PERÍODO DE CRESCENTE TENSÃO POLÍTICA
Disputas internas e conflitos entre lideranças intensificam instabilidade política no cenário pré-eleitoral de Mato Grosso
O ambiente político de Mato Grosso atravessa um período de crescente tensão a pouco mais de um ano das eleições gerais de 2026. Divergências internas, disputas por protagonismo e embates públicos entre importantes lideranças têm ampliado as fissuras em partidos que deverão desempenhar papel central na sucessão estadual, especialmente no União Brasil (UB) e no Partido Liberal (PL).
No União Brasil (UB), por exemplo, a principal disputa ocorre em torno da definição do projeto eleitoral para o Governo do Estado. De um lado, a ala liderada pelos irmãos Jayme Campos e Júlio Campos defende uma candidatura própria da legenda ao Palácio Paiaguás. De outro, o grupo político vinculado ao governador Mauro Mendes trabalha pela consolidação de uma aliança em torno do vice-governador Otaviano Pivetta, apontado como possível sucessor do atual chefe do Executivo estadual.
A divergência ganhou novos contornos após declarações do deputado estadual Júlio Campos, que elevou o tom contra Mauro Mendes e afirmou que o grupo favorável à candidatura de Jayme Campos não depende do apoio do governador para viabilizar seu projeto político. Segundo o parlamentar, a maioria dos convencionais do partido estaria alinhada à tese de candidatura própria, o que fortaleceria a posição do senador dentro da legenda.

As declarações evidenciam uma divisão estratégica dentro da federação formada por União Brasil e Progressistas. Enquanto um segmento defende a manutenção da influência política do grupo atualmente no comando do Estado por meio do apoio ao Republicanos, Otaviano Pivetta, outro sustenta que o partido possui musculatura suficiente para disputar o governo com candidatura própria, preservando autonomia na construção de seu projeto eleitoral.
No Partido Liberal (PL), o cenário também é marcado por divergências internas. Embora o senador Wellington Fagundes figure entre os principais nomes colocados para a disputa ao Governo de Mato Grosso e apresente desempenho competitivo em levantamentos eleitorais divulgados recentemente, parte significativa das lideranças municipais e parlamentares da sigla ainda não demonstrou alinhamento público ao seu projeto político.
Entre os exemplos mais citados estão os prefeitos Abílio Brunini, de Cuiabá, Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Flávia Moretti, de Várzea Grande. Os três gestores municipais mantêm proximidade política com o grupo liderado por Mauro Mendes e Otaviano Pivetta, situação que tem gerado desconforto entre integrantes da direção estadual do PL e ampliado questionamentos sobre a unidade partidária para o pleito de 2026.
Nos bastidores, dirigentes e lideranças políticas reconhecem que a ausência de manifestações públicas de apoio por parte dos prefeitos evidencia um quadro mais complexo do que uma simples divergência partidária. A situação reflete disputas de influência e estratégias distintas sobre a formação das futuras alianças eleitorais que deverão moldar o cenário da sucessão estadual.
Paralelamente aos conflitos internos das legendas, o debate político também tem sido marcado por confrontos diretos entre lideranças de campos distintos. Um dos episódios mais recentes envolveu o governador Mauro Mendes e o senador Wellington Fagundes em torno das condições da MT-170, rodovia que anteriormente integrava a malha federal sob a denominação BR-174.

A controvérsia surgiu após Wellington Fagundes afirmar que a estadualização da rodovia teria sido um equívoco. Em resposta, Mauro Mendes rebateu as declarações e argumentou que a transferência da gestão da via para o Estado foi necessária diante da ausência de investimentos federais. O ex-governador sustentou que a intervenção estadual permitiu a recuperação da rodovia, enquanto o senador defendeu a legitimidade das fiscalizações realizadas e apontou supostos problemas relacionados aos padrões técnicos adotados após a mudança de gestão.
Com disputas internas, divergências estratégicas e confrontos públicos entre algumas das principais lideranças políticas do Estado, o cenário pré-eleitoral mato-grossense demonstra sinais de elevada fragmentação. Embora ainda haja tempo para negociações e rearranjos partidários, os atuais conflitos indicam que a construção de consensos e alianças para as eleições de 2026 poderá representar um dos maiores desafios enfrentados pelas forças políticas que pretendem disputar o comando de Mato Grosso.
Política
A engenharia de bastidores que molda a “Grande Aliança” para a sucessão de 2026
Uma movimentação política estratégica começou a redesenhar os rumos da sucessão governamental e das vagas parlamentares em Mato Grosso. Trata-se da articulação para a construção de uma ampla e robusta coligação partidária majoritária. Essa engenharia eleitoral visa unificar forças que outrora trilhavam caminhos distintos, neutralizar potenciais focos de oposição e garantir a manutenção da hegemonia do atual grupo governista nas esferas estadual e federal. O movimento altera a correlação de forças locais e redefine as prioridades dos principais diretórios partidários vigentes.
Os protagonistas dessa complexa negociação são o governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos, o ex-governador Mauro Mendes (UB), o senador Jayme Campos (UB), e a deputada estadual Janaina Riva, legítima representante do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A parlamentar emedebista desempenha papel crucial ao conceder aval formal para que seu grupo político dialogue diretamente com o núcleo duro do governo. Essa iniciativa demonstra maturidade política e posiciona os quatro líderes como os grandes artífices do novo tabuleiro político mato-grossense, consolidando uma frente partidária de densidade eleitoral expressiva.
Essas tratativas de alta política ganharam contornos definitivos nas últimas semanas, intensificando-se à medida que se aproxima o calendário oficial estabelecido pela Justiça Eleitoral para o pleito de 2026. Embora as eleições ainda pareçam distantes do eleitorado comum, os prazos legais para filiações e desincompatibilizações exigem antecipação dos líderes. Esse cronograma rigoroso obriga as lideranças a definirem as diretrizes de suas respectivas legendas com antecedência, transformando o período atual no momento ideal para consolidações e acordos programáticos profundos.

As negociações ocorrem nos bastidores institucionais de Cuiabá, estendendo-se desde os gabinetes oficiais do Palácio Paiaguás e da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), até mesmo nos ambientes discretos de diálogo restrito na capital, conhecidos como o núcleo duro do Boteco da Alameda. Esses espaços, formais e informais, funcionam como verdadeiros laboratórios de engenharia política. Neles, mapas de votação municipal e projeções estatísticas são minuciosamente analisados pelos articuladores, garantindo que cada decisão tomada na capital ecoe com precisão em todas as regiões do Estado de Mato Grosso.
O processo de construção dessa aliança ocorre por meio de reuniões reservadas, consultas jurídicas, telefonemas estratégicos e cafés discretos entre os principais interlocutores das siglas envolvidas. A aproximação dá-se de maneira gradual e calculada, com o objetivo claro de mitigar resistências internas e alinhar os discursos públicos das lideranças. Essa metodologia de concertação política prioriza a construção de consensos prévios sobre os projetos de desenvolvimento econômico estaduais, evitando desgastes precoces antes da oficialização das candidaturas em convenções partidárias.
A motivação central dessa articulação reside na “necessidade mútua de sobrevivência e fortalecimento político institucional” diante das fragmentações partidárias observadas no cenário regional. O MDB busca novos caminhos devido às severas resistências internas encontradas na ala bolsonarista do Partido Liberal (PL), liderada pelo Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e pelo deputado federal José Medeiros, que vetam uma composição com a deputada Janaina Riva. Esses vetos impulsionam a busca por alternativas viáveis que assegurem protagonismo à legenda emedebista.
O objetivo estratégico dessa coalizão é unificar a reconhecida eficiência administrativa do grupo governista atual à capilaridade municipal do MDB e à musculatura eleitoral conquistada por Mauro Mendes. Pretende-se estruturar uma chapa praticamente “IMBATÍVEL”, na qual as duas vagas ao Senado seriam disputadas por Mauro Mendes e Janaina Riva, enquanto a liderança ao governo estadual ficaria com Otaviano Pivetta ou Jayme Campos.

Busca-se, portanto, garantir estabilidade política e perenidade aos projetos de infraestrutura e desenvolvimento socioeconômico em andamento no Estado.
Essa arquitetura de “PODER” está sendo erguida mediante a fusão de interesses do União Brasil (UB), do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Republicanos. Além desses partidos, há um flanco aberto por interlocutores ligados a Otaviano Pivetta que defendem a inclusão da deputada Janaina Riva na vaga de vice-governadora. Essa proposta alternativa agregaria indiscutível presença regional e densidade eleitoral à chapa de Pivetta, consolidando o apoio definitivo de prefeitos e vereadores da base emedebista que endossam a liderança da parlamentar.
Os desdobramentos imediatos dessa articulação política apontam para o isolamento das alas mais radicais da oposição e para a necessidade de reorganização interna dos partidos preteridos. O PL, dividido por vetos internos e disputas ideológicas, precisará reavaliar suas estratégias de isolamento para não perder espaço na disputa majoritária. Em contrapartida, as siglas aliadas à nova engenharia governista tendem a ampliar significativamente suas bancadas e suas influências no interior mato-grossense, fortalecendo as bases municipais para os desafios eleitorais vindouros.
O cenário atual exige atenção permanente e acompanhamento das próximas definições institucionais dos partidos, uma vez que as conversações de bastidores passarão a se refletir nos discursos públicos. Os discursos oficiais ainda priorizarão os princípios partidários e as defesas programáticas, enquanto os bastidores continuarão a selar as composições de chapas e a distribuição de espaços de “PODER”.
Resta observar como as bases partidárias absorverão essas acomodações, sabendo-se que as divergências políticas locais costumam ceder diante da iminente proximidade do poder econômico e político.
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