ECONOMIA
Maggi cobra do BNDES garantia de financiamento às concessionárias
"Se as empresas que tocam as obras rodoviárias no País não tiverem acesso ao crédito, muito provavelmente vão parar os investimentos", disse o senador Blairo Maggi (PMDB) em audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado (CI). Na pauta dos senadores a atual conjuntura das obras rodoviárias que estão sendo realizadas no sistema de concessão.
Maggi questionou ao representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se o banco manterá os contratos e garantirá a execução de projetos que já estão em andamento em todo o País. "Sabemos que as condições mudaram, mas, precisamos saber se o banco está trabalhando, se tem recursos e interesse nesses financiamentos para as concessionárias? A garantia de 70% do valor financiado já virou 'até' 70%, mas, os contratos serão feitos em TJLP?", arguiu.
O parlamentar explica que em Mato Grosso o pedágio não é barato para o setor produtivo, já que uma carga de grãos que sai de Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá) e segue rumo ao porto de Paranaguá, por exemplo, paga R$ 30,00 por tonelada de produto. "Não queremos continuar pagando esses valores sem ter as rodovias duplicadas e sentindo o reflexo direto no tempo que esse caminhão fica rodando. Precisamos valorizar o ganho de eficiência, ou seja, pagamos o pedágio, mas temos em contrapartida qualidade nas rodovias e otimização no escoamento", disse.
Cleverson Aroeira da Silva, chefe de Transporte e Logística do BNDES, garantiu apoio às concessionárias. "As negociações continuam sendo TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) com 2% de juros na carta, digo isso ao reforçar que o banco está comprometido em prover os recursos necessários para que a empresa de Mato Grosso, Rota D'Oeste, tenha acesso ao crédito e prossiga seus investimentos", assegurou.
Silva concordou que projetos de infraestrutura de grande envergadura necessitam de linhas de crédito. "Nesses casos o financiamento é indispensável para a viabilidade do projeto, e mais, não há problema algum as empresas terem suas taxas internas de retorno, isso é até desejável para todos nós. Recursos existem, estão disponíveis e o setor poderá contar com o BNDES", garantiu.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou uma extensa revisão de suas políticas operacionais ainda em 2014 ao reduzir seus níveis de participação e de parcela do financiamento em Taxa de Juros de Longo Prazo? (TJLP). Mas, mesmo com a redução da fatia de financiamento em TJLP, existe a garantia de que não faltarão recursos para o financiamento dos investimentos.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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