DEBATE DA PROPOSTA
Especialista afirma que reforma administrativa pode contribuir para aumento da corrupção
Foi encaminhada no dia 03 de setembro de 2020, pelo Poder Executivo, a Proposta de Emenda à Constituição nº 32/ 2020, que “Altera disposições sobre servidores, empregados públicos e organização administrativa”.
Em tramitação no Congresso Nacional, a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) , ao contrário do que o governo e a mídia afirmam , atinge tanto os futuros servidores, como também é uma ameaça aos servidores atuais e a população brasileira em geral, tornando precário e sucateado os serviços públicos em todo o país.
Muito tem se falado sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) 32/2020, a chamada reforma administrativa enviada pelo poder executivo do governo federal ao Congresso Nacional. A medida, que atualmente está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, propõe mudanças significativas nos regimes de contratação, estabilidade e benefícios dos servidores públicos.
As propostas têm sido questionadas em diversos âmbitos e, de acordo com a advogada e especialista em direito contemporâneo, Jocinéia Zanardini, podem contribuir significativamente para aumentar a corrupção.
“A PEC propõe que os cargos em comissão sejam substituídos pelos chamados cargos de liderança e assessoramento. Esses cargos, segundo a proposta, poderão desempenhar atividades que, hoje, são desempenhadas exclusivamente por servidores efetivos e de carreira. Isso poderá ser facilmente utilizado como moeda de troca pelo governante de ocasião“, avalia.
Segundo a especialista, essa situação é a famosa “troca de emprego pelo voto”, que pode criar um ambiente propício à corrupção e ao compadrio, gerando ineficiência e erros graves no serviço público. Esse ponto da PEC também fortalece o autoritarismo no serviço público.
“Esses cargos não terão a liberdade e a independência necessárias para desempenhar o seu trabalho sem interferências. Essa alteração afetará profundamente a segurança nas atividades do serviço público, porque pessoas que não serão capacitadas poderão desempenhar atividades exclusivas de servidores de carreira. Isso é muito ruim para a sociedade como um todo. Afinal, a população perde a certeza de que aqueles funcionários desempenharam as suas funções sem interferências políticas“, explica.
Outro ponto bastante sensível da chamada reforma administrativa e que também favorece a corrupção é a permissão de parcerias entre órgãos públicos e particulares para o desempenho de atividades da administração pública.
“A PEC permite, inclusive, o compartilhamento de estrutura física, prédios e recursos humanos, criando, mais uma vez, um ambiente propício à corrupção e à troca de favores“, ressalta Zanardini.
Com as mudanças propostas, se um servidor observar um erro técnico em uma determinação da chefia ou perceber que determinada situação não está de acordo com a lei e contestar, esse trabalhador poderá ser exonerado. Se ele fizer vista grossa, caso seja descoberto poderá ser responsabilizado pelo Ministério Público e também ser exonerado.
“Esse é um exemplo bastante prático de como a estabilidade, apesar de muito criticada, é uma garantia para a sociedade, não para o servidor apenas“, destaca.
Para Jocinéia Zanardini, embora o texto da PEC fale sobre inovação e boa governança, o que vai acontecer na prática é a desestruturação do serviço público.
“Avanços e diminuição dos gastos devem, sim, acontecer. Mas o que se propõe é muito mais do que isso. É o fim da estrutura de serviço público, da segurança e da imparcialidade“, alerta.
Concursos públicos
A PEC também vai interferir no regime de contratação via concursos públicos. Situação que pode, novamente, beneficiar a corrupção.
“A proposta prevê a possibilidade de realizar contratações para funções técnicas e estratégicas, que hoje são desempenhadas por profissionais de carreira, sem a necessidade de concurso. Isso possibilita a contratação de pessoas não qualificadas, pois o concurso é a forma de aferir o conhecimento. Sem ele, abre-se a possibilidade de que pessoas sejam contratadas não pela capacidade técnica, mas pelo vínculo pessoal com quem contrata. É grave, porque a pessoa pode não possuir o conhecimento necessário para a função“, salienta.
Segundo a especialista, isso tudo também afeta a continuidade do serviço público.
“Sem estabilidade e sem a obrigatoriedade de concurso, um funcionário pode estar trabalhando hoje e ser exonerado amanhã. Com isso, a máquina pública pode ficar ainda mais lenta. O funcionário novo terá que se inteirar de tudo antes de começar a trabalhar, podendo ser substituído na semana ou no mês seguinte. Como ficará, então, a continuidade do serviço?“, questiona.
Servidores atuais
Zanardini alerta que as premissas de que a reforma administrativa não afetará os servidores atuais são, muitas vezes, falsas.
“No caso das demissões, a PEC flexibiliza a demissão dos servidores atuais, pois determina que os mesmos poderão ser demitidos quando houver a decisão de um colegiado, não necessitando mais do trânsito em julgado para a demissão“, esclarece.
Muitas dessas questões são defendidas com base na reclamação histórica de que não há punição para o mau servidor. Neste sentido, a advogada afirma que a PEC 32/2020 não é a solução.
“Existem diversos mecanismos para punir os maus servidores. Se eles não são cumpridos, isso precisa ser analisado e resolvido. Mas a reforma não traz nenhuma solução neste sentido“, diz.
“É importante destacar que foram feitos alguns avanços no texto e que podem ser aceitáveis, como fim da licença prêmio, por exemplo. Mas todo resto é muito negativo para a sociedade de forma geral“, conclui.
ECONOMIA
Tribunal de Contas e ANM firmam parceria para impulsionar economia e reduzir desigualdades
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, liderou nesta segunda-feira (18) uma reunião estratégica com representantes da Agência Nacional de Mineração (ANM), incluindo o gerente regional Jocy Miranda. O encontro marcou o início de uma parceria institucional voltada para regulamentar e fomentar a atividade mineradora no estado.
A principal pauta da reunião foi a defesa da mineração como um dos pilares da economia mato-grossense. Sérgio Ricardo destacou que, além da produção agrícola e pecuária, a exploração mineral deve ser reconhecida como atividade histórica e estratégica, capaz de gerar emprego, renda e arrecadação para os municípios.
O encontro ocorreu na manhã de segunda-feira, dia 18, em Cuiabá. A data simboliza o início formal de uma cooperação que, segundo os envolvidos, terá desdobramentos práticos nos próximos meses, com a publicação de notas recomendatórias e a instauração de auditorias específicas.
A reunião foi realizada na sede do Tribunal de Contas de Mato Grosso, em Cuiabá. O local foi escolhido por representar a instituição responsável pela fiscalização e pelo acompanhamento das políticas públicas, reforçando o caráter oficial e técnico da iniciativa.
Segundo Sérgio Ricardo, a mineração pode ser um instrumento eficaz no combate às desigualdades regionais. A justificativa está na capacidade de arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que destina 60% de sua receita diretamente aos municípios, fortalecendo os cofres públicos e ampliando investimentos locais.
O Tribunal de Contas prepara uma nota recomendatória aos municípios e instaurará auditorias para mapear a produção de ouro e outros minerais. O processo incluirá rastreabilidade, exigência de licenciamento ambiental e autorização da ANM, além de fiscalização rigorosa. A medida pretende separar práticas informais da exploração legal e transparente.
Embora ainda não haja números oficiais sobre a produção mineral em Mato Grosso, o conselheiro enfatizou a necessidade de mensurar a quantidade de ouro extraído e de outros minerais. A arrecadação via Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que já representa uma fonte significativa de recursos, deverá ser ampliada com a regulamentação e fiscalização adequadas.
As declarações foram feitas pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), Sérgio Ricardo, que ressaltou a importância da mineração como divisor de águas na economia estadual. O gerente regional da ANM, Jocy Miranda, reforçou que a cooperação busca orientar os municípios sobre o uso correto dos recursos federais e estaduais provenientes da atividade.
A expectativa é que a parceria entre TCE e ANM fortaleça a economia mato-grossense, ampliando a arrecadação municipal e estadual, além de promover maior transparência na exploração mineral. A medida também deve contribuir para reduzir desigualdades regionais, ao garantir que os recursos sejam aplicados em políticas públicas essenciais.
Nos próximos meses, o Tribunal de Contas deverá publicar oficialmente a nota recomendatória e iniciar auditorias em municípios com atividade mineradora. A ANM, por sua vez, continuará a fornecer suporte técnico e orientação, consolidando a mineração como um setor complementar ao agronegócio e fundamental para o desenvolvimento sustentável de Mato Grosso.
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