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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

PF alveja Ciro Nogueira em “Operação” sobre esquema de corrupção no Banco Master

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga um sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O foco central desta nova etapa reside na apuração de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, supostamente operados em benefício do Banco Master e de seu principal acionista, Daniel Vorcaro. A ação ocorre em um momento de alta tensão política e econômica, reforçando o cerco institucional contra práticas que comprometem a integridade do mercado de capitais brasileiro e a lisura de processos legislativos no Congresso Nacional.

A ofensiva mobiliza agentes federais em uma série de diligências simultâneas em quatro unidades da federação: Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, todos expedidos sob a chancela do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo primordial da corporação é a coleta de provas documentais e digitais que possam robustecer os indícios de autoria e materialidade dos delitos, além de interromper a continuidade de atividades ilícitas que ainda pudessem estar em curso.

Entre os principais alvos das buscas destaca-se o senador Ciro Nogueira (PP-PI), figura de proeminente influência no cenário político nacional e ex-ministro da Casa Civil. A suspeita que recai sobre o parlamentar envolve o recebimento de vantagens indevidas e a atuação legislativa em prol de interesses privados. A Polícia Federal identificou diálogos comprometedores e registros de transferências financeiras que conectam o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, levantando questionamentos sobre a legitimidade das relações mantidas entre membros do alto escalão do Legislativo e representantes do setor financeiro.

As investigações ganharam tração após a perícia técnica no aparelho celular de Vorcaro, onde os peritos encontraram mensagens explícitas de proximidade pessoal e profissional com Nogueira. Em uma das comunicações, o banqueiro refere-se ao senador como um “grande amigo de vida”, termo que contrasta com as declarações anteriores do parlamentar, que havia negado proximidade ou o recebimento de quaisquer valores.

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O cruzamento de dados bancários com as conversas telemáticas permitiu à PF identificar ordens de pagamento destinadas a um interlocutor identificado apenas como “Ciro“, o que serviu de estopim para o aprofundamento das buscas nesta quinta-feira.

O nexo causal da investigação aponta para o uso do mandato parlamentar como ferramenta de favorecimento econômico direto ao Banco Master. No dia 13 de agosto de 2024, Daniel Vorcaro celebrou o que chamou de “bomba atômica no mercado financeiro”, data que coincide rigorosamente com a apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia do Banco Central por Ciro Nogueira.

A referida emenda visava elevar o teto da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida que beneficiaria sobremaneira a captação de recursos da instituição financeira investigada.

Especialistas do mercado e agentes políticos identificaram nessa proposta a “digital” do favorecimento, uma vez que a expansão da cobertura do FGC era o pilar da estratégia de expansão do Master para atrair investidores em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Tal manobra permitiria ao banco alavancar investimentos com um selo de segurança estatal muito superior ao praticado no mercado, reduzindo o risco percebido pelos clientes e canalizando vultosos montantes para a instituição.

A PF investiga agora se a iniciativa legislativa foi uma contrapartida direta a pagamentos efetuados pelo banqueiro ao senador.

Um elemento adicional de complexidade nesta fase da operação é a coincidência temporal com as tratativas de uma colaboração premiada. A defesa de Daniel Vorcaro apresentou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta formal de delação, contendo resumos de fatos e indicações de provas documentais. Contudo, os investigadores ressaltam que esta quinta fase da Compliance Zero não deriva das revelações feitas no acordo, uma vez que a delação ainda se encontra em estágio preliminar de análise e não possui valor probatório homologado, tratando-se, portanto, de frentes investigativas independentes que convergem para o mesmo núcleo.

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A cronologia da operação demonstra um efeito dominó sobre o ecossistema de corrupção que envolveria bancos e órgãos públicos. Na quarta fase da operação, ocorrida em 16 de abril, a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), já havia sinalizado a amplitude da rede criminosa. Assim como Vorcaro, o ex-dirigente do BRB também sinalizou a intenção de colaborar com a justiça, o que sugere um desmonte iminente de diversas camadas de influência indevida em instituições bancárias, tanto públicas quanto privadas, sob o comando ou influência dos ora investigados.

A defesa do senador Ciro Nogueira, até o fechamento deste relatório, não havia emitido manifestação oficial detalhada sobre os novos fatos narrados, embora anteriormente tenha sustentado a tese de inocência e ausência de proximidade espúria com o sistema financeiro. Por sua vez, o Banco Master e Daniel Vorcaro mantêm-se sob constante vigilância das autoridades monetárias, enquanto seus advogados tentam viabilizar o acordo de delação que poderá atingir outros nomes do Parlamento e da administração pública.

O rigor na coleta das provas visa evitar nulidades processuais futuras, garantindo que a instrução criminal respeite o devido processo legal.

Com a deflagração desta fase, a Polícia Federal reafirma o compromisso com a repressão aos crimes de colarinho branco que desviam a finalidade das instituições democráticas para o enriquecimento ilícito de grupos econômicos. A análise do material apreendido nesta manhã será fundamental para confirmar se a “bomba atômica” mencionada por Vorcaro era, de fato, a manipulação das leis brasileiras em troca de propinas.

O desfecho da Operação Compliance Zero promete redefinir os limites éticos entre o lobby corporativo e a produção legislativa, expondo as entranhas de um esquema que uniu cifras bilionárias e poder político no coração da República.

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Polícia Civil mira liderança de facção criminosa que articulava controle de bairros em Cuiabá

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (5), a Operação Roleta Russa para cumprir 12 ordens judiciais contra integrantes de uma facção criminosa envolvidos com tráfico de drogas, extorsão e outros crimes na cidade de Cuiabá.

Na operação, são cumpridos dois mandados de prisão preventiva, três de busca e apreensão domiciliar, além do sequestro de um veículo e do bloqueio de valores no limite de R$ 10 milhões nas contas dos investigados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Cuiabá.

A investigação, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), tem como alvo principal uma liderança de uma facção criminosa, que atualmente se encontra preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).

O faccionado, que cumpre pena em regime fechado, atingiu os requisitos para progressão ao regime semiaberto no último dia 1º de maio. O novo mandado de prisão tem como objetivo impedir a progressão de regime e mantê-lo custodiado.

O segundo alvo dos mandados de prisão é o primo do investigado, que está em liberdade e é apontado como braço direito no cometimento dos crimes e na tentativa de domínio de territórios.

Atuação no crime

As investigações apontaram que o suspeito, mesmo preso, utilizava sua posição hierárquica na facção para controlar atividades criminosas e tentar exercer domínio em bairros da cidade de Cuiabá, como o Planalto e o Altos da Serra.

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De dentro da unidade prisional, ele emanava ordens buscando a liderança do tráfico de drogas, das extorsões e de outras atividades criminosas em áreas designadas, em benefício próprio e da facção. Também atuava na negociação do tráfico de drogas com emissários da Bolívia e no controle dos lucros obtidos com as vendas em Cuiabá. O primo executava esses comandos de fora da cadeia.

Lavagem de dinheiro

As investigações apontam que os alvos movimentaram mais de R$ 20 milhões em três anos, em favor da facção criminosa e dos familiares do conselheiro, sendo ele também o responsável por liderar a lavagem de dinheiro e a ocultação de patrimônio adquirido com os crimes praticados, com o auxílio da esposa e de um primo.

A esposa, apesar de não possuir profissão ou renda fixa, mantinha uma vida confortável, com casa própria, bens de alto valor e um veículo de luxo, que será objeto de sequestro.

Com base nos elementos apurados, o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas representou pelas medidas judiciais contra os investigados, que foram deferidas pela Justiça. Além das prisões, foram autorizados mandados de busca domiciliar na residência da esposa do conselheiro da facção e em outros dois endereços de pessoas ligadas a ele.

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Outras medidas autorizadas pela Justiça incluem o sequestro de um veículo de luxo ocultado e utilizado pela esposa do faccionado, bem como o bloqueio de seis contas bancárias utilizadas na lavagem de dinheiro. Entre as contas bloqueadas está a de uma advogada que já foi alvo da Operação Apito Final, também deflagrada pela GCCO.

Operação Pharus

A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.

Renorcrim

As atividades em curso estão inseridas no cronograma da Operação Nacional da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas). A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e da Diopi (Diretoria de Operações Integradas e Inteligência). A rede articula unidades especializadas das Polícias Civis de todo o país, promovendo uma resposta unificada e de alta precisão contra as estruturas do crime organizado.

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