ARTICULAÇÃO POLITICA NA ALMT
Como premio de consolo: Botelho no TCE/MT
Um nome surgiu como futuro aposentado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), do Conselheiro Waldir Teis, que completou 71 anos em outubro deste ano e estaria disposto a antecipar a aposentadoria para se dedicar a família, e com isso, movimentou os bastidores da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). É que se anunciava ali a abertura para vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
De lá para cá o principal assunto nos corredores da Casa de Leis gira em torno das articulações que se formam para a indicação de uma nome.
O QUE ESTÁ EM JOGO?
Mas o que faz a escolha de um membro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), uma função, num primeiro olhar, um tanto quanto técnica, ser tão cobiçada? O Blog do Valdemir ouviu algumas fontes, pessoas que atuam (ou atuaram no Tribunal), além de pessoas nos corredores da Assembleia Legislativa para entender o porquê.
E é quase uma unanimidade: a qualidade de atuação que o cargo oferece. Sem contar o salário de causar inveja. É considerado um dos maiores pagos no estado com os inúmeros penduricalhos. Dizem alguns que é maior até do que o do próprio governador mato-grossense. Além desse montante, cada Conselheiro também dispõe vários assessores, entre auxiliares e consultores, com um gabinete bem reforçado na sede do Tribunal de Contas Mato-grossense.

INFLUÊNCIA, PODER E RESPEITO
No campo da política estes atores não costumam aparecer muito. Aliás, uma vez eleito Conselheiro, fim deste período de pedir votos, reuniões com lideranças, articulações políticas, pedidos de indicações no Governo do Estado ou em prefeituras municipais. Para um Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), seus poderes passam a lhe oferecer automaticamente bastante influência. Até porque eles são os responsáveis por analisar e julgar as contas dos municípios mato-grossenses e do próprio Governo do Estado.
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) pode imputar penalidade para prefeitos e para o governador. Em teoria, eles devem abrir mão de suas filiações partidárias e gostos políticos.
CARGO VITALÍCIO E ALGUMAS SESSÕES POR SEMANA
Outro detalhe, mas não menos importante: o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) é vitalício. Ou seja, uma vez empossado os benefícios são para toda a vida. E valem para a família. O Tribunal de Contas Mato-grossense hoje possui 7 Conselheiros titulares.
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) tem um corpo deliberativo composto por Conselheiros. De acordo com a Súmula 653 do Supremo Tribunal Federal (STF), a composição do Tribunal de Contas Estadual é de 7 Conselheiros, sendo que quatro são escolhidos pela Assembleia Legislativa Mato-grossense e três pelo chefe do Poder Executivo Estadual.
Conselheiro Sérgio Ricardo, presidente
Conselheiro Guilherme Antonio Maluf, vice-presidente
Conselheiro José Carlos Novelli, corregedor-geral
Outros conselheiros do TCE-MT são: Conselheiro Domingos Neto, Conselheiro Valter Albano, Conselheiro Antonio Joaquim, Conselheiro Waldir Júlio Teis.

Premio de consolo: Grupo articula ida de Botelho ao TCE
Especula-se que o deputado estadual José Eduardo Botelho (UB), seja a favorita a ficar com esta vaga da possessível saída de Waldir Teis, que completou 71 anos em outubro deste ano e estaria disposto a antecipar a aposentadoria para se dedicar a família, com apoio de um grupo de deputados estaduais que vem trabalhando nos bastidores a indicação do atual presidente da Assembleia Legislativa (ALMT)
Botelho é o nome preferido para ocupar a vaga do conselheiro Waldir Teis
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), por quatro mandatos consecutivos do parlamento estadual, o deputado amargou o terceiro lugar na disputa pela Prefeitura de Cuiabá deste ano e está fora da composição da próxima Mesa Diretora da Casa de Leis, marca o fim do ciclo de Eduardo Botelho, abrindo espaço para novas lideranças, e serviria como prêmio de consolo para que ele saísse de cena “por cima”, em homenagem aos relevantes serviços prestados à frente do Poder Legislativo.
Os diálogos foram intensificados na última semana e, conforme a reportagem apurou, Waldir Teis foi bastante receptivo com a possibilidade.
Caso a articulação se concretize, o atual secretário de Estado de Estado de Saúde (SES/MT), Gilberto Figueiredo (UB), assumiria a cadeira de deputado estadual, o que agradaria a base aliada do governo Mauro Mendes (UB), já que as investigações da Polícia Federal em supostas irregularidades em contratos da pasta poderiam chegar ao secretário e criar um desgaste na imagem da gestão.
Waldir Teis ocupada uma das 4 vagas de livre indicação da Assembleia Legislativa. Ele foi indicado em 2007, em uma articulação do então governador Blairo Maggi junto aos deputados. Em 2020, enquanto ainda estava afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da “Operação Malebolge“. Waldir Teis entrou com pedido de aposentadoria na Corte de Contas.
O pedido motivou recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) para que o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) não autorizasse a aposentadoria. O órgão reconheceu que o Conselheiro preenchia as condições para se aposentar, porém negou a autorização sob argumento de que Waldir Teis não havia anexado ao pedido qualquer comprovação documental obrigatória. Em 2021, Waldir Teis foi reintegrado ao cargo de Conselheiro após decisão judicial e não oficializou pedido para aposentadoria.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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