"PESQUISA É FOTOGRAFIA DO MOMENTO"
Hegemonia de senadores e ascensão executiva moldam antecipação sucessória em Mato Grosso
O cenário político de Mato Grosso para o pleito de 2026 apresenta contornos de polarização e reestruturação de forças, conforme indicam os recentes dados estatísticos sobre a sucessão estadual. A movimentação intensa nos bastidores, que envolve lideranças partidárias e influentes grupos econômicos, reflete a busca precoce pela consolidação de nomes na disputa pelo Palácio Paiaguás. Atualmente, o debate público é pautado pela liderança de figuras tradicionais do Legislativo federal, contrapondo-se ao projeto de continuidade administrativa encabeçado pelo atual comando do Executivo Estadual, em um tabuleiro que começa a ser definido muito antes do período oficial de campanha.
A liderança das intenções de voto, neste estágio inicial, pertence ao senador Wellington Fagundes (PL), que se consolida como o principal expoente de oposição ao grupo governista. O parlamentar aparece com índices que variam entre 29% e 30% nos cenários estimulados, seguido pelo senador Jayme Campos, que oscila entre 20% e 22%. Embora os senadores detenham o protagonismo numérico imediato, observa-se o crescimento sustentado do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que agora registra entre 13,2% e 14% de preferência.
Este fenômeno de ascensão do atual gestor, ainda que o coloque em terceiro lugar, altera a dinâmica das alianças e acende o alerta nas cúpulas partidárias sobre o peso da máquina pública.
Os dados que fundamentam esta análise técnica provêm de um levantamento estatístico rigoroso realizado pela empresa Percent Brasil, entre os dias 30 de abril e 3 de maio de 2026. A pesquisa quantitativa ouviu 1.200 eleitores em diversas regiões de Mato Grosso, apresentando uma margem de erro de 2,83 pontos percentuais para mais ou para menos e um intervalo de confiança de 95%.
Devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob os protocolos BR-0726/2026 e MT-06232/2026, a amostragem custou aproximadamente R$ 30 mil e foi contratada pela DOC Comunicação, assegurando a transparência necessária aos processos de aferição da opinião pública no estado.
A motivação central para a divulgação e o debate desses números reside na necessidade de compreender as tendências de transferência de poder após mudanças significativas na cúpula do Estado. A recente ascensão de Otaviano Pivetta ao cargo de governador, ocorrida em 31 de março de 2026, após a desincompatibilização de Mauro Mendes para fins eleitorais, constitui o fato gerador de uma nova percepção do eleitorado.
As pesquisas surgem, portanto, como ferramentas de avaliação da recepção popular frente a essa nova configuração administrativa, servindo de bússola para o planejamento estratégico tanto do núcleo governista quanto das frentes oposicionistas que buscam o Executivo.
No Palácio Paiaguás, sede do governo mato-grossense, a recepção dos índices foi marcada por uma postura de cautela analítica e pragmatismo político. O secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, atuou como porta-voz da gestão ao minimizar discrepâncias entre diferentes institutos de pesquisa, enfatizando que os números representam apenas um recorte temporal. Segundo o secretário, a natureza dessas aferições é indicativa e não absoluta, sugerindo que o foco da gestão permanece na entrega de resultados administrativos.
A estratégia do governo é dissociar a gestão atual da volatilidade das pesquisas precoces, priorizando a consolidação da imagem de Otaviano Pivetta como um gestor eficiente e sucessor natural.
O método utilizado pela base governista para interpretar o cenário fundamenta-se na análise comparativa de evolução histórica em detrimento de resultados isolados. Mauro Carvalho destacou que, independentemente do instituto avaliador, a curva de crescimento de Otaviano Pivetta é uma constante observada desde que ele assumiu a titularidade do comando estadual. Para o grupo político no “PODER”, a estrutura administrativa e a exposição institucional são os principais vetores que impulsionarão a popularidade do governador.
Aposta-se que o discurso de continuidade e a presença física do gestor no interior do Estado serão suficientes para reduzir a distância em relação aos líderes senadores nos próximos meses.
A pesquisa também revelou dados cruciais sobre a rejeição dos candidatos, fator que frequentemente define o teto de crescimento de uma candidatura em sistemas majoritários. Jayme Campos lidera este índice negativo com 8,2%, seguido por Wellington Fagundes com 5,6% e Otaviano Pivetta com 4,9%. Além dos três nomes principais, o levantamento fragmenta o restante do eleitorado entre nomes como Natasha Slhessarenko (7%), Marcelo Maluf (4%), Sargento Laudicério (3,8%), Alex Puccinelli (2%) e Rafael Milhas (1,3%).

Esta pulverização de votos em nomes secundários indica um cenário de fragmentação que pode forçar a formação de coalizões amplas ainda no primeiro turno.
Um dado alarmante para todos os articulistas é o elevado índice de indecisos, que atualmente ultrapassa a marca de 20% do eleitorado total. Somados aos votos brancos e nulos, que variam entre 4% e 4,3%, constata-se que uma parcela significativa da população mato-grossense ainda não se sente conectada ou representada pelas opções apresentadas. Essa vacância de opinião demonstra que a disputa permanece tecnicamente aberta e que as estratégias de comunicação serão vitais para capturar o voto útil de uma massa silenciosa que aguarda o desenrolar da gestão atual e as definições programáticas das oposições.
Enquanto o governo aposta na “vitrine” do Palácio, Wellington Fagundes e Jayme Campos articulam suas bases com metodologias distintas de ocupação de espaço. Fagundes tem ampliado seu arco de alianças partidárias, buscando consolidar um perfil de convergência que una diversos setores da economia mato-grossense.
Por outro lado, Jayme Campos mantém sua força histórica e influência política inabalável na Baixada Cuiabana, região estratégica pelo seu densidade demográfica.
A diversidade de métodos e focos regionais entre os candidatos evidencia que a corrida pelo Paiaguás será decidida pela capacidade de cada grupo em nacionalizar temas estaduais e regionalizar pautas de desenvolvimento.
Em suma, Mato Grosso posiciona-se hoje como um dos palcos políticos mais complexos e observados da região Centro-Oeste do Brasil. A dicotomia entre a força parlamentar dos senadores e o potencial de crescimento do governador Pivetta estabelece um equilíbrio instável que só deverá ser rompido com a proximidade das convenções partidárias. Com um eleitorado ainda indeciso e pesquisas que ora convergem, ora divergem, a sucessão estadual de 2026 configura-se como um processo em construção, onde a eficiência administrativa, a baixa rejeição e a habilidade de costurar alianças sólidas serão os diferenciais determinantes para o sucesso nas urnas.
Política
Patrimônio de deputados de Mato Grosso revela forte alta em quatro anos e amplia debate sobre transparência eleitoral
A evolução patrimonial de políticos durante o exercício de mandatos voltou a ocupar espaço no debate público em Mato Grosso com a divulgação das declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral. Embora os vencimentos de parlamentares e integrantes do Executivo sejam superiores à renda média da população, especialistas costumam observar que a remuneração oficial, isoladamente, não explica necessariamente a formação de grandes patrimônios. Nesse contexto, aumentos expressivos de bens despertam questionamentos quando não são acompanhados de explicações claras sobre sua origem.
A declaração patrimonial é uma exigência prevista na legislação eleitoral e constitui um dos mecanismos destinados a ampliar a transparência sobre a situação financeira dos candidatos. Com o início do processo eleitoral, os concorrentes são obrigados a informar à Justiça Eleitoral os bens que possuem, permitindo que o eleitor compare a evolução patrimonial entre diferentes pleitos. A medida, contudo, também expõe variações significativas que podem alimentar discussões sobre as razões econômicas que levam determinadas pessoas a ingressar ou permanecer na vida pública.
O crescimento do patrimônio, por si só, não representa irregularidade. Bens podem ser incorporados por meio de atividades profissionais, investimentos, negócios particulares, heranças ou doações legalmente realizadas. Da mesma forma, uma eventual redução ou estabilidade patrimonial não constitui, isoladamente, prova de ausência de ganhos. A análise responsável exige a consideração de documentos, fontes de renda, movimentações financeiras e demais elementos capazes de explicar as alterações registradas oficialmente.
Segundo dados divulgados pelo DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, 22 dos 24 deputados estaduais de Mato Grosso declararam aumento patrimonial em relação à eleição de 2022. O maior crescimento percentual entre os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) foi registrado por Lúdio Cabral (PT), cujo patrimônio declarado passou de R$ 244,7 mil para aproximadamente R$ 1,6 milhão. A variação representa crescimento de cerca de 560% no período, segundo os valores informados à Justiça Eleitoral.
A declaração de Lúdio Cabral inclui apartamento, depósitos bancários, aplicações financeiras e investimentos. Em valores absolutos, a diferença entre as duas declarações representa uma ampliação superior a R$ 1,3 milhão. O dado coloca o deputado na liderança do ranking de crescimento percentual entre os parlamentares estaduais, mas não significa que ele seja o detentor do maior patrimônio da Assembleia Legislativa Mato-grossense.
A evolução patrimonial, nesse caso, precisa ser analisada separadamente do volume total de bens acumulados.
Na sequência dos maiores aumentos percentuais aparecem Paulo Araújo (Republicanos), que declarou patrimônio de aproximadamente R$ 4 milhões, representando crescimento de 279% desde 2022, e Diego Guimarães (Republicanos), com acréscimo de 206%. Entre os bens declarados estão terrenos e outros ativos. As informações apresentadas pelos candidatos permitem ao eleitor identificar as variações registradas oficialmente, mas não determinam, por si mesmas, a existência de qualquer irregularidade.
Na direção oposta, Ondanir Bortoline, o Nininho (Republicanos) e Wilson Santos (PSD) foram os únicos deputados estaduais mencionados nos dados com redução patrimonial em relação à declaração anterior. Wilson Santos apresentou queda de aproximadamente 42%, passando de R$ 450,6 mil em 2022 para R$ 262,1 mil. Nininho, apesar de permanecer entre os parlamentares milionários, registrou redução de cerca de 13%, equivalente a quase R$ 1 milhão em relação ao patrimônio anteriormente declarado.
A liderança em patrimônio total, entretanto, pertence a Carlos Avallone (PSDB), que declarou aproximadamente R$ 33 milhões em bens. O conjunto informado inclui imóveis, terras, embarcação, animais e aplicações financeiras. Na sequência aparecem Júlio Campos (UB), com cerca de R$ 31,5 milhões, e Dilmar Dal Bosco (UB), com aproximadamente R$ 26 milhões.
Os números demonstram que crescimento percentual e riqueza acumulada são indicadores distintos e não devem ser confundidos na avaliação das declarações.
Na bancada federal de Mato Grosso, também foram registradas oscilações relevantes. Coronel Fernanda (PL), que havia declarado aproximadamente R$ 1,7 milhão em 2022, informou agora patrimônio de cerca de R$ 384 mil, redução de 78%. Nelson Barbudo (PL) apresentou queda de 55%, enquanto Juarez Costa (Republicanos) e Emanuelzinho Pinheiro (PSD) também registraram diminuição. José Medeiros (PL), que disputa uma vaga ao Senado e não concorre à reeleição para a Câmara Federal, apresentou crescimento patrimonial de 40%, alcançando aproximadamente R$ 356 mil.
Entre os deputados federais, Fábio Garcia (UB) aparece como o mais rico, com patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4,1 milhões, mantendo nível semelhante ao registrado anteriormente. Rodrigo da Zaeli (PL) e Juarez Costa (Republicanos) também figuram entre os parlamentares milionários, com cerca de R$ 1,7 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.
As declarações patrimoniais, portanto, oferecem ao eleitor uma fotografia financeira dos candidatos, mas a interpretação dos dados exige cautela: aumentos ou reduções de bens não comprovam, isoladamente, irregularidades e devem ser confrontados com as respectivas fontes de renda e documentos disponíveis.
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