BRT ENTRA NA LINHA
Troca do VLT para BRT é uma das ações mais polêmicas da gestão Mendes
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, em maio deste ano, mandou suspender os procedimentos administrativos a respeito da implantação do sistema de Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), em Cuiabá. Com a d decisão do ministro, contrariou o posicionamento do Governo do Estado sobre o tema.
A decisão de Aroldo Cedraz atendeu ao pedido da Prefeitura de Cuiabá, que é contra o uso do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT). O projeto do governo estadual pretende substituir a proposta original, que era a da criação de uma linha de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que ligaria a capital do Mato Grosso à cidade vizinha de Várzea Grande.
O VLT foi uma das promessas do Governo do Estado de Mato Grosso para a Copa do Mundo de 2014, mas não foi entregue a tempo. Em 2015, as obras foram paralisadas, sob suspeita de corrupção nos contratos. Quase 8 anos depois do mundial, o sistema ainda não está em funcionamento.
Após decisão do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), entrou na briga, fixou entendimento de que compete ao órgão, e não ao Tribunal de Contas da União (TCU), a fiscalização dos procedimentos administrativos, dos recursos e das políticas públicas referentes à alteração do modal de transporte público de VLT para BRT em Cuiabá e Várzea Grande.
Os Conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso, em seu entendimento, diz que a competência para essa fiscalização é do próprio Tribunal de Contas de Mato Grosso, e não do Tribunal de Contas da União. De acordo com o órgão da União, houve violação de lei federal, o que, segundo o TCE, não é suficiente para atrair a competência para si no que se refere à inconsistências em processo licitatório e ou em contratações realizadas por entes estaduais.
O que esta acontecendo de modo geral, é que o Tribunal de Contas da União (TCU) estaria aplicando sanções ao Estado de Mato Grosso, que encontra-se no âmbito de competências do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT).
A controvérsia, relativa a conflito de jurisdição, diz respeito a Representação de Natureza Externa (RNE) proposta pelo Município de Cuiabá contra o Governo do Estado. Ao solicitar a determinação de medida cautelar, a administração municipal alegou ausência de projetos básico e executivo, de estudos técnicos e de licenciamento ambiental relativos à troca do modal de transporte público de VLT para BRT.
O governador Mauro Mendes Ferreira do União Brasil (UB), chegou a dizer que a decisão o Tribunal de Contas da União (TCU), e a do ministro, foi uma decisão forçada a pedido da Prefeitura de Cuiabá, que suspendeu todos os trâmites para o início das obras Ônibus de Transporte Rápido (BRT) entre as cidades vizinhas Cuiabá e Várzea Grande.
BRT na linha
Nesta sexta-feira, 26, Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou e acabou suspendendo a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que impedia o início das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande atendendo ao pedido Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), que apontou que o TCU seria incompetente para fiscalizar os procedimentos administrativos dos recursos e das políticas públicas referentes à alteração do modal.
STF decidiu
Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em sua decisão, sustentou, em análise inicial do caso, que o Tribunal de Contas da União (TCU) articula a existência de verbas federais despendidas quando ainda se tratava de obra destinada à Copa do Mundo de 2014 e com possíveis irregularidades quanto à aplicação da legislação federal para justificar sua competência para análise do feito e deferimento de medida cautelar de suspensão da licitação.
“Assim, neste juízo preliminar, entendo que existe plausibilidade jurídica na alegação de usurpação de competência da Corte de Contas estadual por parte do TCU, ao suspender o procedimento licitatório promovido pelo Estado do Mato Grosso. Presente também o requisito do periculum in mora, ante ao evidente prejuízo da população local com a suspensão da licitação que trata especificamente de transporte público e mobilidade urbana”.
Empresa vencedora

A empresa contratada por R$ 468 milhões pelo Governo de Mato Grosso para construção do controverso BRT, em Cuiabá e Várzea Grande, ficou com o Consórcio Construtor BRT Cuiabá, e liderado pela empresa Nova Engevix Engenharia e Projetos S/A, que foi alvo da “Operação Lava Jato“ e teve R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça Federal, em 2020, sob acusação de desvio de recursos em obras da Petrobrás.
Além da Nova Engevix, o Consórcio Construtor BRT Cuiabá é formado pelas empresas Heleno & Fonseca Construtécnica S.A. e Cittamobi Desenvolvimento em Tecnologia Ltda.
A contratação foi realizada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) na modalidade de Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCi).
A troca do projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), para o Ônibus de Transporte Rápido (BRT), que já consumiu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos e tinha mais de 50% do projeto executado, inclusive com os vagões aguardando para entrar em funcionamento, considerados por muitos como sistema menos moderno e que terá que ser completamente construído, é uma das páginas mais polêmicas do atual Governo de Mauro Mendes.
Destaques
Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
-
Artigos7 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos6 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política6 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá
-
Artigos6 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Artigos4 dias atrásO Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia
-
Artigos7 dias atrásO novo índice que pode transformar o planejamento dos municípios de Mato Grosso
-
Política7 dias atrásPalácio Paiaguás: disputa acirrada marca cenário eleitoral
-
Destaques5 dias atrás“Tem deputado que xinga o Agro mas o dinheiro do Agronegócio banca sua família e suas amantes”


