ECONOMIA
Desenvolve MT muda a realidade de empreendedores estrangeiros
Nos últimos quatro anos, foram 701 operações de crédito, totalizando mais de R$ 31,4 milhões disponibilizados ao micro e pequeno empresário.
Joanave Alexis é um sobrevivente.
Quando o furacão Matthew assolou o Haiti, em 2016, trouxe uma triste realidade para o empreendedor de 39 anos. O comércio de roupas, que era a fonte de renda de sua família teve que ser deixado para trás. Mas das dificuldades, “Alexis”, como é conhecido, fez uma motivação para o empreendedorismo e assim está reconstruindo sua vida no Brasil, mais precisamente em Cuiabá.
Alexis é um dos microempreendedores atendidos pela agência de fomento do Estado, a Desenvolve MT. Como a concessão de crédito a estrangeiros pelos bancos convencionais é mais burocrática, a instituição foi a solução que o haitiano encontrou para mudar sua vida.
Um dia, saindo do trabalho que tinha como cozinheiro em um restaurante no bairro São Gonçalo Beira Rio, passou por um trailer exposto com uma placa de venda. Isso despertou a curiosidade do profissional, que logo se informou sobre como poderia adquiri-lo. O investimento poderia ser pago em 12x de R$ 1 mil, mas Alexis não tinha recursos para isso.
Foi então que o dono do trailer indicou a Desenvolve MT e com pouca burocracia, o profissional conseguiu uma linha de crédito no valor de R$ 17 mil, que além de pagar pelo trailer, também deu a ele o capital de giro do qual necessitava. Assim surgiu a Pastelaria e Lanchonete Bom Jesus, no bairro Planalto.
Bastante religioso, Alexis conta que o nome do local se deve a sua capacidade de acreditar que Deus está acima de todas as coisas.
“Nada foi fácil, mas a gente tem Deus na vida e eu também sou honesto”, contou o imigrante, que faz questão de pagar em dia o financiamento, já que tem planos futuros para o crescimento de seu negócio.
Como o movimento de clientes às vezes é fraco, principalmente porque no bairro existem outros comerciantes, Alexis já buscou uma solução: quando terminar de pagar o financiamento, pretende investir em um carro para locomoção do trailer, certamente com uma nova linha de crédito concedida pela Desenvolve MT. Também pretende oferecer mais produtos, como pizzas.
A linha de crédito mais ofertada para empreendedores como o haitiano é o microcrédito. No caso específico de estrangeiros, a Desenvolve MT tem como exigência que o beneficiário possua visto de permanência no país. Tendo este documento, o cliente deve apresentar outros documentos e comprovações necessárias para a análise de crédito.
O microcrédito tem como limite o valor de R$ 20 mil, podendo ser disponibilizado tanto para pessoa física, quanto para jurídica. Além disso, o parcelamento do financiamento pode ser realizado em 36 meses com três meses de carência.
Quem atendeu Alexis e acompanhou sua trajetória até então foi o agente de fomento da Desenvolve MT, Julio Pereira, que trabalha na agência desde 2009. O servidor conheceu um pouco mais sobre a vida de seu cliente e percebeu como a concessão de crédito teve o poder de mudar a realidade e ajudar na construção de sonhos.
“Como sempre atuei na concessão de crédito atendendo diretamente pessoas como o Alexis, eu percebi que essa é uma atividade gratificante. Geralmente essas pessoas personificam a Desenvolve MT e criam um laço afetivo com você. Quando eles te veem na rua, apertam sua mão, abraçam e aí você tem a percepção de que o trabalho que a gente faz ali pode mudar a vida das pessoas”, destacou o servidor.
Apesar de ser o dono do próprio negócio, Alexis continua exercendo o ofício de cozinheiro e conciliando as duas atividades. Com fé, bom humor e sem nunca deixar de lado o sorriso no rosto, o estrangeiro não deixa de acreditar em uma vida melhor para si, para sua esposa e para seus filhos.
BALANÇO
Ao todo, a Desenvolve MT realizou nos últimos quatro anos 701 operações de crédito, totalizando mais de R$ 31,4 milhões disponibilizados ao micro e pequeno empresário. No ano passado, foram realizadas quase 180 operações de crédito, em um total de R$ 8,4 milhões injetados na economia local. Assim como o Microcrédito, a agência também oferece linhas de crédito específicas para as áreas de turismo, agronegócio, transporte, indústria e agroindústria e inovação.
Para conhecer mais sobre os produtos oferecidos, o atendimento presencial é realizado de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h, no Edifício Top Tower, Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2368, salas 1 e 2 (térreo), Bosque da Saúde, Cuiabá/MT. Mais informações pelo telefone: (65) 3613-7900 ou pelo site www.desenvolve.mt.gov.br.
ECONOMIA
Conta de energia pode acumular quase R$ 1 trilhão em custos adicionais até 2050
Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas adotadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026 poderão acrescentar aproximadamente R$ 985 bilhões às tarifas de energia elétrica brasileiras até 2050. O estudo analisa decisões relacionadas ao setor elétrico e projeta seus impactos financeiros para consumidores residenciais, produtores rurais, comerciantes, indústrias e prestadores de serviços em todo o país.
Segundo a entidade, os custos adicionais decorrem de medidas provisórias, leis, leilões de energia, acordos administrativos e alterações legislativas aprovadas no período analisado. A projeção indica que os efeitos dessas iniciativas tendem a ser incorporados gradualmente às tarifas, influenciando a composição da conta de luz nas próximas décadas.
A política energética brasileira é conduzida pelo Governo Federal, responsável pelo planejamento do setor, pela formulação de diretrizes, pela edição de medidas provisórias e pela coordenação de ações administrativas. De acordo com a análise apresentada pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), decisões tomadas nesse âmbito podem produzir impactos permanentes sobre a estrutura tarifária quando resultam na criação de novos encargos ou obrigações para o sistema elétrico.

O estudo também destaca a participação do Congresso Nacional no processo de definição das regras do setor. Conforme a entidade, a aprovação de dispositivos inseridos em projetos legislativos, conhecidos como “jabutis”, e a manutenção de mecanismos que elevam os custos permanentes do sistema contribuem para ampliar despesas posteriormente repassadas aos consumidores por meio das tarifas.
Na avaliação da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, o atual modelo transfere aos usuários finais o financiamento de subsídios, contratações compulsórias de energia, acordos administrativos e outras obrigações regulatórias. Como consequência, consumidores de diferentes segmentos assumem custos cuja definição ocorre durante o processo de elaboração e aprovação das políticas públicas.
A entidade afirma ainda que a sucessão de medidas adotadas sem uma estratégia integrada compromete a sustentabilidade econômica do setor elétrico. O diagnóstico apresentado defende a necessidade de uma reforma estrutural capaz de reduzir encargos, aumentar a eficiência regulatória e preservar a modicidade tarifária como princípio orientador da política energética nacional.
Os reflexos das tarifas mais elevadas, segundo especialistas do setor, vão além do orçamento das famílias. O aumento do custo da energia elétrica pode elevar despesas operacionais da indústria, do comércio, do agronegócio e do setor de serviços, afetando a competitividade da economia, pressionando preços e influenciando o comportamento da inflação ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado pelo levantamento é a recorrente incorporação de novos custos às contas de energia como mecanismo de financiamento de decisões relacionadas ao setor elétrico. Para a FNCE, esse processo evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre eficiência administrativa, revisão de gastos públicos e aperfeiçoamento das normas regulatórias que disciplinam o mercado de energia.

A projeção de aproximadamente R$ 985 bilhões em custos adicionais até 2050 amplia a discussão sobre planejamento energético e responsabilidade fiscal. Embora as decisões envolvam aspectos técnicos e regulatórios, seus efeitos alcançam diretamente consumidores, empresas e toda a cadeia produtiva, tornando o tema relevante para o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico.
Diante desse cenário, o estudo sustenta que o equilíbrio entre segurança energética, eficiência administrativa e modicidade tarifária permanece como um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro. A entidade defende que futuras decisões sejam acompanhadas de maior planejamento, avaliação de impactos econômicos e transparência, buscando reduzir a pressão sobre as tarifas e preservar o poder de compra da população.
-
Artigos6 dias atrásO momento de suplicar
-
Artigos3 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Política6 dias atrásAlianças fluídas e fragmentação partidária desenham o cenário eleitoral mais imprevisível em duas décadas
-
Artigos2 dias atrásUm apelo ao STF
-
Artigos5 dias atrásO brincar diário de todos nós
-
Política4 dias atrásCorte de Contas rejeita denúncia contra Prefeito de Cuiabá por suposto uso de servidores em redes sociais
-
ESPORTES7 dias atrásBrasil cai diante da Noruega e registra a pior campanha em Copas desde 1990
-
Política4 dias atrásUnião Brasil projeta liberdade de apoio e afasta risco de ruptura interna



Você precisa estar logado para postar um comentário Login