ECONOMIA
Estado avaliará cenário para aderir ou não a alongamento da dívida
O governador Pedro Taques, em reunião com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em Brasília, nesta terça-feira (15), e anunciou que o Governo do Estado avaliará melhor o cenário para que possa aderir, ou não, à proposta do Governo Federal de alongamento da dívida dos estados com a União.
A proposta do Governo Federal é esticar a dívida com a União, que foi renegociada pela Lei nº 9.496/1997, é conceder aos entes federativos mais 20 anos para pagar o débito. Caso faça a opção pelo alongamento, Mato Grosso ganhará mais dez anos para quitar a dívida, com quatro anos de carência, período em que será feito apenas o pagamento de juros. Essa negociação é possível para dívidas contratadas até 31 de dezembro de 2015.
De acordo com Pedro Taques, é preciso analisar com a equipe técnica do governo os detalhes de tal proposta. “Preciso pensar os cenários a respeito. Para Mato Grosso seriam R$ 150 milhões a menos a pagar se aceitássemos a carência, mas preciso saber qual o volume de operação de crédito a que teríamos possibilidade”, explicou.
Segundo ainda o governador, também é preciso conhecer detalhadamente que tratamento será dado aos estados que foram sede da Copa do Mundo de 2014. “Temos que ver como vai ser para os estados que foram sede da copa, pois parece que eles estariam de fora desses quatro anos de carência, em razão de uma análise feita pelo Tribunal de Contas da União.”
Além disso, na proposta feita pelo Governo Federal, há medidas de curto prazo e também estruturais consideradas “muito duras” pelo governador, podendo prejudicar Mato Grosso.
“Os estados precisam abrir mão de muitos benefícios fiscais. Outro exemplo são os ajustes que deverão ser feitos com relação a despesa de pessoal. Eles são muito duros e isso vai fazer com que o Governo tenha que fazer um esforço muito grande para cumprir as metas de redução de despesa com pessoal”, explicou o secretário Gustavo de Oliveira, do Gabinete de Assuntos Estratégicos, que também participou do encontro em Brasília.
Segundo cálculos da secretaria adjunta do Tesouro de Mato Grosso, a dívida que poderá ser prolongada é de cerca de R$ 3 bilhões, sendo parte dela com a União e outra contraída com o BNDES, direta ou indiretamente (por meio do Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal).
Participaram da reunião com o ministro da Fazenda governadores de todos os estados da federação e Distrito Federal.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
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