FUNDO ELEITORAL EM MATO GROSSO
Cuiabá, Colíder e Poxoréu no limite de arrecadação eleitoral permitida batem recorde
Com as recentes mudanças no financiamento de campanhas eleitorais, conhecer as regras e encontrar maneiras para angariar verbas para campanha eleitoral vem sendo dúvida frequente no mundo político. Afinal, o que a lei permite e o que não pode fazer para arrecadar verba para a campanha?
Desde 2018, o financiamento de empresas privadas está proibido em eleições. Para as eleições de 2020, o Presidente da República sancionou o fundo eleitoral de R$ 2 bilhões que serão distribuídos entre os partidos políticos e candidatos.
No entanto, surge um grande desafio para partidos políticos e candidatos: como será dividida essa verba? Ao contrário das eleições anteriores, as eleições municipais envolvem uma quantidade muito maior de candidaturas. E a grande questão é: esse dinheiro vai ser suficiente?
Só saberemos disso após passar o pleito, não é mesmo? Contudo, para além desse financiamento público das eleições, é possível angariar verbas para campanha eleitoral através de outras ações. A Legislação Eleitoral prevê que partidos e candidatos possam arrecadar recursos até o dia da eleição. Após esse prazo, a arrecadação fica liberada apenas para a quitação de despesas já contraídas e não pagas até aquele momento.

Todos os gastos devem ser quitados até o prazo de entrega da prestação de contas à Justiça Eleitoral. Eventuais débitos de campanha que ainda não estiverem encerrados até a data da prestação de contas podem ser assumidos pelo partido desde que essa decisão seja tomada por um órgão nacional da direção da legenda.
A principal fonte de financiamento para as campanhas eleitorais é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o “Fundo Eleitoral”. Em 2024, serão R$ 4,9 bilhões à disposição de partidos políticos para bancar despesas nas eleições municipais.
Uma outra maneira é o financiamento coletivo, as chamadas “vaquinhas” digitais, por meio das quais podem se reunir diversas pessoas interessadas em doar. Esse tipo de serviço só pode ser prestado nas plataformas oficiais autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Candidatos de MT que estão próximos dos limites de arrecadação
O cenário de arrecadação no Estado de Mato Grosso revela uma corrida acirrada entre os candidatos que estão próximos dos limites de arrecadação estabelecidos nesta campanha eleitoral que esta a todo vapor.
O candidato para a Prefeitura de Cuiabá, do União Brasil (UB), José Eduardo Botelho, está liderando com impressionantes 98,72%, Ana Flávia Rodrigues, Flavinha (Republicanos), na cidade de Colíder, segue com 97,80%, e Gaudêncio Amorim (PL), na cidade de Poxoréu, alcançou 92,30%, são os principais destaques. Flávia Rodrigues tem se beneficiado tanto do Fundo Eleitoral quanto de doações privadas, o que tem permitido uma campanha.
O parlamentar estadual Eduardo Botelho tem conseguido captar substanciais doações privadas e, com o apoio do Fundo Eleitoral dos Partidos, sua campanha continua ganhando força. Sua campanha tem se destacado não apenas pela capacidade de mobilizar recursos.

Todos estão se aproximando do teto de arrecadação permitido pela legislação eleitoral. Somados os dez candidatos que mais estão beirando o limite de arrecadação os valores ultrapassam a cifra de R$ 17 milhões.
A proximidade com o limite de arrecadação reforça a sua posição competitiva na disputa eleitoral.
O Fundo Eleitoral, conhecido popularmente como “Fundão”, tem desempenhado um papel crucial neste cenário. No total, foram arrecadados R$ 102 milhões para as mais de dez mil candidaturas em Mato Grosso, com 71,15% com R$ 73.107.630,96, oriundos de recursos públicos e 28,85%, R$ 29.643.892,22, provenientes de doações privadas.
Este financiamento público é essencial para garantir uma competição justa e evitar excessos. Entre os maiores arrecadadores estão o PL, com R$ 22.644.689,02 em recursos públicos, seguido pelo partido União Brasil, que recebeu R$ 20.160.576,82. O Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 9.153.019,25, e o PSB também se destaca com R$ 5.165.211,42.
No campo das doações privadas, o PL e o Republicanos lideram, refletindo a força das suas redes de apoio e a estratégia de arrecadação adotada. Esses números não apenas ilustram a força dos candidatos e partidos na disputa, mas também destacam a importância do financiamento eleitoral na construção de campanhas eficazes e na mobilização de eleitores.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fiscaliza o uso desses recursos, garantindo que as campanhas se mantenham dentro dos limites estabelecidos e promovendo a transparência no processo eleitoral.
Política
Invasão cibernética na Saúde alimenta embate político em Mato Grosso
Um sofisticado incidente cibernético violou a infraestrutura tecnológica da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), deflagrando uma crise institucional que mobiliza o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT). O episódio, classificado tecnicamente como uma “invasão hacker”, desestabilizou a percepção de segurança dos sistemas governamentais e gerou imediata repercussão no cenário político local. O evento expõe a vulnerabilidade digital da administração pública frente a ameaças externas cada vez mais ousadas e coordenadas.
Os alvos diretos e indiretos dessa ação criminosa envolvem a própria Secretaria de Saúde, responsável pelo gerenciamento de dados assistenciais, e a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que atua como órgão fiscalizador. O presidente do Parlamento Estadual, deputado Max Russi (Podemos), assumiu o protagonismo institucional ao externar profunda preocupação com o ocorrido, enquanto a equipe técnica da pasta de Saúde e os investigadores da Polícia Civil desdobram-se para mitigar os danos colaterais e identificar os autores do ataque.
As consequências imediatas do ataque cibernético resultaram no impacto restrito a um volume inferior a 1 Terabyte (TB) de informações do acervo digital da pasta, o qual acabou sendo integralmente recuperado por meio de sistemas de contingência e redundância. No entanto, o desdobramento mais crítico manifestou-se no plano político, manifestado pelo temor de que o apagão de dados pudesse inviabilizar o fornecimento de documentos essenciais para os trabalhos de fiscalização parlamentar em andamento na capital do estado.
O epicentro do incidente localiza-se nos servidores centrais da Secretaria de Saúde, situados no Centro Político Administrativo de Cuiabá, irradiando seus efeitos institucionais diretamente para o Palácio Paschoal Moreira Cabral, sede do Poder Legislativo Mato-grossense.

A proximidade geográfica e administrativa dessas instituições amplificou o eco do debate sobre a eficiência da infraestrutura tecnológica pública estadual, transformando a capital mineira-mútua do Agronegócio em um palco de intensas cobranças governamentais.
A identificação original do ataque digital ocorreu em meados de março de 2026, porém o ápice do tensionamento institucional consolidou-se nesta quarta-feira, 3 de junho, durante uma sessão coletiva de imprensa convocada pelo presidente da Casa de Leis. O momento cronológico do anúncio revelou-se extremamente sensível, por coincidir exatamente com a fase de instalação e estruturação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a gestão da Saúde Pública no Estado.
A motivação presumida por trás da ação criminosa assume contornos ambíguos, dividindo-se entre a tentativa de extorsão financeira, prontamente rechaçada pelo Executivo, que negou qualquer pagamento de resgate, e a suspeita de sabotagem política. Parlamentares mais incisivos levantaram a hipótese de que a invasão visava ocultar passivos administrativos, embora a liderança do Legislativo tenda a encarar o episódio como uma nefasta coincidência oportunista que se aproveitou de fragilidades estruturais do sistema.
As justificativas técnicas apresentadas pela Secretaria de Saúde fundamentam-se na robustez de seus protocolos de segurança da informação, os quais permitiram o restabelecimento célere das atividades institucionais sem prejuízo ao atendimento da população. Por sua vez, a justificativa para a reação veemente do Parlamento baseia-se no dever constitucional de fiscalização, sustentando que qualquer instabilidade em bancos de dados governamentais representa uma ameaça direta à transparência e à estabilidade social.
O método operacional utilizado pelos criminosos consistiu na quebra de barreiras digitais de criptografia para acessar a rede interna da secretaria, seguido de uma suposta exigência financeira ilegal que acabou ignorada pelas autoridades. Do lado institucional, o método de resposta envolveu o acionamento imediato da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos (DRCI) para subsidiar a investigação criminal, além do anúncio de auditorias nos sistemas redundantes do Estado.

Os desdobramentos futuros desse imbróglio apontam para uma inevitável reformulação nas políticas de investimentos em segurança cibernética de Mato Grosso, com pressões para o fortalecimento da Empresa Pública de Tecnologia da Informação (MTI). Além disso, a Mesa Diretora do Legislativo garantiu que a comissão investigativa requisitará auditorias independentes para assegurar que nenhum dado relevante tenha sido permanentemente suprimido ou mascarado durante o período em que o sistema esteve vulnerável.
As perspectivas de encerramento do caso dependem agora do avanço do inquérito policial e da capacidade de o Estado demonstrar que seus mecanismos de salvaguarda digital são invioláveis contra futuras incursões. O presidente da Assembleia Legislativa assegurou que as investigações da CPI não sofrerão paralisações ou entraves técnicos, visto que os mecanismos de armazenamento externo garantirão o fluxo contínuo de provas, blindando o processo político contra interferências do crime virtual.
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