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SER OPÇÃO DE UMA TERCEIRA VIA

Eleição 2024: terceira via em Cuiabá, impossível vencer

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Os resultados das 8 eleições para a Prefeitura de Cuiabá de 1988 para cá mostram que a ideia de uma terceira via tem muito de Wisful Thinking, quando se confunde desejo com probabilidade real, e quase nada de conexão com a realidade da Capital de todos os mato-grossenses.

O que “WISHFUL THINKING” quer dizer?

WISHFUL THINKING (expr.) – [ilusão, auto-engano, auto-sugestão, desejo, fantasia, quimera, sonho, utopia; excesso de otimismo; subjetivismo; falta de realismo, de objetividade].

Pegou aí?

Bom…, desde o ano de 1988, não houve uma terceira via para valer em Cuiabá, no sentido do que alguns partidos buscam hoje, com uma candidatura de centro e fora da polarização esquerda, direita.

O resultado da eleição de 15 de novembro de 1988, causou uma grande surpresa decorrente da mudança de expectativa ocorrida.

Muitas imagens e explicações preencheram o noticiário político após as eleições de 1988. Da metáfora sobre o vendaval devastador a procura de culpados a quem atribuir a responsabilidade pelos resultados finais, lideranças e analistas políticos disputaram interpretações, num jogo em que não faltou habilidade e por vezes até mesmo a simplificação geradora de distorções exageradas.

Na construção dos argumentos, houve quem, vencido, proclamou-se vitorioso; outros, numa incontida decepção, ofereceram a cabeça de aliados de véspera; outros ainda que para sufocar a surpresa.

Abertas as urnas e feita a contagem dos votos no ginásio da UFMT, desenhou-se um quadro de absoluto contraste com aquele gerado pelas eleições de 1986. As cores do então PMDB, que marcavam o mapa mato-grossense em sua toda extensão foram em grande parte esbatidas.

Dante de Oliveira em Cuiabá não pôde ostentar seu prestígio elegendo o seu candidato José Meireles. Afora isso, o fenômeno não se conteve em Cuiabá, mas expirou-se por muitos municípios.

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Uma alteração de tal magnitude, quando tantas cartadas estavam sendo jogadas.

Resumindo: em 1988, centro se dividiu para ficar em segundo lugar (Roberto França saiu pelo PTB e José Meireles pelo PMDB). Frederico Campos do PFL, opção de terceira via, inexistiu até às convenções municipais e levou o então deputado federal Júlio Campos ao êxtase se elegendo Prefeito de Cuiabá naquele ano.

Em 2024 é impossível 3° via vencer

As pesquisas de intenção de voto no pleito eleitoral de 2024, indicam que é “muito difícil” para uma candidatura da chamada terceira via, alternativa ao primeiro pelotão (Edu Botelho, Abílio Brunini e Ludio Cabral), encontrar um espaço efetivo.

Os eleitores cuiabanos atualmente, não buscam mais candidatos antissistema, mas sim profissionais.

Ao procurar profissionais, passa a ocorrer uma disputa muito mais de legado, e isso deixa pouco espaço para a terceira via. Outro fator que atrapalha, é a demora para chegar a um candidato consensual entre os partidos.

Essa terceira via em Cuiabá, já tentou ser trabalhada em vários momentos, vem lá atrás e até agora nenhum nome se consolida.

É bom deixar bem claro que: nos idos de 1988, Frederico Campos se apresentou como a terceira via entre PMDB e Roberto França na Prefeitura de Cuiabá. Serys Shlessarenko, Carlos Brito já se ofereceram como terceira via entre tucanos e petistas. Sem mencionar outros pleiteantes menos vistosos.

As novidades das eleições de 2024, sob este aspecto são apenas o curioso “engarrafamento” de pretendentes a ser a terceira via, o envolvimento de tanta gente com a ideia de que precisa haver um candidato único representando essa alternativa, tudo isso contrastando com a enorme indiferença dos cidadãos diante deste tipo de oferta eleitoral.

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Aparentemente quem gosta de terceira via é político, jornalistas e alguns formadores de opinião; a massa está mesmo interessada é na disputa binária envolvendo as duas principais forças políticas em campo.

A este ponto, o Boteco da Alameda pergunta: por que as candidaturas do segundo e terceiro pelotões, normais em qualquer corrida na Prefeitura de Cuiabá, não competem de forma avulsa simplesmente, cada um defendendo o seu lado, sem precisar disputar um rótulo que não parece oferecer grandes vantagens eleitorais?

De fato, nem todos querem ser “o candidato da terceira via”, nem mesmo se sabe quem se qualifica para tanto (Stopa cabe ou não no conjunto?), mas alguns parecem estar disputando uma eleição a parte, o Concurso de Mister Terceira Via. Por quê? O que há de bom nisso?

É…, a terceira via pode até não dar votos, mas dá púlpito moral para se denunciar as candidaturas preferidas do público, como insuficientes, radicais e desprovidas de virtudes.

E, com isso, oferece aquela sensação de que a derrota eleitoral iminente é, no fundo uma vitória, pois as desculpas já estão disponíveis: a massa ainda não estava pronta para uma candidatura tão excelsa; na polarização política, as paixões impedem o discernimento; o “centro democrático” está distraído pelos expedientes dos populistas e extremistas da primeira e segunda vias.

Do Blog do Valdemir

Com toda a franqueza, estou achando complicada essa história. Não acho fácil que os principais cotados da terceira via, em um dado momento, abram mão da candidatura, priorizando só um candidato (…) você veja, que se houver muitos candidatos, ganha com isso aqueles que polarizaram”.

Chegamos cedo demais e segue o fluxo!

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Política

Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”

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A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.

O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.

A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.

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A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.

A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.

A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.

Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.

Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.

A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.

O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.

A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.

A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.

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