CRISE HÍDRICA
“Governo vai na contramão do que deveria ser feito”
A busca por fontes de energia mais limpas e sustentáveis é uma das metas globais dos últimos anos que continuará a ser um objetivo nos próximos. É um trabalho conjunto de comunidades, empresas e autoridades para que o objetivo fique cada vez mais próximo ou mesmo seja alcançado.
Esse esforço conjunto também deve vir com apoio para que indústrias tenham uma energia sustentável, uma vez que elas são responsáveis por 40% do consumo de energia elétrica no Brasil. A energia fotovoltaica é a fonte de energia sustentável que mais se expande, sendo uma opção cada vez mais acessível, e incentivada pelo mundo todo para pessoas e empresas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em sua Resolução de 2012, tinha como proposta o incentivo à geração de energia renovável e sustentável pelas indústrias, por exemplo, isentando o pagamento da tarifa de energia elétrica de distribuidora.
Mas a ANEEL propôs uma mudança, em 2019, que não agradou ninguém e fez o medo crescer em quem pensava fazer a instalação de um painel solar ou fez recentemente.
A Resolução da ANEEL de uma taxa de energia solar causou polêmica tanto nas pessoas que têm e/ou defendem as fonte de energia mais limpa, quanto nas empresas que já implementaram um sistema solar. Mas também causou indignação em políticos, que sabem da importância de pessoas e indústrias adotarem medidas que economiza recurso natural e as faz economizar também na conta de luz.
Na sessão da manhã desta quarta-feira (9), o deputado estadual Faissal Jorge Calil Filho (PV) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) para criticar mais uma vez a postura do Governo do Estado, que insiste em tributar a energia solar, cobrando ICMS do setor.
O parlamentar estadual do Partido Verde (PV) é o autor de um Projeto de Lei aprovado recentemente pela Casa de Leis e que ainda não foi sancionado pelo governador Mauro Mendes Ferreira (DEM).
O deputado estadual destacou que o país viverá nos próximos meses uma crise hídrica preocupante, que deverá ocasionar aumento nas tarifas de energia e existe, inclusive, possibilidade de racionamento. Para o parlamentar, o assunto já foi discutido e deliberado em 2019, com aval do próprio Governo do Estado e que as ações do Executivo Estadual estão na contramão dos estados vizinhos, como Rondônia, Goiás e Mato Grosso do Sul, que não tributam ICMS da energia solar.
“Mato Grosso, mais uma vez está ficando para trás e para piorar, enfrentaremos uma crise hídrica nos próximos meses e o Governo do Estado está indo na contramão, tentando de qualquer forma taxar o Sol. Nós já discutimos o convênio do Confaz relativo a energia solar em 2019 e havia sido aprovada a sua isenção até 2027. Queremos apenas um tratamento isonômico por parte do Executivo estadual, como o feito em diversos outros setores, como calçados e vestuários, que também tiveram isenções tributárias parecidas”, aponta.
O deputado criticou ainda a maneira como o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) discute e conduz os debates sobre tributação de uma forma geral. Foi com base em uma suposta orientação do órgão que o Governo do Estado decidiu começar a tributar a energia solar em Mato Grosso, no início de abril. Para Faissal, a energia solar sequer deveria ser um assunto a ser debatido pela autarquia, tendo em vista que a entidade foi criada com outro objetivo.
“O Confaz foi criado para acabar com a guerra fiscal entre os estados. A energia solar é produzida e consumida no próprio estado e não atravessa limites regionais. Não faz sentido o Conselho atuar neste setor. Para piorar, suas reuniões são realizadas de forma secreta e sigilosa e não permitem que ninguém possa as acompanhar, o que me causa muita estranheza”, opinou.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
-
Artigos5 dias atrásO momento de suplicar
-
Artigos2 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos1 dia atrásUm apelo ao STF
-
Política6 dias atrásAlianças fluídas e fragmentação partidária desenham o cenário eleitoral mais imprevisível em duas décadas
-
Artigos4 dias atrásO brincar diário de todos nós
-
Política3 dias atrásCorte de Contas rejeita denúncia contra Prefeito de Cuiabá por suposto uso de servidores em redes sociais
-
ESPORTES6 dias atrásBrasil cai diante da Noruega e registra a pior campanha em Copas desde 1990
-
Artigos6 dias atrásNova medicação não hormonal amplia opções para aliviar os fogachos da menopausa


“