PROMETENDO PARA NÃO CUMPRIR
Em tempos de campanha eleitoral “ELES” prometem “Mundos e Fundos” à população
As Eleições Municipais no Brasil estão cada vez mais próximas e as campanhas de alguns candidatos têm se intensificado. Nesse período de campanhas e debates eleitorais, é comum também que sejam feitas muitas “promessas” dos candidatos para os eleitores brasileiros.
Então, você já se deparou com alguma promessa em debate político ou horário eleitoral que não parecia viável? Ou até mesmo impossível de ser realizada? Aliás, você sabe exatamente o que um candidato pode e não pode prometer?
Ampliar o ensino integral, retomar as obras paradas, reduzir os gastos públicos, construir moradias… Em um ano de mandato, pesquisas apontam que os prefeitos das 26 capitais do país cumpriram apenas 15% das promessas feitas durante a campanha eleitoral passada. Os dados apurados mostram, ainda, que 18% das promessas foram cumpridas parcialmente durante um ano de gestão, o que significa que ainda há pendências para que o trabalho seja considerado entregue.
Já as promessas que ainda não foram cumpridas pelos governos das capitais ultrapassam os 66%. Em anos eleitorais, os candidatos a cargos eletivos, cargos eleitos pelo voto da população, fazem suas campanhas e propagandas eleitorais em vários veículos de comunicação, como Rádio, Televisão e Internet. Para conquistar votos, esses candidatos prometem muitas coisas aos eleitores, mas sabemos que depois de eleitos muitas promessas de políticos não são cumpridas.

E por que não se exige que as promessas de políticos sejam cumpridas?
Não temos nada em nosso ordenamento jurídico, conjunto de leis, que faça essa exigência. Isso porque cumprir as promessas feitas em campanha não é uma tarefa muito fácil e sempre dependerá de uma soma de fatores e não apenas do candidato eleito.
Temos que lembrar que grande parte das decisões políticas são tomadas por uma equipe, formada por políticos e servidores de opiniões diferentes e esses grupos sofrem pressão da oposição, que pode dificultar a implementação de Políticas Públicas, ou até mesmo da sociedade civil, que pode manifestar-se a favor ou contra determinadas medidas. Um mandato no Executivo, por exemplo, depende de orçamento, da composição do Legislativo e de uma série de fatores que não são decisão, nem escolha da pessoa eleita.
O povo é quem “paga o pato”
Outro cuidado que devemos ter é com promessas milagrosas. O nosso sistema político é complexo, há muitas regras e muitos interesses envolvidos, e governar, seja um município, um estado ou o país, não é nada fácil. Então, quando se deparar com uma promessa muito generosa, desconfie!
Como podemos verificar ao longo dos anos, os políticos, principalmente do Executivo em tempos de campanha eleitoral prometem “mundos e fundos” à população, que na maioria das vezes encanta-se com tais promessas e acabam votando nos políticos que prometem e não cumprem. Uma promessa de campanha pode conquistar votos necessários para tornar eleito que prometeu, mas o que se vê no decorrer do mandato é que na maioria das vezes essas promessas não são cumpridas e o povo é quem “paga o pato”.
Mais de 80% dos eleitores brasileiros acreditam que os políticos eleitos não cumprem as promessas de campanha e que quem mais se beneficia com a política são os próprios políticos e não a população. Parece natural que, das promessas feitas em momentos de campanha, várias delas sejam atualizadas e aprimoradas. O candidato em campanha não detém todas as informações necessárias para elaborar uma política pública madura, em virtude de várias limitações. Ele tem conhecimentos limitados sobre os recursos que terá disponíveis, os impactados pela intervenção, a dimensão dos resultados que poderão ser reduzidos (tanto aqueles desejados quanto os negativos, ou efeitos colaterais).

Mesmo o candidato à reeleição sabe que as regras da campanha política vitoriosa são diferentes daquelas que guiam a Gestão Pública de Qualidade. No calor da campanha, porém, muitas vezes os discursos e falas são proferidos para conquistar o eleitor, com pouca consideração para a boa gestão, que se torna problema no ano que vem.
Infelizmente, o eleitor acaba se tornando refém em um cativeiro que ele mesmo cria: ao tentar acompanhar o cumprimento das promessas que escutou, muitas vezes não se atenta para os reais impactos que a intervenção estatal produziu em sua vida.
Caros amigos e leitores do Blog do Valdemir, ano eleitoral é sempre a mesma coisa, independente da cidade. Centenas de candidatos, muitos concorrendo ao primeiro mandato e fazendo de tudo para ganhar os votos dos eleitores.
Prometer faz parte das propostas eleitorais dos candidatos, mas como avaliar quais promessas são viáveis à execução e quais são apenas formas de encantar o eleitor?
Não é novidade que o povo está cansado de ouvir promessas. Porém, é de suma importância que nós, eleitores, tenhamos a mínima noção do que está sendo proposto e do que realmente é permitido a um candidato realizar, afinal só poderemos cobrar aquilo que é possível ser feito.
“Trocando em miúdos”, durante as campanhas, inúmeros candidatos prometem que irão fazer coisas, que se cada um deles conhecesse um pouco das suas futuras atribuições, existiria a possibilidade de não iludir os eleitores com promessas impossíveis de cumprir.
E quando questionamos o porquê os políticos brasileiros não cumprem suas promessas de campanha, a resposta é simples: por mais boa vontade que os eleitos tenham, prometem coisas impossíveis de cumprir, ou seja, é inviável, prometer aquilo que não podem acontecer num curto espaço de tempo, por exemplo, a construção de 10 hospitais públicos em 4 anos.
Para finalizar, temos que ter consciência de que a política partidária não deve ser uma ponte para conseguir emprego e nem de interesses pessoais. Os políticos são representantes do povo, nossos representantes, e devem trabalhar em prol destes. Não podemos pactuar com a falta de bom senso e o despreparo evidente de muitos candidatos.
Que prevaleça o bom senso.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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