janela Partidária“.
Nos últimos trinta dias o mercado político na terra de Rondon, assistiu curioso definições em alguns partidos, entre eles o mais novo partido do Brasil, União Brasil (UB), de onde era esperado uma debandada de alguns ilustres políticos.
Um desses ilustres políticos insatisfeito com os rumos tomados pelo partido, disse que preferiu permanecer na sigla onde estava pela expressividade histórica que tem na legenda, porque onde está ele é cacique e general, nos outros partidos seria apenas major ou capitão, e que decidiu ficar, sua eleição a deputado estadual é dada como certa, e por isso preferiu continuar onde sempre esteve.
Nos bastidores, se cogitou a saída de vários pesos pesados da política e, para continuar a sobreviver politicamente. Diante dessas movimentações, pré-candidatos tiveram intensas conversas com as siglas partidárias, principalmente com aqueles que tem alto poder de sedução, leia-se recursos e legenda como o Partido Socialista Brasileiro (PSB), União Brasil (UB) que tem a máquina na mão, e o Partido Progressista (PP). O PP ainda continua na sua jornada.
Sem coligações, negociações foram antecipadas
As negociações são naturais na política, mas foram antecipadas ao fim das coligações para os cargos proporcionais, de deputados e vereadores. Sem poder se juntar em uma chapa para alcançar o número mínimo de votos para eleger candidatos, os partidos têm que montar a própria chapa e, sozinhos, conquistarem os votos.
A verdade é que a maioria dos políticos não tinha se dado conta da enorme dificuldade que seria montar uma chapa. As conversas com os candidatos pegaram muita gente de surpresa, e alguns partidos resolveram tudo em cima da hora.

Meu amigo de Vadjú, pontua mais do que montar chapa é necessário ter chapas competitivas. Afinal quem vai ser candidato precisa ter segurança que o partido não vai se desidratar até julho, quando tem início as convenções partidárias.
Nessa lógica de sobrevivência política, partidos menores terão muitas dificuldades. Um partido político pequeno tendo menos chance não terão uma chance competitiva.
Ninguém pensou em ideologia política, em governo. Um candidato não vai ficar em um partido pelo qual não se elegera. Foi essa conta feita por vários veteranos na política mato-grossense.
A verdade é que, política se faz conversando, tendo consideração um pelo outro, respeito. Faltou isso dentro dos partidos em Mato Grosso.
As últimas horas foram decisivas porque muita coisa mudará. É cada um para si, levando em conta a competitividade da chapa para onde vai, é a corrida pela sobrevivência.
Câmara Federal
Dos oito deputados federais, quatro trocaram de legendas: Nelson Ned Previdente, mais conhecido como Nelson Barbudo deixou o Partido Social Liberal (PSL), pegou as malas e foi para o Partido Liberal (PL); José Antônio Medeiros falou tanto que continuou ao lado de do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro no Partido Liberal (PL); Dr. Leonardo Albuquerque migrou para o Republicano e Nenelzinho Pinheiro foi ficar perto do papai e se filiou no MDB.
Com as mudanças, perderam espaço na Câmara Federal: União Brasil (UB), Podemos, Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Solidariedade.
Ganharam espaço o Partido Liberal (PL), República e PSL. O MDB aumentou a bancada.

Assembleia Legislativa
Ulysses Lacerda Moraes pegou as malas e saiu do União Brasil (UB), e encarou uma verdadeira “romaria” para tentar encontrar uma nova legenda, uma vez que nenhum partido estaria aceitando a sua filiação. Moraes encontrou abrigo no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Elizeu Francisco do Nascimento que migrou do União Brasil para o PL. João Batista Pereira de Souza, deixou o Pros, foi para o Partido Progressista (PP). Allan Kardec Pinto Acosta Benitez, o professor Allan, deixou PDT e assinou sua ficha de filiação no PSB. Sebastião Machado Rezende, que deixou o PSC foi para o União Brasil (UB). Claudinei de Souza Lopes, o delegado Claudinei e Gilberto Moacir Cattani, deixaram o União Brasil e se filiaram no Partido Liberal (PL). Luís Amilton Gimenez, o Drº Gimenez e o colega Faissal Jorge Calil Filho saírem da legenda, Partido Verde (PV), Faissal Calil no Cidadania, Dr. Gimenez no PSD. O PSDB também perdeu o deputado estadual Wilson Pereira dos Santos que também migrou para o PSD.

Com o fim da janela, o próximo prazo
Agora o próximo começa na terça feira (4), período em que fica proibida a revisão salarial dos servidores públicos que ultrapasse a recomposição de perdas inflacionárias. Na terça-feira, também será o último dia para diretores nacionais ou da federação públicas no Diário Oficial da União (DOU), publicar nomes para substituição de candidatos.
Além da “Janela Partidária” ter acabado. Acabou o prazo para prefeitos, governadores, presidente (com exceção dos que pretendem reeleição), secretários, diretores de autarquias e órgãos públicos, entre outros com intenção em concorrer, a cargos diversos, se desincompatibilizarem.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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