ERA UMA VEZ O VLT
“Quem manda em Cuiabá é o prefeito da Capital, ponto final”
O Projeto de Lei enviado pelo governador Mauro Mendes Ferreira (DEM) que pedia autorização para a troca do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo Bus Rapid Transit (BRT), entre as Cuiabá de Várzea Grande foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato grosso (AL/MT), com 19 votos a favor da mudança e apenas 2 contrários.
A legislação aprovada prevê a alteração nos contratos de financiamento firmados com a Caixa Econômica Federal, de modo a implantar o BRT, movido a eletricidade, como alternativa ao VLT, uma vez que o contrato original autorizava o financiamento apenas destinado ao modal sobre trilhos.
A LEI
Na justificativa da Lei, Mauro Mendes afirmou que o VLT virou exemplo nacional de obra inacabada da Copa do Mundo de 2014, “situação que envergonha Mato Grosso há mais de seis anos“.
Mendes lembrou que o VLT “acumula problemas desde o seu nascedouro”, e que o Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a condenar duas servidoras federais por terem retirado uma nota técnica que comprova a inviabilidade do modal.
O governador mato-grossense registrou a existência de vários imbróglios jurídicos envolvendo o VLT, que tratam desde fraudes na licitação até pagamento de propina por parte de empresas do consórcio, fatos confessados pelo ex-governador Silval Barbosa e que levaram o Governo do Estado a rescindir o contrato, decisão que foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
DECISÃO TÉCNICA
Assim que assumiu a gestão, em 2019, o governador Mauro Mendes articulou a criação do Grupo de Trabalho formado por técnicos do Governo Federal, Governo do Estado e da Caixa Econômica Federal para decidir a melhor decisão a ser tomada sobre o modal.
Diz o estudo
“A conclusão foi a de que, entre as opções que ofereciam menor risco para sua conclusão, é a de substituir o VLT pelo BRT com otimizações de traçado e ônibus movidos a eletricidade”.
Os estudos demonstraram também que o BRT trará mais conforte e acessibilidade aos usuários, além de ser menos oneroso aos cofres públicos e com tarifa menor.
“Esses dois atributos, associados à flexibilidade do modal BRT, que permite a sua expansão com mais facilidade e menos dependência de um único fornecedor (CAF, fabricante do material rodante), asseguram que a proposta levada a esta Casa de Leis se reveste da mais alta relevância e urgência. Estas, portanto, são as razões que me conduzem a submeter o presente projeto de lei, em regime de urgência, à apreciação deste Parlamento, contando, como de costume, com a colaboração de Vossas Excelências para a sua aprovação”, concluiu.
Emanuel é contra a troca do VLT pelo BRT
Nesta semana, o prefeito cuiabano Emanuel Pinheiro (MDB) deixou clara sua oposição à troca da implantação do VLT pelo BRT e subiu o tom ao rebater as críticas do secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Sinfra, Rafael Detoni, que afirmou que os 144 ônibus adquiridos pela Prefeitura de Cuiabá, não são compatíveis com o Bus Rapid Transit (BRT).
“Quem manda em Cuiabá é o prefeito da Capital, ponto final. Ainda tive o cuidado de autorizar porta dos dois lados. Digo que o BRT dificilmente vai sair. Mesmo sendo árduo defensor do VLT, quando comprei, pedi do lado esquerdo para que houvesse essa possibilidade do outro modal”.
“Dificilmente o BRT vai sair. É inviável, não é o melhor para a população. Existem várias ações em nível administrativo e judicial, que não foram decididas ainda. Teremos longo embate pela frente. Foram investidos mais de R$ 1 bilhão [no VLT]. Esse anteprojeto fica mais caro. É um tapa na cara da sociedade. Precisamos trazer para Cuiabá o que há de melhor e moderno. Só o VLT consegue trazer isso para a população. Além de tudo isto, não vamos permitir essa interferência indesejada, ilegal do estado, em assuntos do município”.
Emanuel Pinheiro não gostou das declarações feitas pelo secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano da Sinfra, Rafael Detoni quando apontou a suposta falha nas novas frotas de ônibus adquiridas pelas Prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande, que segundo ele, tem diferença de nível do piso da estação para os ônibus.
Conforme Emanuel Pinheiro, a licitação da compra correu por quase um ano e nunca foi notificado pelo Governo do Estado sobre a situação. Declarou o Chefe do Executivo Municipal.
“A licitação correu três anos quase. Ampliei o prazo para mostrar transparência e respeito à impessoalidade e ilegalidade. Ninguém participou, notificou. Agora, depois de beneficiar a população com 144 ônibus, melhorando o transporte coletivo, eles vêm com essa história, a um ano das eleições? Dá para acreditar na boa intenção? ”, disse.
Destaques
Cuiabá sobe em ranking de “Qualidade de Vida”, mas interior de Mato Grosso alerta para disparidades sociais
O avanço nos indicadores de bem-estar urbano na região Centro-Oeste revelou um cenário de profundas desigualdades socioeconômicas estruturais entre a capital e os municípios periféricos. A divulgação do Índice de Progresso Social, realizada pelo Instituto Imazon, evidenciou que o crescimento econômico e a modernização das infraestruturas urbanas não ocorrem de maneira uniforme no território mato-grossense. Essa discrepância geográfica consolida uma divisão nítida entre o desenvolvimento das centralidades administrativas e a estagnação das localidades interioranas.
A análise técnica detalhada incidiu diretamente sobre a realidade demográfica e social do Estado de Mato Grosso, com especial atenção para a dinâmica de seus 142 municípios habitados. A investigação estatística detalhou as condições de vulnerabilidade em pontos críticos do mapa estadual, expondo as deficiências estruturais que comprometem o cotidiano de milhares de cidadãos distantes dos grandes eixos financeiros. O foco da mensuração centrou-se na identificação das carências fundamentais que impedem a consolidação de um progresso social equitativo e sustentável.
Os dados oficiais apurados apontaram que Cuiabá atingiu a nota de 67,22 na avaliação contemporânea, superando o registro anterior que se fixara em 66,73 pontos. Essa pontuação posicionou a capital mato-grossense na 301ª colocação geral do país e no 10º lugar entre as capitais brasileiras mais desenvolvidas. Em contrapartida, o levantamento revelou que 131 municípios do interior do estado permanecem abaixo da média nacional de 63,40 pontos, integrando agrupamentos de vulnerabilidade social acentuada.
A pesquisa de campo e o processamento de dados foram integralmente executados pelo Instituto Imazon, uma renomada entidade de pesquisa dedicada ao monitoramento do desenvolvimento sustentável. O corpo técnico da instituição utilizou metodologias científicas rigorosas para cruzar informações de fontes governamentais e censitárias, garantindo a precisão analítica necessária.

A atuação desse comitê de especialistas conferiu credibilidade ao diagnóstico final, transformando números brutos em ferramentas de avaliação para a formulação de políticas públicas.
O anúncio oficial dos resultados ocorreu nesta quarta-feira, dia 20 de maio de 2026, refletindo o consolidado do desempenho municipal apurado ao longo dos meses anteriores. A escolha do período para a divulgação obedeceu ao calendário anual de atualizações da entidade, permitindo uma comparação fidedigna com os desempenhos históricos nacionais. O momento da publicação coincide com o debate sobre o planejamento orçamentário plurianual dos governos locais, servindo como um balizador estratégico para os gestores.
A motivação para o desenvolvimento e a publicação desse índice reside na necessidade de oferecer uma métrica precisa sobre o desenvolvimento humano que transcenda o mero crescimento do Produto Interno Bruto. O propósito do estudo consiste em municiar a sociedade civil e os governantes com diagnósticos precisos que orientem investimentos em setores sociais historicamente negligenciados.
A intenção institucional é transformar a avaliação periódica em um catalisador para reformas estruturais urgentes em Saneamento, Saúde e Educação.
O método avaliativo baseou-se na aplicação rigorosa de 12 parâmetros internacionais divididos em dimensões que englobam Nutrição e Cuidados Médicos Básicos, Água e Saneamento, além de Moradia Condigna. Cada município recebeu uma pontuação agregada após a ponderação matemática desses fatores, estabelecendo um ranking que varia do Grupo 2, considerado bom, ao Grupo 8, classificado como ruim. Esse modelo multidimensional permitiu aferir o impacto real das políticas públicas diretamente na subsistência diária das populações locais.
Os fatores geradores do desempenho mediano do estado decorrem da concentração histórica de investimentos públicos e privados nas regiões integradas ao Agronegócio e ao setor de serviços da capital. A escassez de redes de esgotamento sanitário, a precariedade no atendimento médico especializado e o déficit habitacional no interior atuaram como os principais vetores de rebaixamento dos índices.

Essa centralização de recursos gerou bolsões de isolamento social em localidades vulneráveis como Nova Nazaré, Campinápolis e Colniza.
A repercussão imediata dos dados expôs o temor de que 92% das cidades do interior de Mato Grosso permaneçam estagnadas ou sofram retrocessos graves nos próximos anos. Autoridades públicas e planejadores urbanos manifestaram preocupação com a possibilidade de esses municípios migrarem definitivamente para o Grupo 8, o extrato mais baixo do progresso nacional. O diagnóstico gerou alertas emitidos por assistentes sociais e economistas, que preveem o agravamento da migração desordenada para a capital caso as assimetrias não sejam corrigidas.
A superação desse panorama crítico exigirá a implementação urgente de um plano coordenado de investimentos descentralizados por parte do governo estadual e das prefeituras. O fortalecimento das economias locais e a universalização dos serviços básicos de saneamento surgem como as únicas alternativas viáveis para elevar o interior aos patamares desejáveis de bem-estar.
A consolidação de uma agenda de desenvolvimento inclusivo determinará se o estado alcançará a maturidade social compatível com a sua expressiva força econômica.
Confira as notas dos 10 primeiros colocados
Colocação nacional Município Nota
301 Cuiabá 67,22
315 Araguainha 67,13
359 Primavera do Leste 66,89
455 Rondonópolis 66,5
919 Denise 64,87
1035 Campo Verde 64,51
1183 Alto Taquari 64,1
1345 Sapezal 63,74
1361 São José do Povo 63,7
1386 Dom Aquino 63,65
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