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PRESERVAR A CULTURA EM SEU TERRITÓRIO

Projeto “Pemaga, Perigara” é aprovado pelo povo Boe Bororo

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Com o objetivo de fortalecer os saberes tradicionais, a segurança alimentar, a geração de renda, entre outras coisas, o projeto “Pemega, Perigara” foi discutido e elaborado em conjunto com o povo Boe Bororo, da comunidade da Aldeia Perigara, localizada na Terra Indígena (TI) Perigara, ao sul de Mato Grosso, que enfrenta desafios para preservar sua cultura e seu território.

Contudo, desde abril de 2022, o projeto “Pemega, Perigara” vem sendo construído pelas lideranças e representantes da aldeia junto ao Instituto Centro de Vida (ICV) e ao Onçafari.

Com o objetivo de fortalecer os saberes tradicionais, a segurança alimentar, a geração de renda, a infraestrutura, a gestão territorial, e a prevenção de incêndios na TI, o projeto foi discutido e elaborado em conjunto com a comunidade para atender as necessidades do povo Boe Bororo.

Na segunda quinzena de julho, as organizações que executam o projeto e instituições parceiras se reuniram com os Boe Bororo para uma consulta sobre a continuidade ou não do projeto na região e para a escolha de atividades prioritárias.

Além do ICV e do Onçafari, participaram da ação a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI) e a Boitatá Consultoria.

A coordenadora do programa de Direitos Socioambientais do ICV, Stéphanie Birrer, destacou que o projeto é um primeiro passo no apoio ao fortalecimento da Associação Iturakurireu, fundada em 2002, buscando a autonomia da organização.

A intenção do nosso projeto é permitir que essa associação indígena possa se desenvolver e eventualmente levantar seus próprios recursos, gerir e desenvolver seus próprios projetos, e continuar com a iniciativa de qualidade de vida aqui no território, disse.

Com o aval e avaliação positiva da comunidade, o “Pemega, Perigara” agora entra na fase de planejamento e execução das ações, previstas para acontecer até 2025. O agente federal em Indigenismo da Funai, convidado pelo ICV com o intuito de garantir a lisura e a transparência na execução da proposta, avaliou que a comunidade foi receptiva.

Viemos formalizar essa consulta para saber a manifestação da comunidade sobre a execução do projeto, que tem como finalidade ações socioambientais que visam melhorar a qualidade de vida dessa população. A receptividade da comunidade foi muito boa, especialmente com relação ao detalhamento de ações que vão ser executadas até 2025, disse.

O cacique Roberto Maridoprado destacou que o projeto é uma experiência nova na aldeia e que vê a comunidade muito interessada em participar, tanto os mais jovens quanto os mais velhos.

Tá sendo um projeto que vem ajudando, apoiando a comunidade naquilo que a comunidade está necessitando. Algumas pautas que estão na lista vão ser executadas, vai ficar muito mais alegre, né? E, na visão deles, está sendo um projeto muito bom. Uma experiência nova. Alguns estão animados em mexer com artesanato, uma das práticas que vem sumindo, explicou.

O território

A Terra Indígena pertence a etnia dos Boe Bororo, que vive às margens do Rio São Lourenço, a cerca de 300 quilômetros da capital Cuiabá (MT) e tem aproximadamente 100 habitantes, segundo o Instituto Socioambiental (ISA).

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Ela foi homologada em 1991, mas ainda sofre com a degradação ambiental e as interferências culturais dos não-indígenas, mesmo que para chegar à aldeia seja preciso enfrentar barreiras logísticas. Em alguns períodos do ano, o acesso só é possível por barco. Em outros, é necessário um veículo adequado para percorrer a estrada de terra.

A aldeia faz divisa com a Reserva São Francisco do Perigara, uma área de conservação adquirida em 2021 pelo Onçafari, uma organização que atua na proteção da biodiversidade do Pantanal. A reserva é considerada o maior refúgio das araras-azuis e concentra 15% da população livre da espécie.

Coordenadora da frente Social do Onçafari, a bióloga Stephanie Simioni explicou como a organização chegou ao Pantanal mato-grossense.

Depois dos incêndios que atingiram o Pantanal em 2019 e 2020, não só as araras-azuis, mas toda a fauna e flora da região estavam ameaçadas. Por isso, o Onçafari se interessou em ajudar na proteção dessa área, porque uma das frentes de atuação da organização é adquirir terras que ainda são preservadas e ajudar na administração delas e na elaboração de estratégias para que elas continuem preservadas e gerando renda“.

Em busca de uma parceria com a comunidade indígena vizinha, o Onçafari solicitou apoio do ICV para desenvolver um projeto socioambiental na Terra Indígena Perigara.

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Preservação

Dentro da TI Perigara, existe uma edificação da 1914 que foi utilizada pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), a antiga Funai. Um dos anseios da comunidade é que esse espaço possa ser devidamente reconhecido e revitalizado.

O indígena e historiador Virgilio Kidemugureu, que mora na aldeia, detalhou que a edificação contém parte da história do povo Boe Bororo.

O prédio foi construído com tijolo feito aqui mesmo na terra indígena, pelos próprios Bororo do passado. Mas hoje precisamos de uma melhoria na estrutura desse prédio, para poder utilizar melhor o espaço, com atividade culturais, reuniões e preservar um arquivo público“.

A equipe do Iphan foi convidada pelo ICV pelo interesse do povo pela preservação de seu patrimônio histórico. Na oportunidade, a comunidade escreveu uma carta ao instituto a fim de formalizar o pedido para tombamento da estrutura. A análise prévia do arqueólogo Francisco Forte Stuchi sugere bons resultados.

Já é possível registrar a área da edificação enquanto sítio arqueológico, encontramos fragmentos cerâmicos e também os machados, material lítico. A depender da análise da instituição é possível fazer um tombamento dessa edificação, que são duas categorias distintas. Registro enquanto sítio é uma medida de proteção e o tombamento é um acautelamento a mais, disse.

Povo Boe Bororo

O povo Boe Bororo é um dos povos indígenas mais antigos do Brasil. Eles têm uma cultura rica, com uma organização social baseada em clãs e são exogâmicos, ou seja, os membros de um clã só podem se casar com membros de outro clã.

Os clãs também têm funções sociais e rituais específicas, como a organização das festas, a distribuição dos alimentos, a condução dos ritos funerários.

Eles têm uma língua própria, chamada Bororo ou Boe, que faz parte da família Macro-Jê de línguas. Para o povo Boe Bororo, Pemega é uma forma de cumprimento. “Pemega, Perigara” seria “como Tudo bem, Perigara”.

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Destaques

Governo prevê conclusão do “BRT Metropolitano” para dezembro de 2026

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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (SINFRA/MT), Marcelo Oliveira, juntamente com a equipe técnica da pasta, anunciou formalmente que as obras do sistema de trânsito rápido por ônibus (Bus Rapid Transit – BRT), no trecho que interliga a Avenida do CPA, em Cuiabá, ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, serão integralmente concluídas até o fim de dezembro de 2026. A declaração solene ocorreu na tarde desta segunda-feira (13), durante uma concorrida Audiência Pública realizada no auditório principal da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).

O pronunciamento governamental detalhou as profundas alterações estruturais planejadas para as 77 estações de passageiros, o cronograma atualizado de execução física das frentes de trabalho e as estratégias para a futura implantação do corredor viário da Avenida Fernando Corrêa da Costa. Diante de parlamentares, lideranças comunitárias e jornalistas, os gestores estaduais também expuseram o planejamento para a aquisição imediata da frota de ônibus elétricos, além de justificar as medidas administrativas severas adotadas pelo Poder Executivo após a rescisão unilateral do contrato com o consórcio construtor originalmente contratado para a execução do empreendimento metropolitano.

A consolidação financeira do novo modal de transporte coletivo urbano recebeu um importante incremento com a confirmação de que a venda dos antigos trens e o leilão dos trilhos e materiais remanescentes do extinto projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) reverterão mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos do Estado. Ao defender a viabilidade econômica da transição tecnológica, o secretário Marcelo Oliveira rebateu as críticas recorrentes acerca dos atrasos no cronograma e enfatizou que as equipes de engenharia enfrentaram um cenário complexo de expansão urbana e de adensamento populacional acelerado na Grande Cuiabá entre os anos de 2012 e 2024.

O principal fator que determinou a paralisação temporária das obras e a consequente dilação do prazo de entrega foi o reiterado descumprimento de cláusulas editalícias por parte da primeira concessionária licitada, situação que forçou o Estado a aplicar multas contratuais e a reformular integralmente o modelo operacional. O gestor da pasta de infraestrutura revelou ainda que a ingerência política e os entraves burocráticos criados pela administração municipal anterior de Várzea Grande prejudicaram sensivelmente o andamento dos serviços de pavimentação rígida na região limítrofe, prolongando o desgaste logístico sofrido pelos comerciantes e motoristas locais.

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Paralelamente às intervenções em andamento no primeiro eixo de mobilidade, a implantação do corredor estrutural da Avenida Fernando Corrêa da Costa encontra-se em fase de planejamento, com o processo licitatório ainda pendente de publicação oficial no Diário Oficial do Estado. O secretário-adjunto de Obras da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Isac Nascimento, esclareceu que não há dotação orçamentária empenhada para este trecho específico no presente exercício financeiro, estimando o início efetivo das obras de terraplenagem e drenagem profunda apenas para o primeiro semestre do próximo ano.

O traçado completo do sistema de transporte rápido abrangerá uma extensão linear de 15 quilômetros no trecho principal que conecta as duas maiores cidades do estado, somando-se a outros sete quilômetros projetados para o futuro ramal da região sul de Cuiabá. Para garantir o atendimento eficiente de milhares de usuários diários que dependem do transporte público interestadual, a administração estadual confirmou a aquisição de uma frota inicial composta por 25 modernos ônibus elétricos de alta capacidade, cujos processos de compra direta encontram-se em fase de instrução documental e análise jurídica nos órgãos de controle interno da Sinfra.

As modificações técnicas implementadas no projeto básico das estações visam aumentar a durabilidade do patrimônio público e garantir o conforto térmico dos passageiros em uma região de clima caracteristicamente quente. Nascimento pontuou que o aprimoramento estrutural consistiu na substituição dos aparelhos de ar-condicionado domésticos por eficientes sistemas de climatização industrial, além da instalação de painéis de vidro temperado com tecnologia antivandalismo e de estruturas metálicas de alta resistência contra intempéries climáticas.

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O planejamento logístico inicial concebido para o Lote 1, que compreende a ligação expressa entre os terminais de Várzea Grande e do CPA, previa originalmente uma execução célere de apenas seis meses, baseada na abertura simultânea de sete frentes de trabalho intensivo ao longo do leito viário. A estratégia de engenharia englobava intervenções complexas no subsolo e na superfície das principais vias expressas, concentrando o maquinário pesado no quadrante situado entre o Viaduto da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e a histórica Ponte Júlio Müller.

No entanto, a viabilidade prática desse modelo de intervenção simultânea mostrou-se inviável logo após o início das primeiras escavações, quando o estrangulamento do fluxo de veículos gerou severos congestionamentos e forte descontentamento popular. A equipe técnica da Sinfra avaliou que a manutenção do cronograma agressivo original resultaria em um colapso completo da mobilidade urbana intermunicipal, forçando a adoção de um modelo operacional mais flexível e seguro para os cidadãos.

A execução das obras de engenharia civil passou a ocorrer de forma cadenciada e gradual, sob constante monitoramento e em estreito alinhamento operacional com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) de Cuiabá. De acordo com o secretário-adjunto, essa sinergia administrativa permite o planejamento detalhado de desvios no tráfego e de interdições parciais de faixas de rolamento, mitigando os impactos cotidianos e harmonizando o avanço do BRT com as demais obras de saneamento básico conduzidas pelas concessionárias de serviços públicos na capital.

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