Política
Lúdio Cabral cobra do governo que envie substitutivo para a LDO 2020
Peça orçamentária não traz impacto da lei que mudou a cobrança de impostos em Mato Grosso
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) cobrou que o governo estadual apresente um substitutivo ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2020, contendo o valor do aumento de arrecadação que será obtido com a reinstituição dos incentivos fiscais e as mudanças na cobrança de imposto em Mato Grosso, aprovadas pela Assembleia Legislativa no fim de julho, na Lei Complementar 631/2019.
“A Assembleia aprovou o projeto que reinstitui os incentivos fiscais e produzirá impacto financeiro em 2020. Alguns falam em incremento de R$ 500 milhões, outros falam R$ 700 milhões e outros falam de R$ 1 bilhão a mais na arrecadação do Estado. Independentemente do valor, esse aumento precisa estar na LDO“, argumentou Lúdio.
A cobrança foi feita na presença da equipe econômica do governo estadual, durante audiência pública sobre cumprimento das metas físicas do Estado nas áreas de infraestrutura, cidades, educação e segurança referente ao 1º semestre de 2019, na manhã desta terça-feira (13).
“O projeto da LDO veio antes da votação dessa lei. Se votarmos a LDO na versão original, sem um substitutivo contendo o impacto da nova lei, deixaremos de considerar o incremento na arrecadação no próximo ano“, alertou Lúdio.
A LDO enviado pelo governo prevê receitas correntes de R$ 19,1 bilhões e despesas de R$ 19,8 bilhões, trazendo uma previsão de rombo de cerca de R$ 700 milhões no próximo ano. A discussão da LDO 2020 foi adiada para este mês a pedido de Lúdio, justamente com o objetivo de considerar o impacto financeiro da minirreforma tributária e da reinstituição dos incentivos fiscais contida no Projeto de Lei Complementar nº 53 (PLC 53).
Lúdio Cabral estima que a lei aprovada injetará pelo menos R$ 1 bilhão nos cofres públicos. O deputado calcula que o aumento de arrecadação será principalmente no setor do comércio, em função da mudança no sistema da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), pois o texto manteve privilégios dos gigantes do agronegócio e aumentou os incentivos fiscais para a indústria.
“É necessário que o governo envie um substitutivo com a nova estimativa de receita. Sem isso, daremos margem ao governo para trabalhar com um grande volume de excesso de arrecadação ao executar o orçamento“, explicou Lúdio.
Quando há excesso de arrecadação, o governo tem autonomia para direcionar a aplicação do recurso da forma que desejar, sem passar por votação no Poder Legislativo.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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