CRESCIMENTO DO DESEMPREGO
Desemprego passa de 13,3% para 14,6% no terceiro trimestre
Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil chegou a 14,6% no terceiro trimestre do ano, o que representa alta de 1,3 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior, quando ficou em 13,3%. É a maior taxa da série histórica, que começou em 2012, e corresponde a 14,1 milhões de pessoas.
“Foram mais de 1,3 milhão de desempregados que entraram na fila em busca de um trabalho no país”, disse o IBGE, que divulgou, no Rio de Janeiro, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Trimestral, referente ao período entre julho e setembro de 2020.
Ainda conforme o estudo, a taxa de desocupação cresceu em dez estados e manteve a estabilidade nos demais. Os maiores índices foram registrados na Bahia (20,7%), Sergipe (20,3%) e Alagoas (20,0%). Santa Catarina (6,6%) teve o menor índice.
Segundo o IBGE, os maiores crescimentos da taxa de desocupação foram registrados na Paraíba (4 pontos percentuais), Amapá (3,8 pontos) e Pernambuco (3,8 pontos).

Para Adriana Beringuy, analista da pesquisa, esse aumento no desemprego reflete a flexibilização das medidas de isolamento social para controle da Pandemia de Covid-19. Segundo ela, houve maior pressão sobre o mercado de trabalho no terceiro trimestre.
“Em abril e maio, as medidas de distanciamento social ainda influenciavam a decisão das pessoas de não procurar trabalho. Com o relaxamento dessas medidas, começamos a perceber um maior contingente em busca de uma ocupação”, observou.
Ocupação
O contingente de ocupados caiu 1,1% na comparação com o segundo trimestre, somando 82,5 milhões de pessoas. Esse, para o IBGE, é o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
A pesquisa apontou uma retração de 883 mil pessoas, o que resultou em um nível de ocupação de 47,1%, que também é o menor da série e significa recuo de 0,8 ponto percentual frente ao trimestre anterior (47,9%).
Conforme os dados do IBGE, desde o trimestre encerrado em maio, o nível de ocupação está abaixo de 50%, “o que aponta que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país”.
Segundo Adriana Beringuy, todas as categorias perderam ocupação. Além disso, o número de pessoas com carteira assinada caiu 2,6% no terceiro trimestre na comparação com o anterior. A perda é de 788 mil postos, alcançando 29,4 milhões de empregados com carteira assinada no país.
Carteira assinada
No terceiro trimestre, o percentual das pessoas com carteira de trabalho assinada atingiu 76,5% dos empregados do setor privado. Os maiores percentuais foram registrados em Santa Catarina (90,5%), no Paraná (85,1%), no Rio Grande do Sul (84,3%) e em São Paulo (82,3%).
Os menores, no Maranhão (51,3%), Pará (53,9%) e Piauí (54,1%).
Informalidade
A taxa de informalidade ficou em 38,4% no trimestre encerrado em setembro. O percentual equivale a 31,6 milhões de pessoas sem carteira assinada, que são empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos, sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração. No trimestre anterior, o percentual era de 36,9%.
ECONOMIA
MT registra recorde histórico nas exportações de carne bovina e amplia liderança no mercado internacional
O Estado de Mato Grosso alcançou, em maio de 2026, o melhor desempenho do ano nas exportações de carne bovina, consolidando sua posição como maior produtor e exportador do segmento no Brasil. O estado registrou receita de US$ 440,72 milhões com as vendas externas da proteína, estabelecendo um recorde histórico para o mês de maio tanto em faturamento quanto em volume embarcado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O resultado expressivo foi obtido a partir da exportação de 87,10 mil toneladas equivalentes carcaça (TEC), volume que evidencia o fortalecimento da cadeia produtiva da pecuária mato-grossense. O desempenho reafirma a importância estratégica do estado para o abastecimento dos mercados internacionais e para a balança comercial brasileira.
Na comparação com abril deste ano, o volume exportado apresentou crescimento de 3,55%, demonstrando a continuidade da expansão das vendas externas. Em relação a maio de 2025, o avanço foi ainda mais significativo, atingindo 32,27%, o que revela o aumento consistente da demanda pela carne bovina produzida em Mato Grosso.
O faturamento acompanhou a evolução dos embarques e registrou crescimento de 7,83% em comparação ao mês anterior. Quando analisado o desempenho anual, a receita apresentou expansão de 64,53%, refletindo não apenas o aumento do volume comercializado, mas também a valorização do produto nos mercados internacionais.

A forte demanda global foi um dos principais fatores responsáveis pelo resultado alcançado. Entre os compradores, a China manteve sua posição como principal destino da carne bovina mato-grossense, respondendo por 60,43% de todos os embarques realizados durante o mês de maio. A participação chinesa reforça a relevância do mercado asiático para o setor pecuário estadual.
Outro elemento determinante para o crescimento das receitas foi a valorização da proteína bovina no comércio exterior. O preço médio da carne exportada atingiu US$ 5.060,12 por tonelada equivalente carcaça, contribuindo diretamente para o aumento do faturamento e para a rentabilidade das operações realizadas pelo setor.
Os números demonstram a capacidade de Mato Grosso de atender aos mais rigorosos padrões internacionais de qualidade, sanidade e rastreabilidade. A combinação entre escala produtiva, tecnologia aplicada ao campo e eficiência logística tem permitido ao estado ampliar sua competitividade em mercados cada vez mais exigentes.
De acordo com o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o desempenho alcançado reflete a robustez da pecuária estadual e o trabalho desenvolvido por toda a cadeia produtiva. Segundo ele, os resultados evidenciam o potencial de crescimento contínuo do setor e a capacidade de expansão da presença mato-grossense no comércio global.

Andrade destaca ainda que Mato Grosso abriga o maior rebanho bovino do Brasil, condição que fortalece sua posição estratégica no cenário nacional e internacional. Para o dirigente, a atuação integrada entre produtores rurais, frigoríficos e instituições ligadas ao agronegócio tem sido fundamental para ampliar mercados e garantir maior competitividade às exportações.
Com os indicadores positivos registrados em maio, a expectativa do setor é de manutenção do ritmo de crescimento ao longo de 2026. O cenário favorável da demanda internacional, aliado à elevada capacidade produtiva do estado, projeta novas oportunidades de expansão para a carne bovina mato-grossense, consolidando Mato Grosso como uma das principais referências globais na produção e exportação de proteína animal.
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