Search
Close this search box.

UM PORTO SEGURO

Deputados federais e estaduais mato-grossenses vão disputar a reeleição

Publicados

em

A eleição geral de 2026 começou, na prática, ainda em 2024 para os 513 deputados federais em exercício, quando foram definidas as chapas de candidatos a prefeito e vereador nos 5.568 municípios brasileiros. O processo municipal funcionou como um termômetro político antecipado, permitindo aos parlamentares avaliar o humor do eleitorado, mapear tendências regionais e ajustar estratégias de sobrevivência eleitoral em um cenário cada vez mais competitivo.

Dados históricos indicam que a reeleição é o caminho preferencial da maioria dos parlamentares. Nas últimas disputas, mais de 70% dos deputados federais tentaram renovar o mandato, percentual que tende a se manter em 2026. O cargo oferece visibilidade, acesso a Emendas Parlamentares e capacidade de influência política, fatores que fortalecem a decisão pela continuidade e reduzem os riscos de apostar em disputas majoritárias mais incertas.

Em Mato Grosso, o movimento de permanência no Congresso Nacional é ainda mais expressivo. Dos oito deputados federais que atualmente representam o estado, sete já sinalizaram intenção de disputar a reeleição. A única exceção é José Medeiros (PL), que anunciou o projeto de concorrer a uma das vagas ao Senado Federal. A estratégia da maioria reflete a consolidação de bases eleitorais construídas ao longo do mandato e a busca por manutenção de protagonismo em Brasília.

Com índice de 87,5% de parlamentares dispostos a tentar a recondução ao cargo, a bancada mato-grossense aposta na avaliação positiva do trabalho desempenhado nos últimos quatro anos. A permanência é vista como uma forma de preservar espaços políticos, assegurar recursos para os municípios e manter influência nas decisões legislativas de alcance nacional.

Apesar do alto percentual de candidatos à reeleição, a atual composição da bancada de Mato Grosso não é idêntica àquela diplomada no início da legislatura. Mudanças ocorridas ao longo do mandato alteraram o desenho político do grupo, evidenciando a dinâmica instável da representação parlamentar e os impactos de eventos inesperados sobre a composição do Congresso Nacional.

Uma dessas alterações ocorreu em maio de 2024, com a morte precoce da deputada federal Amália Barros (PL). O falecimento resultou no retorno de Nelson Barbudo (PL) à Câmara dos Deputados, reacendendo debates internos sobre continuidade política e reorganização das bases eleitorais dentro do partido.

Leia Também:  Petista acusou Medeiros de intimidar Gleisi Hoffman e depois pisar no seu pé

A Eleição Municipal de 2024 também provocou rearranjos relevantes. Abilio Brunini (PL) deixou o mandato federal após vencer a disputa pela Prefeitura de Cuiabá. Sua saída abriu espaço para a ascensão do suplente Rodrigo da Zaeli (PL), que passou a integrar oficialmente a bancada mato-grossense na Câmara Federal.

Esse conjunto de fatores demonstra que, embora a reeleição seja a principal estratégia dos atuais deputados, o cenário de 2026 será influenciado por mudanças ocorridas ao longo do ciclo político, pela avaliação do eleitorado e pela capacidade dos parlamentares de transformar visibilidade institucional em votos. A corrida eleitoral, portanto, já está em curso, mesmo antes do início formal da campanha.

Estaduais mato-grossenses procuram porto seguro

À medida que a eleição de 2026 se aproxima, o cenário político da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) entra em um processo acelerado de reorganização partidária, impulsionado pela busca dos deputados estaduais por maior competitividade eleitoral e alinhamento estratégico. As articulações envolvem trocas de siglas, reposicionamento ideológico e cálculos voltados à preservação de mandatos, em um movimento que já altera o equilíbrio interno das bancadas e antecipa o clima da próxima disputa.

Quem protagoniza essa movimentação é o deputado estadual Max Joel Russi, presidente da Assembleia Legislativa Mato-grossense, que decidiu deixar o PSB e se filiar ao Podemos. A mudança ocorre em um contexto de tentativa de afastamento da polarização nacional e da aliança do antigo partido com o Governo Federal. A estratégia busca oferecer ao parlamentar um espaço político mais flexível, capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado mato-grossense sem o desgaste associado a disputas ideológicas nacionais.

A saída de Max Russi do PSB não será isolada. Os deputados Fábio Tardin e Beto Dois a Um também confirmaram que acompanharão o presidente da Casa de Leis na migração para o Podemos. O movimento enfraquece significativamente o PSB no Parlamento Estadual e fortalece a nova legenda, que passa a se posicionar como uma alternativa competitiva para parlamentares que pretendem disputar a reeleição em um ambiente menos polarizado.

Leia Também:  "Precisamos punir pais e cuidadores"

Outra sigla que emerge fortalecida nesse processo é o Republicanos, partido que amplia sua influência sob a liderança política do vice-governador Otaviano Pivetta. O deputado estadual Dr. Eugênio, atualmente no PSB, já tem sua filiação encaminhada para o Republicanos, reforçando o projeto de crescimento da legenda. O partido também consolidou a chegada do deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho, que deixa o PSD, ampliando sua presença na Assembleia Legislativa.

Além dessas adesões, o Republicanos também deve receber o deputado Chico Guarnieri, atualmente filiado ao PRD, cuja migração está em fase final de articulação. A estratégia do partido passa por atrair parlamentares com bases eleitorais consolidadas, criando uma bancada mais robusta e competitiva para a disputa proporcional de 2026, ao mesmo tempo em que se fortalece para negociações majoritárias.

As movimentações não se restringem a essas siglas e alcançam outras legendas do campo da direita e do centro-direita. O deputado estadual Faissal Calil deixou o Cidadania e se filiou ao Partido Liberal (PL), partido que aposta em ampliar sua representação na Assembleia Legislativa Mato-grossense e consolidar um discurso alinhado ao conservadorismo político. A troca reflete a tentativa de reposicionamento individual do parlamentar diante do eleitorado.

Paradoxalmente, o próprio PL também enfrentará perdas. O deputado Elizeu Nascimento acertou sua saída da legenda e deve se filiar ao Partido Novo, buscando um espaço mais alinhado ao discurso liberal e à defesa de pautas econômicas específicas. A mudança revela como as escolhas partidárias têm sido orientadas por afinidade ideológica, estratégia eleitoral e cálculo de sobrevivência política.

Outro deslocamento relevante envolve o deputado Paulo Araújo, que deixará o PP para ingressar no PRD. A decisão é motivada pela formação da federação entre o Progressistas e o União Brasil, movimento que alterou o ambiente interno da sigla e reduziu o espaço político do parlamentar. No conjunto, essas articulações evidenciam que a corrida pela reeleição em 2026 já começou nos bastidores da Assembleia Legislativa, com partidos e deputados redesenhando alianças para enfrentar um cenário eleitoral cada vez mais competitivo.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Política

TJMT mantém ação contra Blairo Maggi por suposto esquema de precatórios de R$ 182 Milhões

Publicados

em

A Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), rejeitou, de forma unânime, o recurso apresentado pela defesa do ex-governador Blairo Borges Maggi. A decisão colegiada manteve a tramitação integral de uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa, a qual apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos. Com essa determinação judicial, o colegiado ratificou que o processo principal deve avançar para a fase de instrução processual, etapa em que haverá a coleta detalhada de provas e a oitiva de testemunhas para o esclarecimento cabal dos fatos narrados.

O cerne da controvérsia jurídica gira em torno de uma suposta fraude na ordem cronológica de pagamento de precatórios judiciais, que teria gerado um prejuízo estimado em R$ 182.943.733,76 aos cofres públicos estaduais. De acordo com a denúncia, o governo mato-grossense realizou 16 pagamentos à Construtora Andrade Gutierrez, os quais somaram o montante expressivo de R$ 276.533.272,15. Essa vultosa quantia destinava-se à quitação de títulos judiciais que a empreiteira possuía contra o extinto Departamento de Estradas de Rodagem do Estado, sucedido pelo Departamento de Viação e Obras Públicas.

As investigações apontam que a suposta organização criminosa operou o esquema ilegal entre os anos de 2009 e 2011, período que abrangeu a transição de mandatos no Poder Executivo Estadual. Conforme os relatórios oficiais, os repasses financeiros foram efetuados por meio da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (SEFAZ/MT), utilizando-se de mecanismos administrativos para burlar a preferência de outros credores alimentares. A reiteração das condutas ao longo de três anos evidencia, segundo a acusação, o caráter continuado e planejado da suposta fraude financeira.

A sessão virtual de julgamento que culminou na rejeição do recurso defensivo ocorreu no Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT), sediado na capital, Cuiabá, e teve suas deliberações encerradas no dia 20 de maio. A tramitação do processo principal prosseguirá perante o juízo da Vara Especializada em Ações Coletivas da Comarca de Cuiabá, foro competente para processar e julgar demandas que envolvem a proteção do patrimônio público.

Leia Também:  De duas, uma. Ou melhor, uma terceira via na Câmara de Cuiabá

A centralização do litígio na capital assegura o cumprimento dos ritos processuais específicos previstos na legislação de regência.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT) figura como o autor da Ação Civil Pública e baseou a sua peça acusatória nas declarações obtidas por meio do acordo de colaboração premiada firmado pelo também ex-governador Silvalda Cunha Barbosa. O órgão ministerial sustenta que os agentes públicos e privados agiram em clara comunhão de esforços e com unidade de desígnios para lesar o erário. O propósito da ação é obter a condenação integral dos envolvidos e garantir o ressarcimento completo dos valores supostamente desviados da administração pública.

Além do ex-governador Blairo Maggi, respondem ao processo os ex-secretários de Estado Éder de Moraes e Edmilson José dos Santos, o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho e o procurador do Estado João Virgílio do Nascimento. O polo passivo da demanda também inclui o empresário Valdir Piran, a empresa Piran Participações e Investimentos Ltda., a Construtora Andrade Gutierrez e seus antigos diretores Luiz Otávio Mourão e Rogério Nora de Sá.

A ampla gama de réus reflete a complexidade da suposta rede de influências que unia os setores político e empresarial.

A motivação real dos pagamentos dos precatórios consistia, segundo a delação premiada de Silval Barbosa, no desvio de verbas públicas para a quitação de uma dívida clandestina contraída junto ao empresário Valdir Piran. Esse empréstimo irregular teria sido contraído pelo grupo político liderado por Blairo Maggi e Éder de Moraes para o financiamento de campanhas eleitorais e interesses privados. Para operacionalizar o fluxo financeiro e conferir uma aparência de legalidade à transação, as partes envolvidas teriam celebrado um contrato de simulação de negócios com as empresas citadas.

Leia Também:  Renato diz que debate tem que ser além das discussões do FAP e RGA

A defesa técnica de Blairo Maggi recorreu ao Tribunal de Justiça por meio de um agravo de instrumento, requerendo o julgamento antecipado e parcial do mérito da ação civil. Os advogados do ex-governador sustentaram a tese de que dois dos três precatórios auditados não causaram dano efetivo ao patrimônio público e que, por tal razão, a acusação deveria ser sumariamente encerrada quanto a esses pontos.

A estratégia buscava fragmentar o objeto da lide e esvaziar a força da denúncia formulada pelo Ministério Público antes do início da fase de produção de provas.

A relatora do recurso, desembargadora Maria Erotides Kneip, fundamentou o seu voto contrário ao pedido da defesa sob o argumento de que a fragmentação do julgamento mostra-se totalmente inadequada neste estágio processual. A magistrada destacou que o encerramento prematuro de parte da lide impediria uma análise holística do contexto probatório e prejudicaria a apuração da responsabilidade solidária dos réus. O voto da relatora foi seguido de forma unânime pelos demais membros da Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo, que confirmaram a higidez do processo.

Anteriormente, o Tribunal de Justiça já havia negado um pedido do Ministério Público que visava à indisponibilidade e ao bloqueio de bens dos acusados no valor de R$ 182 milhões, mantendo a decisão da juíza Célia Regina Vidotti. Com o novo veredito que negou o recurso de Blairo Maggi, o processo retoma o seu curso regular em primeira instância sem qualquer redução de seu escopo inicial.

As partes serão intimadas para a especificação de provas, dando início definitivo à instrução que determinará a existência ou a inexistência de atos de improbidade.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA