CONECTANDO REGIÕES
Governo usará novas concessões para avançar com ferrovia até o Nortão de MT
Os trilhos ferroviários seguirão adentrando em Mato Grosso. O Governo já estuda usar novas outorgas de concessão para avançar com o modal até a cidade de Lucas do Rio Verde, um dos principais centros de produção de grãos do Brasil.
A informação foi dada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ao Senador do Partido Liberal (PL) por Mato Grosso, Wellington Antonio Fagundes, presidente da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura (Frenlogi).
Ao negar desavença com área econômica sobre recursos do Orçamento para infraestrutura, Freitas sinalizou que pretende usar os valores recolhidos no ato das concessões ferroviárias para construir novos trechos, e disse que a extensão da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), de Água Boa até Lucas do Rio Verde, será viabilizada com uma futura concessão do primeiro trecho da própria FICO, entre Mara Rosa (GO) e Água Boa, e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que ligará o Porto de Ilheus (BA) até a Ferrovia Norte-Sul.
“Como construir ferrovias em cenário de restrição fiscal? Temos uma ideia. E essa estratégia busca viabilizar o que pode ser nosso maior legado: a cruz ferroviária brasileira (Norte-Sul, FIOL e FICO), criando três saídas, Itaqui, Ilhéus e Santos, para toda produção do nosso interior“, explicou o ministro.
O modelo a ser usado para levar os trilhos da FICO até Lucas é o mesmo que se aplica à implantação do primeiro trecho da ferrovia, viabilizada a partir da renovação das concessões da Ferrovia Vitória-Minas, e Carajas, operadas pela Companhia Vale. Com isso, a Vale destinará R$ 2,73 bilhões ao fundo destinado à construção da FICO.
As obras da ferrovia devem começar em 2021, uma vez que já se encontram adiantados o projeto básico e o processo de licenciamento ambiental.
Este primeiro trecho da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste terá 383 quilômetros de extensão, conectando a região da BR-158, no Vale do Araguaia em Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul, em Goiás. A construção da ferrovia é sonhada há décadas por quem produz na região.
Wellington Fagundes afirmou que essa ferrovia “será um grande passo para interiorizar o desenvolvimento“, se constituindo “em mola motriz ao crescimento de nosso Estado, e irá reduzir custos até os portos, para exportarmos com mais competitividade“.
Dentro da Frenlogi, segundo o senador, existe inclusive um consenso de que é preciso investir energias para viabilizar o modal ferroviário no Brasil.
“Diante das estradas abarrotadas é importante construir a intermodalidade do transporte no país. Nesse sentido nós acreditamos muito no setor ferroviário“, disse o parlamentar mato-grossense.
Além da Fico, Mato Grosso deverá se beneficiar, a curto e médio prazo, com mais dois projetos ferroviários: o primeiro leva os trilhos da Ferronorte, atualmente em Rondonópolis, até Cuiabá, seguindo também para o Norte do Estado; o segundo, é o projeto da Ferrogrão, que liga Sinop até os portos do Arco Norte da Logística, em Miritituba, onde se conectará ao modal hidroviário até Santarém (PA).
ECONOMIA
Recuperação das bacias hidrográficas encerra ciclo de sobretaxa na energia elétrica no Brasil
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) confirmou, na última sexta-feira, 25, o acionamento da bandeira verde para o mês de outubro em todo o território nacional. A decisão do órgão regulador assegura que a tarifa de energia elétrica cobrada dos consumidores brasileiros não terá nenhum acréscimo financeiro no próximo período de faturamento, marcando uma virada expressiva na gestão dos recursos energéticos do país.
Esta mudança tarifária beneficia diretamente os milhões de consumidores residenciais, comerciais e industriais conectados ao Sistema Interligado Nacional. O encerramento das cobranças adicionais atinge toda a população atendida pela rede elétrica integrada, aliviando o orçamento das famílias e reduzindo os custos operacionais do setor produtivo brasileiro após sucessivos meses de tarifas elevadas.
A medida passa a vigorar oficialmente a partir do dia primeiro de outubro, abrangendo todo o ciclo de faturamento mensal do mês vindouro. As faturas emitidas pelas distribuidoras locais ao longo desse período já refletirão a ausência do custo extra, consolidando a transição do regime tarifário que vigorou durante os meses mais secos do ano.
O encerramento da sobretaxa ocorreu devido ao início do período de transição entre as estações seca e úmida nas principais bacias hidrográficas do país. O aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste estabilizou os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas, permitindo ao Operador Nacional do Sistema Elétrico reduzir o uso das usinas termelétricas, cujo custo de geração é consideravelmente mais alto.

O alívio financeiro se concretizou com o término da bandeira amarela, que vigorou ininterruptamente entre os meses de maio e setembro deste ano. Durante esse intervalo de cinco meses, a sobretaxa imposta aos consumidores gerava um custo adicional de R$ 1,885 para cada cem quilowatts-hora consumidos, onerando o orçamento doméstico em um momento de atenção aos gastos essenciais.
Para uma família brasileira com consumo médio mensal de duzentos quilowatts-hora, a alteração anunciada representa uma economia direta de cerca de R$ 3,77 na fatura, valor calculado antes da incidência dos impostos estaduais e federais. Embora pareça modesta individualmente, essa redução gera um impacto positivo significativo quando somada em escala nacional, estimulando o consumo e reduzindo a pressão inflacionária sobre o custo de vida.
O processo de definição das bandeiras tarifárias é gerenciado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) com base no monitoramento contínuo das condições de geração de energia no país. O Operador Nacional do Sistema Elétrico avalia semanalmente a capacidade dos reservatórios e os custos de produção, fornecendo os dados técnicos que fundamentam a decisão do órgão regulador sobre a necessidade ou não de acionar fontes de energia complementares.
O histórico regulatório de 2026 demonstra a oscilação direta das tarifas em relação às condições climáticas observadas no país. A bandeira verde vigorou inicialmente de janeiro a abril, período em que o regime de chuvas mantinha os reservatórios em níveis confortáveis, garantindo a geração limpa e barata sem a necessidade de cobranças adicionais na conta dos cidadãos.

A deterioração das condições hídricas a partir do outono exigiu o acionamento da bandeira amarela no mês de maio, quando o início do período seco começou a afetar criticamente os estoques de água. A manutenção dessa taxa suplementar até setembro refletiu a sustentada necessidade de operar usinas térmicas para garantir o suprimento elétrico contínuo e evitar riscos de desabastecimento no território nacional.
A reabertura do ciclo de bandeira verde em outubro sinaliza uma perspectiva otimista para o encerramento do ano no setor elétrico nacional. A recuperação do volume dos reservatórios e a previsão de continuidade das precipitações pluviométricas nas áreas de captação oferecem estabilidade ao sistema energético, garantindo modicidade tarifária para a sociedade e maior previsibilidade para os agentes econômicos do país.
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