PACTO PELA PRODUÇÃO
Governo de Mato Grosso consolida “alívio fiscal” e extingue Fethab 2 a partir de 2027
O Governador do Estado de Mato Grosso, Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos), oficializou uma decisão estratégica que redefine o panorama fiscal do agronegócio regional: a manutenção do congelamento das taxas do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) até o encerramento de 2024 e a confirmação de que o adicional conhecido como Fethab 2 não será renovado para o exercício de 2027.
O anúncio, realizado com solenidade técnica, atende a uma complexa articulação das principais frentes produtivas do Estado, que buscavam a mitigação dos custos operacionais incidentes sobre as commodities. A medida sinaliza um novo ciclo de relacionamento entre o Poder Executivo e o setor primário, priorizando a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
A formalização das medidas ocorreu durante um seminário técnico promovido na sede da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), em Cuiabá, ambiente que reuniu as lideranças das cadeias produtivas mais influentes do Centro-Oeste. A escolha do local para a divulgação não foi meramente protocolar; ela simbolizou o reconhecimento estatal à relevância das entidades de classe.
Ao lado de representantes da Ampa, Famato e Acrimat, o governador destacou que a decisão é fruto de um monitoramento rigoroso das contas públicas, permitindo que a desoneração ocorra sem comprometer a capacidade de investimento do Estado em áreas sensíveis.

O principal motivador desta guinada na política tributária foi a pressão inflacionária sobre os custos de produção, que tem comprimido as margens de lucro dos agricultores e pecuaristas mato-grossenses. Diante de um cenário global de preços voláteis e insumos valorizados, a carga tributária estadual tornou-se um ponto de inflexão para a competitividade do setor. As entidades representativas, municiadas de dados técnicos, demonstraram ao Governo que a manutenção do Fethab 2 em longo prazo poderia desestimular novos investimentos, o que motivou o pedido direto de extinção da contribuição adicional para o futuro próximo.
Para viabilizar tal renúncia de receita sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Governo do Estado utilizou um planejamento plurianual detalhado, garantindo que o atual ritmo de obras não sofra solução de continuidade. Conforme asseverou Otaviano Pivetta, a gestão estadual logrou êxito em equilibrar o caixa público a ponto de permitir a redução tributária, mantendo, simultaneamente, o maior pacote de infraestrutura rodoviária e habitacional do país. Esse equilíbrio financeiro é o alicerce que sustenta a confiança necessária para o cancelamento definitivo da reedição do fundo suplementar para o ano de 2027.
O anúncio foi recebido com entusiasmo pelas associações, com destaque para a atuação da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Essas instituições foram os braços técnicos que fundamentaram a viabilidade da medida, fornecendo a inteligência de dados necessária para a interlocução com o Palácio Paiaguás.
O Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT) também manifestou reconhecimento público, enfatizando que a sensibilidade do governo às demandas do campo fortalece o pilar econômico que sustenta o desenvolvimento de todo o território estadual.
A execução prática dessas alterações normativas não será imediata no campo jurídico, dependendo agora da tramitação legislativa. O Poder Executivo já prepara o envio de um projeto de lei específico à Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), que deverá chancelar o congelamento dos valores atuais e estabelecer a trava legal para a não renovação do Fethab 2. A expectativa é que a proposta tramite com celeridade, dado o consenso entre as bancadas ligadas ao setor produtivo, conferindo segurança jurídica aos contribuintes e previsibilidade ao orçamento público para o próximo triênio.
O impacto direto desta política será sentido por milhares de produtores rurais, desde os pequenos agricultores familiares até os grandes grupos agroindustriais, que verão uma estabilização imediata nos custos de escoamento. O congelamento dos valores até o final deste ano impede que novas altas no preço dos combustíveis ou da logística sejam repassadas automaticamente à taxa do fundo, oferecendo um respiro necessário em um momento de transição de safra. Para os pecuaristas, a extinção futura do Fethab 2 representa a remoção de uma barreira que historicamente onerava a circulação interna de animais e produtos de origem animal.
Em sua argumentação, o Governador Pivetta pontuou que a diminuição da carga tributária é uma necessidade imperativa para a população, mas ressalvou que tal benefício exige responsabilidade com o erário.
“Estamos fazendo esse anúncio com planejamento e em nome da sustentabilidade“.
Afirmou o gestor, reiterando que o foco na eficiência administrativa é o que permite ao Estado ser, ao mesmo tempo, um indutor de infraestrutura e um facilitador da atividade econômica privada. A postura governamental busca desvincular a imagem do Estado apenas como ente arrecadador, posicionando-o como parceiro estratégico do desenvolvimento.
O setor industrial, por intermédio do presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellincanta, destacou que a união de forças entre o Fórum Agro MT e o IMEA foi o diferencial para o sucesso da negociação. O reconhecimento do papel do produtor rural mato-grossense como o sustento da economia estadual permeou as notas oficiais das entidades, que celebraram o resultado como uma vitória da mobilização técnica sobre a burocracia. A decisão de não reeditar o tributo em 2027 é vista, portanto, não apenas como um ajuste contábil, mas como um gesto de confiança na capacidade de expansão do agronegócio local.
Conclui-se que o cenário para 2027, com o fim do Fethab 2, desenha um Mato Grosso mais competitivo e com uma estrutura tributária mais enxuta para os principais produtos da sua pauta de exportação. Enquanto o projeto de lei aguarda o crivo dos deputados estaduais, o mercado reage positivamente à sinalização de estabilidade. A manutenção dos investimentos em infraestrutura, apesar da futura redução de arrecadação específica, permanece como o grande desafio e, simultaneamente, a maior promessa da atual gestão, que aposta na eficiência para manter o Estado na vanguarda da economia nacional.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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