ECONOMIA
Taques assegura repasse aos poderes no mês de setembro
O conjunto de medidas adotadas pelo Governo Estadual nos últimos meses, visando reduzir as despesas e aumentar a receita, foi responsável por assegurar o pagamento da folha salarial de agosto no último dia do mês. Além disso, até o dia 26 de setembro, o Executivo deverá repassar R$ 195 milhões ao Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas e Defensoria Pública referentes ao duodécimo. Os repasses, segundo o governador Pedro Taques, resultam de uma união de esforços para equilibrar as contas do Estado.
"Respeitando a autonomia e a independência dos poderes, colocamos em debate o futuro financeiro do nosso Estado. Eu sempre defendi que só iremos superar este momento de crise juntos. E é o que está acontecendo. Os demais poderes entenderam o momento, revisaram suas previsões financeiras para honrar a folha dos servidores públicos. No mês de setembro, já asseguramos o repasse aos poderes para que os salários continuem em dia", afirmou Pedro Taques.
Pelas previsões da Secretaria de Fazenda, o mês de setembro é considerado o mais crítico para Mato Grosso. Isso porque além da folha, que fechou em R$ 606,4 milhões, o Governo deverá pagar mais uma parcela da dívida dolarizada com o Bank of America, de mais de US$ 34 milhões. Com a variação cambial, em reais, a despesa "extra" ultrapassa R$ 100 milhões. Para piorar a situação financeira do Executivo, a União ainda não repassou em 2016 cerca R$ 400 milhões do Auxílio Financeiro para Fomento às Exportações (FEX).
"A conta não fecha. É isso que estamos mostrando desde o começo do ano. A conta da Copa do Mundo chegou, aumentando as despesas, no entanto, não entra dinheiro novo no caixa. Vamos manter as agendas em Brasília em busca da liberação do FEX, recurso que nos salvará dessa situação crítica. Continuamos buscando apoio de nossa bancada no Congresso Nacional e de outros governadores na mesma situação para cobrar da União uma solução", reforçou o governador.
Cortes
As ações para diminuir as despesas do Executivo continuam. No Diário Oficial do Estado que circulou nesta quarta, um novo decreto de contingenciamento dos gastos do Poder Executivo foi publicado. O decreto busca o equilíbrio das contas públicas e a contenção do aumento percentual de gasto com pessoal. Além disso, a medida prevê a redução das despesas com o custeio da máquina.
Pelo texto, as unidades do Executivo deverão reduzir 10% do consumo de água, energia elétrica, gasto com aluguéis, limpeza e outros contratos considerados essenciais. Os órgãos também ficam obrigados a reduzir em 25% as despesas com viagens nacionais e internacionais e a redução em, no mínimo, 20% das despesas com o uso de telefonia. Caso as metas não sejam cumpridas, os titulares das unidades orçamentárias serão penalizados com cortes nos programas finalísticos da pasta.
ECONOMIA
Reajuste da tarifa de água amplia embate entre Prefeitura, Ministério Público e Concessionária
O reajuste de 11,93% nas tarifas de água e esgoto cobrado pela concessionária Águas Cuiabá entrou em vigor nesta sexta-feira (27), intensificando o impasse entre a empresa, a Prefeitura de Cuiabá e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT). A elevação tarifária passou a produzir efeitos mesmo diante da contestação formal apresentada pelo Executivo Municipal e da instauração de inquérito civil pelo Ministério Público, que recomendou a suspensão imediata da medida.
Embora o percentual oficial autorizado seja de 11,93%, os efeitos práticos sobre as faturas poderão ser significativamente superiores. Em razão da incidência cumulativa do reajuste sobre a tarifa de coleta e tratamento de esgoto, técnicos estimam que o impacto final para parte dos consumidores poderá se aproximar de 20%, aumentando substancialmente o comprometimento da renda das famílias cuiabanas.
O Ministério Público justificou a recomendação pela necessidade de preservar o interesse coletivo e evitar prejuízos econômicos aos usuários do serviço público. Na avaliação do órgão, o reajuste possui potencial para comprometer o orçamento doméstico, sobretudo das famílias em situação de maior vulnerabilidade financeira, motivo pelo qual foi instaurado procedimento para analisar a legalidade e os fundamentos da atualização tarifária.
O Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), reafirmou posicionamento contrário ao aumento e declarou que a administração municipal adotou todas as medidas administrativas e jurídicas disponíveis para tentar impedir a aplicação do reajuste. Segundo o chefe do Executivo, a Prefeitura Municipal notificou oficialmente a concessionária contestando a correção tarifária e manifestou discordância quanto aos impactos financeiros provocados pela decisão.
Conforme explicou o prefeito cuiabano, o Município entende que o percentual aplicado representa um aumento excessivo para a realidade econômica da população.
“Entendemos que é um valor muito alto e que pesa no bolso da população. Por isso, a Prefeitura se posicionou contra e fez tudo o que podia para defender o cidadão“, afirmou Abilio Brunini ao comentar as providências adotadas pela administração municipal.
Apesar das medidas adotadas, o prefeito esclareceu que a capacidade de atuação do Executivo foi limitada por decisão favorável à concessionária proferida por uma Câmara Arbitral. Segundo ele, após o esgotamento das possibilidades administrativas disponíveis ao Município, eventual suspensão do reajuste dependerá de decisão do Poder Judiciário, mediante provocação de instituição com legitimidade para propor a medida, como o Ministério Público.
Nesse contexto, a Prefeitura de Cuiabá encaminhou ao Ministério Público toda a documentação relacionada ao processo, incluindo informações técnicas e jurídicas produzidas durante a análise do reajuste.
O objetivo é subsidiar eventual adoção das medidas judiciais consideradas cabíveis pelo órgão ministerial, que atualmente conduz investigação sobre a legalidade da revisão tarifária.
Abilio Brunini também atribuiu parte da consolidação jurídica do reajuste ao parecer favorável emitido, em dezembro de 2024, pela Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (Arsec). Segundo o prefeito, esse posicionamento técnico fortaleceu o pedido apresentado pela concessionária durante o procedimento arbitral e reduziu significativamente as possibilidades de reversão administrativa pela atual gestão.

Enquanto o impasse permanece sem solução definitiva, consumidores já passam a receber as contas com os novos valores, situação que amplia a preocupação quanto aos impactos financeiros decorrentes do aumento. O caso também reforça o debate sobre os mecanismos de regulação, fiscalização e equilíbrio contratual dos serviços públicos concedidos no município, especialmente em um cenário de crescente pressão sobre o custo de vida da população.
Com a entrada em vigor do reajuste, os desdobramentos passam a depender da atuação do Ministério Público e de eventual manifestação do Poder Judiciário.
Até que haja decisão em sentido contrário, permanece válida a cobrança autorizada, enquanto Prefeitura, órgãos de controle e concessionária mantêm posições divergentes sobre a legalidade, a razoabilidade e os efeitos econômicos da atualização tarifária aplicada aos usuários dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Cuiabá.
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