Política
Advogado diz que cabo da PM inocentou o coronel reformado Zaqueu do esquema de “escutas telefônicas”
O cabo da PM, Gerson Ferreira Gouveia Junior, afirmou em seu depoimento que o coronel da reserva Zaqueu Barbosa não tem nada haver com o esquema de “escutas telefônicas” que foram realizadas em Mato Grosso durante a campanha de 2014 e o início do governo Pedro Taques (PSDB) em 2015.
Segundo o advogado do coronel, Flávio Ferreira, o cabo foi claro em suas afirmações no depoimento que prestou no inquérito militar, afirmando que Zaqueu não deu nenhuma ordem para a realização de escutas.
“Ele disse que o coronel Zaqueu não sabia e que ele tomou todas as decisões sozinho e que o Zaqueu nunca soube de nada”, declarou o advogado do coronel Zaqueu.
As declarações do cabo foram colhidas pelo coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM), que investiga a fraude, durante depoimento prestado na tarde de terça-feira (6), no Quartel do Comando Geral (QCG).
O coronel Zaqueu Barbosa está preso desde o dia 23 de maio, na unidade de custódia do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) quando foi expedido o mandado de prisão pelo juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros, que apontou que seria ele o mandante das interceptações telefônicas que tiveram ilegalmente como alvo políticos, advogados, agentes públicos e jornalistas, por terem suas linhas telefônicas inseridas em pedido de interceptação telefônica, como se fizessem parte de uma quadrilha de tráfico de drogas internacional, da qual participariam policiais. O esquema foi denunciado pelo o ex-secretário de Segurança Pública, o promotor de Justiça Mauro Zaque.
“Ele disse que o coronel Zaqueu não sabia e que ele tomou todas as decisões sozinho e que o Zaqueu nunca soube qualquer outra caracterização. Somente no primeiro momento em que a ouvida foi para apurar crimes militares. O cabo disse também que tudo foi feito com ordem do juiz”, disse o advogado à reportagem.
O depoimento do coronel, que não ocorreu na quarta-feira (7) deve acontecer na próxima terça-feira (13) ou quarta-feira (14), também no Quartel do Comando Geral (QCG).
“O novo depoimento deverá ocorrer na próxima semana, porque o presidente do inquérito tem prazo para cumprir. Então muito provavelmente terça ou quarta-feira, ele será ouvido”, explicou.
Política
Fratura interna e boicote de 81% dos prefeitos do PL em Mato Grosso
A oficialização da candidatura do Senador Wellington Fagundes ao Governo do Estado de Mato Grosso pelo Partido Liberal (PL) transformou-se no palco ostensivo de uma profunda fratura política interna. Durante o evento partidário realizado na capital mato-grossense, a busca pela demonstração de força e unidade deu lugar a um cenário de visível esvaziamento institucional, revelando que a consolidação da chapa majoritária na esfera estadual caminha a passos largos em sentido oposto aos interesses e às articulações da maioria das bases municipais da própria legenda.
Os protagonistas dessa conjuntura incerta dividem-se entre a cúpula que tenta sustentar o projeto majoritário e as lideranças locais que optaram pela dissidência declarada. Enquanto Wellington Fagundes busca se viabilizar no pleito estadual ao lado de sua nora, a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, figuras de expressivo peso eleitoral como: o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, Flávia Moretti (Várzea Grande), Cláudio Ferreira (Rondonópolis) e Álvaro Galvan (Tapurah), entre outros nomes, encabeçam o grupo de gestores que decidiram distanciar-se ostensivamente do palanque oficial.
O epicentro do impasse teve como palco presencial a cidade de Cuiabá, onde ocorreu a Convenção Estadual da Agremiação, contudo seus desdobramentos mais decisivos foram orquestrados a centenas de quilômetros dali, na capital federal. A tensão acumulada nos bastidores do Centro-Oeste exigiu uma intervenção direta do comando nacional em Brasília, evidenciando que a crise eleitoral mato-grossense extrapolou as fronteiras regionais e passou a demandar contornos de arbitragem estratégica no plano federal.
A cronologia dos fatos atingiu seu ponto mais crítico no início do mês, quando a reunião emergencial realizada em Brasília, na última segunda-feira (3), precedeu e selou o clima de frieza observado durante a Convenção. O encontro de urgência ocorreu em um momento determinante do calendário eleitoral, no qual a definição dos rumos das Coligações Partidárias demandava respostas rápidas para conter o agravamento de um desgaste público iminente às vésperas do início oficial da campanha.

O desdobramento prático dessa instabilidade operacionalizou-se por meio de uma ausência orquestrada e altamente simbólica no recinto do evento. Em vez de uma demonstração vibrante de apoio coletivo, a solenidade de homologação transcorreu sob o constrangimento de cadeiras vazias na ala destinada aos chefes dos Executivos Municipais, demonstrando de maneira inequívoca como a insatisfação do eleitorado interno se traduziu em um boicote prático às diretrizes impostas pelo diretório.
O elemento gerador dessa fricção reside na ampla rejeição da base liberal à aliança majoritária estabelecida com a deputada estadual emedebista Janayna Riva, aliada ao compromisso prévio firmado pela quase totalidade dos prefeitos em favor da candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A percepção de que a composição atendeu prioritariamente a arranjos de conveniência familiar no estado motivou a reação dos gestores, que enxergaram no acordo uma afronta ao alinhamento ideológico e pragmático construído nos municípios.
A mensuração dessa resistência reflete números expressivos e contundentes no mapa político estadual: dos 22 prefeitos eleitos ou filiados ao Partido Liberal em Mato Grosso, apenas quatro compareceram ao ato solene na capital.

A estatística traduz um índice de abstenção de 81% entre os gestores municipais da sigla, um dado numérico devastador para uma candidatura majoritária que necessita do engajamento direto das máquinas administrativas locais para capilarizar suas propostas no interior.
A cartada política articulada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao conduzir a reunião em Brasília ao lado do prefeito cuiabano Abilio Brunini, do deputado federal José Medeiros e do empresário Odílio Balbinotti Filho, visou deliberadamente pacificar o ambiente interno sem impor punições drásticas. O objetivo precípuo do ajuste foi conceder respaldo oficial para que os prefeitos do interior não sejam obrigados a fazer campanha para o senador, evitando assim uma debandada geral ou um colapso definitivo da sigla no estado.
A flexibilização aprovada pela direção nacional beneficia de forma direta os prefeitos e lideranças regionais que rechaçam a composição com o MDB de Janayna Riva, garantindo-lhes salvaguarda política e liberdade de atuação nos municípios. Dessa forma, a militância e os chefes locais ganham cobertura institucional para preservar suas alianças regionais com Otaviano Pivetta, resguardando suas respectivas bases eleitorais da rejeição associada ao arranjo majoritário chancelado na convenção.
Apesar do visível isolamento na disputa ao Palácio Paiaguás e ao Senado, a convenção estadual do PL cumpriu a formalidade de homologar as chapas relativas aos cargos proporcionais, chancelando os nomes que disputarão as cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e na Câmara Federal. O grande desafio que se impõe para a sequência do pleito será medir até que ponto a fratura na chapa majoritária impactará o desempenho dos candidatos a deputado, em um cenário em que a unidade partidária dá lugar a um pragmático arranjo de sobrevivência política individual.
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