DESTAQUE DOS TRABALHOS DE INTERVENÇÃO
“Situação deixada pela Prefeitura de Cuiabá na Saúde é “dramática””
O Governo de Mato Grosso criou um Gabinete de Intervenção na Saúde da capital do Estado de Mato Grosso, Cuiabá. O gabinete foi anunciado após a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), aprovar a intervenção, por vinte votos a dois.
Com a intervenção, foram exonerados 48 servidores comissionados da Secretaria de Saúde de Cuiabá. A interventora, Danielle Carmona, ex-secretária adjunta de Saúde do estado, também nomeou quatro secretários-adjuntos. O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), e uma comissão de deputados estaduais estarão acompanhando os trabalhos da intervenção.
A intervenção é resultado de uma longa disputa política e judicial. Em agosto do ano passado, o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), denunciou ao Ministério Público Estadual (MPE), irregularidades na gestão da Saúde do município que estariam precarizando a Saúde Pública de Cuiabá. Entre os problemas relatados estão: falta de médicos, furos nas escalas médicas, falta de medicamentos, atrasos nos pagamentos e assédio moral.
Está já é a segunda vez este ano que foi determinada a intervenção na Saúde de Cuiabá. A primeira intervenção, em janeiro, foi suspensa pelo judiciário. Dessa vez, o STJ negou o recurso da prefeitura que pretendia impedir a intervenção.

Mauro apresenta trabalhos da Intervenção na Saúde
O governador Mauro Mendes Ferreira (UB), recebeu um grupo de vereadores da Capital, deputados federais, e da Comissão da Intervenção na Saúde, no Palácio Paiaguás, e destacou os trabalhos já realizados pelo grupo de Intervenção.
Durante a conversa, Mauro Mendes listou as principais medidas já tomadas durante a intervenção, que foi iniciada no dia 14 de março, há menos de um mês.
Entre elas: a reabertura de 10 leitos da UTI pediátrica do Hospital Municipal de Cuiabá e 6 no Pronto-Socorro; de 10 UTIs para adultos no Pronto Socorro; compra de R$ 5,6 milhões em remédios pata atender a rede básica e de R$ 4,2 milhões em materiais hospitalares e insumos, abrangendo 207 itens; elaboração de plano de ação nos 90 dias da intervenção para restabelecer o funcionamento das unidades, ampliar os atendimentos e realizar cirurgias; retomada dos exames de raio-x; e contratação de 55 médicos.
“O que nos interessa é fazer a Saúde funcionar. Tem médico chegando e os medicamentos já chegaram. Estamos cortando os excessos, não permitindo desvios e fazendo a gestão correta do dinheiro do cidadão”, relatou.
Mauro Mendes citou que a situação deixada pela Prefeitura de Cuiabá na Saúde é “dramática”, mas é possível reverter com foco, trabalho sério e fé em Deus.
“Temos clareza do que fazer e de como fazer para reorganizar a Saúde nos próximos meses. Vamos aplicar à risca esse plano de ação que foi elaborado com muita seriedade pelos nossos técnicos. Tenho me dedicado diariamente a esse assunto, que é de extrema importância, pois não podemos ver gente morrendo e cruzar os braços”, pontuou.
Conforme Mauro Mendes, também foram adquiridos pelo Gabinete de Intervenção, medicamentos para suprir necessidades emergenciais, e os aparelhos de raio-x das UPAs foram colocados em funcionamento. Além disso, está em processo de reativação a Hemodinâmica no Hospital São Benedito, que se encontrava paralisada há algum tempo.
A vereadora Michelly Alencar Neves (UB), ressaltou que, em menos de um mês, o grupo de intervenção coordenado pelo Governo de Mato Grosso já tem dado resultados positivos à população.
“Nós temos defendido diariamente essa intervenção, porque da forma como estava não dava para ficar. A Saúde em Cuiabá se transformou em um verdadeiro caos, com falta de remédios, médicos, salários sem pagar, e a nossa população morrendo por falta de atendimento. Queremos contribuir e acompanhar de perto todo esse trabalho feito pelo Governo do Estado para colocar a Saúde de Cuiabá nos trilhos, que é o anseio dos cuiabanos”, declarou.
O deputado federal Abílio Jacques Brunini Moumer conhecido como Abilinho (UB), defendeu a necessidade de transparência nas ações e sugeriu ativar o Portal da Intervenção, proporcionando publicidade em relação aos leitos de UTIs, profissionais da saúde, medicamentos e cirurgias. Brunini também enfatizou a importância de melhorar a Saúde primária para diminuir os impactos nas UPAs e Policlínicas.
Também participaram da reunião: os deputados federais Fábio Paulino Garcia (UB), Coronel Rubia Fernanda Diniz Robson Santos De Siqueira (PL), Jonildo de José Assis, mais conhecido como Coronel Assis (UB), e Abílio Brunini (PL); e os vereadores Luis Fernando Amorim do Republicanos, Eduardo Victor Magalhães também do Republicanos, Maysa Leão do Republicanos, Joelson Fernandes do Amaral, o Sargento Joelson (PSB), Dilemário do Vale Alencar do Podemos, Felipe Pereira Corrêa do Cidadania, e Demilson Nogueira (PP).
Política
A engenharia de bastidores que molda a “Grande Aliança” para a sucessão de 2026
Uma movimentação política estratégica começou a redesenhar os rumos da sucessão governamental e das vagas parlamentares em Mato Grosso. Trata-se da articulação para a construção de uma ampla e robusta coligação partidária majoritária. Essa engenharia eleitoral visa unificar forças que outrora trilhavam caminhos distintos, neutralizar potenciais focos de oposição e garantir a manutenção da hegemonia do atual grupo governista nas esferas estadual e federal. O movimento altera a correlação de forças locais e redefine as prioridades dos principais diretórios partidários vigentes.
Os protagonistas dessa complexa negociação são o governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos, o ex-governador Mauro Mendes (UB), o senador Jayme Campos (UB), e a deputada estadual Janaina Riva, legítima representante do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A parlamentar emedebista desempenha papel crucial ao conceder aval formal para que seu grupo político dialogue diretamente com o núcleo duro do governo. Essa iniciativa demonstra maturidade política e posiciona os quatro líderes como os grandes artífices do novo tabuleiro político mato-grossense, consolidando uma frente partidária de densidade eleitoral expressiva.
Essas tratativas de alta política ganharam contornos definitivos nas últimas semanas, intensificando-se à medida que se aproxima o calendário oficial estabelecido pela Justiça Eleitoral para o pleito de 2026. Embora as eleições ainda pareçam distantes do eleitorado comum, os prazos legais para filiações e desincompatibilizações exigem antecipação dos líderes. Esse cronograma rigoroso obriga as lideranças a definirem as diretrizes de suas respectivas legendas com antecedência, transformando o período atual no momento ideal para consolidações e acordos programáticos profundos.

As negociações ocorrem nos bastidores institucionais de Cuiabá, estendendo-se desde os gabinetes oficiais do Palácio Paiaguás e da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), até mesmo nos ambientes discretos de diálogo restrito na capital, conhecidos como o núcleo duro do Boteco da Alameda. Esses espaços, formais e informais, funcionam como verdadeiros laboratórios de engenharia política. Neles, mapas de votação municipal e projeções estatísticas são minuciosamente analisados pelos articuladores, garantindo que cada decisão tomada na capital ecoe com precisão em todas as regiões do Estado de Mato Grosso.
O processo de construção dessa aliança ocorre por meio de reuniões reservadas, consultas jurídicas, telefonemas estratégicos e cafés discretos entre os principais interlocutores das siglas envolvidas. A aproximação dá-se de maneira gradual e calculada, com o objetivo claro de mitigar resistências internas e alinhar os discursos públicos das lideranças. Essa metodologia de concertação política prioriza a construção de consensos prévios sobre os projetos de desenvolvimento econômico estaduais, evitando desgastes precoces antes da oficialização das candidaturas em convenções partidárias.
A motivação central dessa articulação reside na “necessidade mútua de sobrevivência e fortalecimento político institucional” diante das fragmentações partidárias observadas no cenário regional. O MDB busca novos caminhos devido às severas resistências internas encontradas na ala bolsonarista do Partido Liberal (PL), liderada pelo Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e pelo deputado federal José Medeiros, que vetam uma composição com a deputada Janaina Riva. Esses vetos impulsionam a busca por alternativas viáveis que assegurem protagonismo à legenda emedebista.
O objetivo estratégico dessa coalizão é unificar a reconhecida eficiência administrativa do grupo governista atual à capilaridade municipal do MDB e à musculatura eleitoral conquistada por Mauro Mendes. Pretende-se estruturar uma chapa praticamente “IMBATÍVEL”, na qual as duas vagas ao Senado seriam disputadas por Mauro Mendes e Janaina Riva, enquanto a liderança ao governo estadual ficaria com Otaviano Pivetta ou Jayme Campos.

Busca-se, portanto, garantir estabilidade política e perenidade aos projetos de infraestrutura e desenvolvimento socioeconômico em andamento no Estado.
Essa arquitetura de “PODER” está sendo erguida mediante a fusão de interesses do União Brasil (UB), do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Republicanos. Além desses partidos, há um flanco aberto por interlocutores ligados a Otaviano Pivetta que defendem a inclusão da deputada Janaina Riva na vaga de vice-governadora. Essa proposta alternativa agregaria indiscutível presença regional e densidade eleitoral à chapa de Pivetta, consolidando o apoio definitivo de prefeitos e vereadores da base emedebista que endossam a liderança da parlamentar.
Os desdobramentos imediatos dessa articulação política apontam para o isolamento das alas mais radicais da oposição e para a necessidade de reorganização interna dos partidos preteridos. O PL, dividido por vetos internos e disputas ideológicas, precisará reavaliar suas estratégias de isolamento para não perder espaço na disputa majoritária. Em contrapartida, as siglas aliadas à nova engenharia governista tendem a ampliar significativamente suas bancadas e suas influências no interior mato-grossense, fortalecendo as bases municipais para os desafios eleitorais vindouros.
O cenário atual exige atenção permanente e acompanhamento das próximas definições institucionais dos partidos, uma vez que as conversações de bastidores passarão a se refletir nos discursos públicos. Os discursos oficiais ainda priorizarão os princípios partidários e as defesas programáticas, enquanto os bastidores continuarão a selar as composições de chapas e a distribuição de espaços de “PODER”.
Resta observar como as bases partidárias absorverão essas acomodações, sabendo-se que as divergências políticas locais costumam ceder diante da iminente proximidade do poder econômico e político.
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